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Aos 9 anos, menino decide colocar a própria coleção de carrinhos em leilão para ajudar bebê de 9 meses que precisava de tratamento de R$ 12 milhões, consegue arrecadar R$ 1,4 mil com a venda e, na hora de entregar os brinquedos, é surpreendido pela mulher que venceu a disputa

Aos 9 anos, menino decide colocar a própria coleção de carrinhos em leilão para ajudar bebê de 9 meses que precisava de tratamento de R$ 12 milhões, consegue arrecadar R$ 1,4 mil com a venda e, na hora de entregar os brinquedos, é surpreendido pela mulher que venceu a disputa

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Aos 9 anos, menino decide colocar a própria coleção de carrinhos em leilão para ajudar bebê de 9 meses que precisava de tratamento de R$ 12 milhões, consegue arrecadar R$ 1,4 mil com a venda e, na hora de entregar os brinquedos, é surpreendido pela mulher que venceu a disputa

Escrito por Geovane Souza

Publicado em 04/09/2026 às 16:37

Curiosidades

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Menino de 9 anos leiloa coleção de carrinhos para ajudar bebê com AME que precisava de tratamento de R$ 12 milhões e recebe os brinquedos de volta após a venda

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Bruno Mazzola abriu mão da coleção que reuniu durante a infância para participar da campanha por Anna Laura, diagnosticada com AME tipo 1 aos sete meses. O que começou com lance mínimo de R$ 500 terminou acima do valor estimado dos brinquedos e teve uma surpresa na hora da entrega. Anos depois, a história ganhou outro capítulo com a aplicação da terapia que mobilizou moradores de Santa Catarina.

Bruno Mazzola tinha 9 anos quando decidiu colocar em um leilão os 120 carrinhos que havia reunido ao longo da infância. O objetivo não era comprar uma coleção maior nem juntar dinheiro para si. O menino, morador de Nova Trento, em Santa Catarina, queria ajudar Anna Laura Orsi Batista, a Laurinha, irmã de um amigo e então com apenas nove meses.

A menina havia sido diagnosticada com Atrofia Muscular Espinhal, a AME tipo 1, e sua família iniciou em 2020 uma mobilização para tentar levantar cerca de R$ 12 milhões para o tratamento com a terapia gênica Zolgensma. Naquele momento, o preço elevado e a necessidade de acesso rápido ao medicamento colocaram diversas famílias brasileiras em campanhas semelhantes.

A decisão de Bruno chamou atenção porque envolvia justamente alguns de seus brinquedos preferidos. De acordo com reportagem publicada pelo O Município na época, a ideia surgiu enquanto a família conversava durante um jantar sobre maneiras de ajudar Laurinha.

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O pai, Jailson Mazzola, contou que o filho ficou sensibilizado com a situação da menina. Bruno estava disposto a ficar sem a própria coleção caso o dinheiro contribuísse para que ela recebesse o tratamento.

Coleção de 120 carrinhos entrou no leilão com lance inicial de R$ 500

Os aproximadamente 120 carrinhos, muitos deles da marca Hot Wheels, foram colocados à disposição em um leilão divulgado pela internet. O valor estimado da coleção girava em torno de R$ 1,4 mil, mas o lance inicial foi fixado em R$ 500 para estimular a participação.

O dinheiro não passaria pela família de Bruno. Segundo as informações divulgadas durante a campanha, a intenção era que o pagamento fosse destinado diretamente às contas utilizadas para arrecadar recursos para o tratamento de Anna Laura.

Os lances começaram a subir. Entre os participantes estava Altair Maria Bertolini, de 75 anos, moradora de Brusque, município a cerca de 30 quilômetros de Nova Trento.

Ela insistiu na disputa e acabou vencendo. Relatos publicados posteriormente por veículos catarinenses apontam que o valor final chegou a R$ 2,4 mil, acima da avaliação aproximada de R$ 1,4 mil atribuída aos brinquedos.

A Leouve, ao publicar a história em 19 de junho de 2020, informou que Bruno havia conseguido R$ 1,4 mil. Registros posteriores e mais detalhados, porém, indicaram que esse número correspondia ao valor aproximado da coleção, enquanto o pagamento feito pela vencedora terminou em R$ 2,4 mil.

Mulher de 75 anos vence a disputa, vai buscar os brinquedos e toma outra decisão

Mulher de 75 anos vence leilão dos carrinhos, paga pela coleção e decide devolver todos os brinquedos ao menino na hora da entrega

O fim do leilão ainda reservava uma surpresa.

Altair foi até a casa de Bruno para encontrar o menino e concluir a entrega. A vencedora havia conquistado legalmente os 120 carrinhos e poderia simplesmente levá-los embora.

Foi então que pediu para conhecer o quarto do garoto e ver a coleção reunida. Depois de entregar o dinheiro, Altair decidiu devolver todos os brinquedos a Bruno.

