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Aos 90 anos, o japonês Toshisuke Kanazawa venceu a categoria acima de 85 anos do campeonato master de fitness em Hiroshima diante de seis adversários, setenta anos depois de ter competido pela primeira vez e quarenta depois de voltar de um intervalo de dezesseis anos longe da academia

Aos 90 anos, o japonês Toshisuke Kanazawa venceu a categoria acima de 85 anos do campeonato master de fitness em Hiroshima diante de seis adversários, setenta anos depois de ter competido pela primeira vez e quarenta depois de voltar de um intervalo de dezesseis anos longe da academia

6 min de leitura

Aos 90 anos, o japonês Toshisuke Kanazawa venceu a categoria acima de 85 anos do campeonato master de fitness em Hiroshima diante de seis adversários, setenta anos depois de ter competido pela primeira vez e quarenta depois de voltar de um intervalo de dezesseis anos longe da academia

Escrito por Jefferson Augusto

Publicado em 04/09/2026 às 18:24

Atualizado em 04/09/2026 às 18:25

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Competidor em pose sobre o palco de um campeonato de fisiculturismo. Imagem ilustrativa gerada por IA.

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A idade é o número que salta aos olhos. O que explica o resto é o buraco de dezesseis anos no meio do caminho.

Fisiculturismo é um esporte que costuma medir gente pela circunferência do braço. Em Hiroshima, no fim de agosto, ele mediu também o calendário: um homem de 90 anos subiu ao palco do campeonato japonês master de fitness e venceu a categoria acima de 85 anos, segundo a emissora pública NHK.

Toshisuke Kanazawa mora na própria cidade em que competiu. Ele enfrentou seis adversários na faixa, apresentou a rotina livre de um minuto exigida pelo regulamento e levou o que foi contabilizado como o décimo sétimo título nacional da carreira, conforme a mesma cobertura.

A conta que quase ninguém faz

A idade é o dado que salta aos olhos e é o menos interessante da história. O número que explica o resto é o intervalo: ele começou a competir aos 20 anos, encerrou a carreira aos 34 e passou dezesseis anos sem pisar numa academia, segundo o relato reproduzido sobre a trajetória dele.

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Entre a primeira competição e a de agosto se passaram setenta anos, com um buraco de dezesseis no meio. Não é uma trajetória contínua de quem nunca parou. É uma volta, e volta é uma categoria completamente diferente de proeza. Trajetórias longas assim aparecem em outros esportes, como no caso já noticiado do homem de 80 anos que completou uma prova de 217 quilômetros em quase 50 graus.

Por que ele voltou aos cinquenta

O motivo do retorno não foi competição nem saudade de palco. Segundo o relato do próprio atleta, ele voltou a treinar pesado por volta dos cinquenta anos para servir de exemplo à mulher e convencê-la a cuidar da saúde.

Quem volta à musculação nessa idade costuma parar em poucos meses. Ele ficou. São quarenta anos seguidos desde então, e é esse trecho, não a estreia lá atrás, que sustenta o corpo que apareceu no palco.

Dezesseis anos parado cobram caro

Massa muscular não fica guardada esperando o dono voltar. Ela some por desuso, e some mais rápido depois dos trinta, quando a perda passa a acontecer mesmo em quem está saudável e ativo.

Por isso a parte impressionante do caso não é a idade atual, é ter recuperado alguma coisa depois de tanto tempo parado e ter mantido a recuperação por quatro décadas seguidas.

Três horas por dia

A rotina descrita é de três horas diárias de academia, segundo o material divulgado sobre ele. Não é treino de manutenção de quem só quer se mexer, é volume de atleta em atividade.

Três horas por dia significam que a maior parte do tempo acordado gira em torno do treino, do intervalo entre séries e da recuperação. É uma rotina que raramente sobra depois dos oitenta, e ele a mantém aos noventa.

O prato que contraria o manual

A alimentação descrita não tem carne nem peixe. É arroz integral, soja fermentada, ovos e sopa de missô, conforme o que foi divulgado sobre a rotina dele. Ele também parou de fumar e de beber.

