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Aos 9 anos, menina gaúcha que começou no xadrez aos 4 ao assistir o pai jogar online transforma brincadeira em trajetória de títulos, vira campeã brasileira e sul-americana, lidera ranking latino-americano da idade e já havia se tornado Mestre Nacional Feminino aos 8 anos
Escrito por Carla Teles
Publicado em 14/09/2026 às 12:17
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Maria Eduarda Tischler começou no xadrez aos 4 anos, depois de observar o pai jogar pela internet. Em poucos anos, a menina de Santa Cruz do Sul venceu campeonatos no Brasil e no exterior, alcançou o topo latino-americano da categoria e passou a mirar uma carreira profissional nos tabuleiros internacionais.
O xadrez entrou na vida de Maria Eduarda Tischler Lema Garcia quando ela tinha apenas 4 anos. Em casa, a menina gaúcha viu o pai disputando uma partida pela internet, interessou-se pelo que acontecia na tela e começou a pedir que ele ensinasse as regras e os movimentos das peças. O que nasceu como uma brincadeira familiar rapidamente passou a ocupar um espaço cada vez maior em sua rotina.
Cinco anos depois, aos 9, Maria Eduarda já acumulava conquistas nacionais e internacionais. Em depoimento publicado pela VEJA em 21 de março de 2024, ela contou como saiu das primeiras partidas com o pai para campeonatos no Brasil e no exterior, chegou à liderança latino-americana em sua faixa etária e passou a tratar o esporte como um caminho que gostaria de seguir profissionalmente.
Tudo começou aos 4 anos diante de uma partida do pai pela internet
O primeiro contato de Maria Eduarda com o tabuleiro não aconteceu em uma escola especializada ou em um campeonato. O pai jogava uma partida online quando a filha se aproximou, quis entender o que estava acontecendo e pediu para participar.
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Ele passou então a ensinar as regras de maneira leve. No começo, segundo o relato da própria menina à VEJA, até facilitava algumas partidas para mantê-la animada. A estratégia funcionou porque o interesse pelo xadrez não diminuiu à medida que as regras ficaram mais complexas; aconteceu justamente o contrário.
Maria Eduarda experimentava outras atividades fora da escola, entre elas teatro, dança, música, inglês e artes marciais. Nenhuma, porém, despertava nela o mesmo envolvimento que o tabuleiro.
O que a atraía era justamente a necessidade de pensar por longos períodos e modificar os planos quando o adversário respondia de uma maneira inesperada. Ao perceber que a filha permanecia horas jogando e demonstrava facilidade para o raciocínio estratégico, o pai procurou uma treinadora para ajudá-la a desenvolver as habilidades.
Primeiro torneio termina com quarto lugar entre 14 jogadores
A brincadeira ganhou outro nível em janeiro de 2022. Maria Eduarda fazia aulas quando soube que sua treinadora participaria do Floripa Chess Open, competição conhecida no circuito brasileiro, e perguntou se também poderia jogar.
Havia uma disputa adequada à sua idade. Com apenas 7 anos, ela entrou pela primeira vez em um torneio presencial contra adversários que não conhecia. Entre os 14 participantes, era a única menina e estava entre os poucos estreantes. Mesmo assim, terminou na quarta posição.
O resultado mudou sua própria expectativa. Depois daquela estreia, Maria Eduarda decidiu que queria chegar ao primeiro lugar, objetivo que começou a alcançar poucos meses depois.
Ainda em 2022, tornou-se campeã brasileira entre as meninas de 8 anos. A sequência levou a jovem enxadrista para competições internacionais, colocando uma criança que havia aprendido as peças com o pai diante de adversários de outros países.
Campeã brasileira parte para torneios no Uruguai e no Paraguai
Depois do título nacional, Maria Eduarda disputou o Pan-Americano no Uruguai e o Sul-Americano no Paraguai. Foi no segundo torneio que alcançou uma de suas maiores conquistas daquele período ao subir ao topo do pódio.
Em poucos meses, o xadrez havia levado a menina de partidas familiares em casa para uma conquista sul-americana. A trajetória também começou a ampliar seu círculo social, com amizades feitas entre jogadores de países como Peru, Colômbia e Estados Unidos.
Uma reportagem da GaúchaZH publicada em janeiro de 2023 também registrou Maria Eduarda, então com 8 anos, como campeã sul-americana e moradora de Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo, reforçando a origem gaúcha da jovem atleta.
A evolução continuou naquele ano. Segundo Maria Eduarda relatou à VEJA, em 2023 ela alcançou a primeira posição do ranking da América Latina entre enxadristas de sua idade. Uma publicação da Gazeta do Sul sobre a repercussão nacional de sua trajetória também registra que ela assumiu essa liderança em 2023.
Menina decide subir de categoria para enfrentar adversários mais velhos
À medida que os resultados apareciam, Maria Eduarda procurava aumentar a dificuldade. Em vez de permanecer apenas na faixa etária em que já vinha se destacando, decidiu disputar partidas contra crianças um pouco mais velhas, na categoria Sub-10.