Segundo relato do pai reproduzido na época, a mulher disse que, em 75 anos, não havia presenciado uma iniciativa daquele tipo partindo de uma criança. Ela havia entrado no leilão decidida a colaborar com Anna Laura, mas também queria reconhecer a atitude do menino.

Bruno terminou, portanto, com os carrinhos de volta, enquanto os R$ 2,4 mil seguiram para a campanha.

A repercussão trouxe ainda outro efeito inesperado. Colecionadores de diferentes regiões começaram a mandar brinquedos para Bruno. Os registros da época divergem sobre a quantidade exata recebida posteriormente, mas apontam que mais de uma centena de novos carrinhos chegou ao menino depois que a história se espalhou.

Leilão aconteceu enquanto família corria contra o tempo para conseguir R$ 12 milhões

Quando Bruno decidiu participar da mobilização, Anna Laura tinha nove meses e havia recebido o diagnóstico de AME tipo 1 aos sete meses, segundo informações divulgadas pela família.

A doença está ligada a alterações genéticas que afetam a produção da proteína SMN, necessária para a sobrevivência dos neurônios motores. A perda progressiva desses neurônios pode provocar fraqueza muscular e comprometer movimentos, deglutição e respiração.

O medicamento buscado pela família era o onasemnogeno abeparvoveque, comercializado como Zolgensma, uma terapia gênica administrada em dose única.

Na época da campanha, em 2020, a terapia ainda estava cercada por dificuldades de acesso no Brasil e custava aproximadamente R$ 12 milhões, dependendo da cotação e dos custos envolvidos. Em julho daquele ano, o governo zerou o imposto de importação do medicamento. Pouco depois, em 17 de agosto de 2020, a Anvisa aprovou seu registro no país.

O leilão organizado por Bruno ocorreu antes dessa aprovação, em um momento em que famílias de crianças com AME realizavam vaquinhas, rifas, pedágios, leilões e outras ações para tentar alcançar valores de vários milhões de reais.

No dia em que a Leouve publicou a história, em 19 de junho de 2020, a vaquinha citada pelo veículo marcava aproximadamente R$ 169 mil. A mobilização, porém, continuou crescendo nos meses seguintes.

Nove meses de campanha levaram Anna Laura até a aplicação do Zolgensma

A história de Laurinha não terminou com as arrecadações de 2020.

Depois de meses de mobilização em Nova Trento, outras cidades catarinenses e nas redes sociais, a família conseguiu viabilizar a terapia. Anna Laura recebeu o Zolgensma em 8 de abril de 2021, quando estava com 1 ano e 7 meses.

A aplicação ocorreu em São Paulo. Conforme reportagem do Correio Catarinense publicada no dia seguinte, a menina passou por preparação hospitalar antes da infusão e apresentou uma reação durante o procedimento. A equipe médica interveio, estabilizou o quadro e retomou a administração da terapia de maneira mais lenta.

O tratamento não encerrou os cuidados. Anna Laura continuou acompanhada por profissionais de diferentes áreas e passou por fisioterapia respiratória e motora, terapia ocupacional, fonoaudiologia e outras atividades voltadas à manutenção e ao desenvolvimento de suas funções.

Em novembro de 2022, quando havia passado cerca de um ano e sete meses desde a aplicação, O Município informou que ela já conseguia rolar na cama, pegar objetos e sentar sozinha, movimentos que representavam uma mudança em relação ao período anterior ao tratamento.

Anos depois, Laurinha chegou à escola e passou a usar ventilação apenas enquanto dormia

Uma atualização publicada em 1º de agosto de 2024 mostrou onde aquela campanha iniciada quando Anna Laura ainda era bebê havia chegado.

Aos quase 5 anos, Laurinha continuava fazendo acompanhamento com fisioterapeutas, fonoaudiólogos e outros profissionais. Segundo a mãe, Ana Paula Orsi, a principal mudança observada após a terapia ocorreu na parte respiratória.

Naquele momento, Anna Laura utilizava ventilador apenas durante o sono e respirava sem o equipamento durante o restante do dia. A família também relatou avanços na fala, o que permitia à menina comunicar dores e outras necessidades com mais precisão.

Ela também havia começado a frequentar a escola. Por orientação médica, a rotina era adaptada, com frequência de três dias por semana e permanência reduzida, principalmente pelos cuidados relacionados à postura e à coluna.

O contexto de acesso ao tratamento também mudou desde aquele leilão de 2020. O Ministério da Saúde decidiu incorporar o Zolgensma ao SUS em dezembro de 2022 para pacientes que atendessem aos critérios estabelecidos. Em 2025, governo e fabricante firmaram o acordo necessário para a oferta do medicamento, e em 2026 o Ministério passou a manter uma área específica com orientações sobre o fluxo de solicitação da terapia gênica na rede pública.

Para Bruno, tudo começou de maneira bem mais simples: uma conversa durante o jantar e a decisão de colocar 120 carrinhos acumulados ao longo da infância à disposição de uma menina que precisava de ajuda.

E você, abriria mão de uma coleção construída durante anos para ajudar alguém que praticamente não conhecia?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

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