Isso contraria o cardápio clássico do meio, que gira em torno de frango e peixe em grandes quantidades. A proteína ali vem da soja e do ovo, e ainda assim sustentou décadas de treino pesado.

O que um minuto de pose cobra do corpo

A rotina livre de um minuto parece pouco e não é. Posar é contração isométrica próxima do máximo, em sequência e sem intervalo, com o competidor obrigado a controlar a respiração e a manter o rosto solto enquanto tudo o mais está travado.

Atleta jovem termina esse minuto tremendo. O mérito da categoria dos mais velhos não está em levantar mais peso do que ninguém, está em aguentar a sequência inteira de pé e sob controle. Rotinas de esforço extremo mantidas por horas aparecem em outros contextos, como no caso já noticiado da brasileira que treinou kung fu na China em jornadas de até seis horas por dia.

A faixa acima de 85 anos existe porque tem gente para preencher

O campeonato reuniu cerca de 200 atletas divididos em 13 faixas etárias, que iam dos 41 aos 90 anos, segundo os números divulgados sobre o evento. A faixa mais velha teve sete competidores, contando com ele.

Categoria não nasce de gentileza da organização, nasce de demanda. Uma faixa acima dos oitenta e cinco só entra em regulamento quando aparece competidor suficiente para disputá-la, e isso é um retrato direto do país mais envelhecido do mundo.

O que o treino preserva e o que ele não impede

Treino de força não congela o relógio. Ele preserva massa, densidade óssea e equilíbrio, que são exatamente os três itens cuja perda transforma uma queda banal em fratura de fêmur depois dos setenta.

O próprio atleta reconhece o limite. Segundo declaração dele reproduzida na cobertura, as rugas aumentam e a força diminui todo ano, e superar isso com esforço é o que ele chama de jeito de viver.

Décimo sétimo título, e o que esse número junta

A contagem de dezessete títulos nacionais soma duas coisas diferentes, segundo o levantamento divulgado: quinze conquistas na categoria master e duas no campeonato japonês aberto, essas últimas na juventude.

Vale separar as duas metades porque elas medem coisas distintas. As de juventude foram disputadas contra o auge alheio. As de agora são disputadas contra o próprio tempo.

Por que o Japão vira laboratório disso

O país tem a maior proporção de idosos do planeta e um sistema de saúde que paga caro por internação de fratura e por perda de autonomia. Programa de exercício para idoso ali não é discurso de bem-estar, é contenção de despesa.

Competição master funciona como vitrine desse esforço. Ela não existe para produzir campeões, existe para mostrar que continuar treinando é possível depois dos oitenta, e é assim que a imprensa local costuma tratar o assunto.

O detalhe que separa exceção de exemplo

Nem todo mundo aos noventa consegue treinar três horas por dia, e tratar o caso como manual de instrução seria desonesto. Genética, histórico de lesão e doença crônica mudam completamente o que é possível.

O que é transferível não é a carga nem o volume. É a ideia de que voltar depois de anos parado ainda muda o desfecho, mesmo quando a volta acontece na quinta década de vida. Retomar tarde é um padrão que aparece em outras áreas, como no caso já noticiado do engenheiro que voltou à universidade aos 79 anos e passou num segundo curso.

O que não foi divulgado

A cobertura não informa peso, altura, cargas de treino nem quais exercícios ele faz. Também não há informação sobre acompanhamento médico, uso de suplemento ou histórico de lesão ao longo dos quarenta anos de retorno.

São justamente os dados que permitiriam medir o caso em vez de admirá-lo. Sem eles, o que existe é um resultado de competição e uma rotina descrita por ele mesmo.

Como terminou

Ele venceu a faixa acima de 85 anos, subiu ao lugar mais alto do pódio da categoria e disse que pretende continuar, segundo a cobertura do campeonato. A meta que ele repete há anos é chegar aos cem em pé e saudável.

Um homem que parou de competir quando tinha pouco mais de trinta voltou ao palco meio século depois. O intervalo no meio da história é o que a torna diferente de todas as outras.

Fonte

NHK World, cobertura do Campeonato Japonês Master de Fitness em Hiroshima


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Jefferson Augusto.

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