Os registros da Confederação Brasileira de Xadrez mostram a dimensão dessa progressão. No Campeonato Brasileiro de base de 2023, Maria Eduarda Tischler Lema Garcia aparece representando o Rio Grande do Sul e conquistando o primeiro lugar feminino no xadrez rápido Sub-10 e também no clássico Sub-10.
Naquele campeonato, a CBX reuniu mais de 300 enxadristas em Natal, no Rio Grande do Norte. A entidade registrou Maria Eduarda entre os destaques da Região Sul justamente pelos ouros conquistados no rápido e no clássico da categoria Sub-10.
A escolha de competir acima da faixa em que havia começado mostrava uma característica que a própria atleta descrevia como importante em sua evolução: buscar novos obstáculos sempre que os desafios anteriores começavam a parecer mais controláveis.
CBX concede título de Mestre Nacional Feminino ainda na infância
A evolução de Maria Eduarda também resultou em uma das principais distinções nacionais de sua trajetória. Em 5 de julho de 2023, a Confederação Brasileira de Xadrez publicou o Comunicado nº 098/2023 informando que a enxadrista gaúcha havia cumprido os requisitos para receber o título de Mestre Nacional Feminino.
A conquista veio quando Maria Eduarda ainda tinha 8 anos e já acumulava resultados expressivos nas categorias de base. O regulamento da CBX trata Mestre Nacional e Mestre Nacional Feminino como titulações nacionais próprias, concedidas a jogadores que cumprem critérios técnicos estabelecidos pela entidade.
Meses depois, em depoimento publicado pela VEJA em março de 2024, já aos 9 anos, Maria Eduarda afirmou ter alcançado naquele mês uma “grande vitória” relacionada a um título de mestre nacional e destacou que esse tipo de reconhecimento costuma aparecer entre jogadores mais velhos. Como a publicação não apresenta um novo ato oficial da CBX correspondente a essa declaração, a referência institucionalmente comprovada permanece sendo o título de Mestre Nacional Feminino concedido em julho de 2023.
O reconhecimento oficial se somou aos resultados que ela já vinha obtendo no tabuleiro, entre eles títulos brasileiros, a conquista sul-americana e a liderança do ranking latino-americano de sua faixa etária.
Xadrez também passa a influenciar a rotina escolar
Os efeitos do esporte não ficaram restritos às competições. Maria Eduarda contou que o hábito de analisar posições e buscar diferentes respostas para um problema também aparecia em sua vida escolar.
Na matemática, por exemplo, dizia criar caminhos próprios para chegar às soluções. Para ela, o xadrez mantinha a mente constantemente trabalhando, característica que ajudava a explicar por que conseguia permanecer tanto tempo diante de uma partida sem perder o interesse.
A jovem também teve a oportunidade, em 2023, de jogar informalmente contra Luis Paulo Supi, um dos principais nomes do xadrez brasileiro. Ela perdeu a partida, mas relatou que as derrotas passaram a fazer parte do próprio processo de evolução.
Em vez de encarar cada revés apenas como um resultado negativo, Maria Eduarda dizia usar essas experiências para ganhar resistência e voltar às competições com novas referências. A lógica era semelhante à que a havia atraído quando ainda aprendia com o pai: quando uma estratégia deixa de funcionar, é preciso construir outra.
Menina quer transformar trajetória no xadrez em profissão
Aos 9 anos, Maria Eduarda já dizia saber que seus planos poderiam mudar com o tempo. Ainda assim, a intenção naquele momento era clara: queria continuar avançando no xadrez e tentar construir uma trajetória como jogadora profissional.
As competições também proporcionaram experiências fora do próprio tabuleiro. Viagens internacionais, contato com outras culturas e amizades com jovens enxadristas estrangeiros passaram a fazer parte de uma rotina iniciada poucos anos antes dentro de casa.
Ela também chamou atenção para a diferença entre a participação de meninos e meninas na modalidade. Maria Eduarda relatou episódios de provocações durante competições e afirmou que gostaria de ver mais mulheres entre os principais nomes do esporte.
Mesmo competindo em um ambiente majoritariamente masculino, dizia não evitar o confronto. A menina que aos 4 anos precisava que o pai lhe mostrasse como as peças se movimentavam já enfrentava adversários mais velhos, acumulava títulos e estabelecia novas metas antes mesmo de chegar à adolescência.
A trajetória de Maria Eduarda começou com uma pergunta simples ao pai diante de uma partida pela internet e, em poucos anos, atravessou campeonatos brasileiros, torneios no Uruguai e no Paraguai, liderança de ranking e títulos nacionais.
Você acredita que o contato com esportes como o xadrez ainda na infância pode revelar talentos que talvez nunca aparecessem dentro da sala de aula? Conte nos comentários o que mais chamou sua atenção na trajetória de Maria Eduarda.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

