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Aos 99 anos, idosa começa a brincar pela cerca com o menino de 2 anos da casa ao lado, inventa o jogo “bola de bengala”, entrega ao pequeno os caminhões de brinquedo guardados desde a morte do filho e comemora o centésimo aniversário ao lado daquele que passou a considerar seu neto mais próximo
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 07/09/2026 às 11:42
Atualizado em 07/09/2026 às 11:43
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Mary O’Neill, de 99 anos, criou durante a pandemia uma amizade diária com Benjamin Olson, de 2, em Minneapolis. Separados inicialmente por uma cerca, inventaram o jogo bola de bengala. Ela também lhe deu caminhões do filho falecido e passou a considerar o menino seu neto mais próximo na vizinhança.
Mary O’Neill, de 99 anos, e Benjamin Olson, de apenas 2, transformaram a cerca que separava suas casas em Minneapolis, nos Estados Unidos, no ponto de encontro de uma amizade construída durante a pandemia. Os dois passaram a conversar, brincar com bolas e bolhas de sabão e permanecer juntos por horas, apesar dos quase 100 anos de diferença entre suas idades.
Segundo reportagem do The Washington Post, publicada em 28 de julho de 2021 e assinada por Sydney Page, a aproximação se intensificou durante o isolamento social. Mary morava sozinha, enquanto Benjamin vivia na casa vizinha com os pais e o irmão mais novo, Noah.
Amizade ganhou força durante o isolamento de 2020
Mary e a família Olson já eram vizinhos havia 12 anos, mas o contato se tornou muito mais frequente durante a quarentena.
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Paulo Nogueira
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Em maio de 2020, com as duas famílias passando mais tempo em casa, Mary começou a permanecer no quintal para tomar ar fresco. Do outro lado da cerca, Benjamin e sua família faziam o mesmo.
Benjamin se tornou o primeiro amigo do menino durante a pandemia
Sarah Olson, mãe de Benjamin, contou que a aproximação ocorreu rapidamente.
Segundo ela, em poucas semanas Mary se tornou o primeiro amigo do filho, que naquele período praticamente não tinha contato com outras pessoas fora de casa.
Sarah afirmou que a família se sentia privilegiada por ter Mary como vizinha e como alguém que Benjamin podia procurar diariamente.
Conversas começaram com acenos e balbucios
A diferença de idade nunca impediu que os dois encontrassem uma forma própria de se comunicar.
Mary falava, enquanto Benjamin, ainda muito pequeno, respondia inicialmente com acenos de cabeça e balbucios.
O contato cotidiano acabou criando um vínculo que, segundo ela, surgiu naturalmente.
Encontros começavam por volta das 10h e podiam durar horas
A rotina dos dois ganhou horário quase certo.
A partir das 10h, Mary e Benjamin costumavam passar várias horas juntos, muitas vezes sentados lado a lado nos degraus da varanda.
Entre as atividades estavam risadas, conversas e bolhas de sabão.
Cerca virou espaço para o jogo “bola de bengala”
Uma das brincadeiras nasceu justamente por causa do distanciamento necessário durante a pandemia.
Benjamin jogou uma bola em direção à cerca, e Mary usou sua bengala para alcançá-la e devolver a bola ao menino.
A brincadeira passou a ser chamada de “bola de bengala”.
Cada um permaneceu de um lado da cerca nos primeiros meses
No começo da amizade, Mary e Benjamin evitavam aproximação física.
Ela permanecia em seu quintal, enquanto o menino ficava do outro lado da divisão entre as propriedades.
Sarah explicou que a família mantinha distância por preocupação com a saúde de todos durante a pandemia.
Vacinação permitiu maior aproximação entre os dois
Com o passar dos meses e a chegada de temperaturas mais altas, os encontros se tornaram ainda mais frequentes.
Depois da vacinação, Sarah contou que a interação pôde ficar mais próxima.
Mary passou inclusive a cumprimentar Benjamin com toques de mão.
Mary morava sozinha desde a morte do marido
A amizade também ganhou peso na rotina de Mary porque ela vivia sozinha.
O marido havia morrido 37 anos antes, e grande parte de seus familiares morava fora do estado.
Mary tinha dois filhos, quatro netos e seis bisnetos.
Isolamento teria sido muito mais solitário sem Benjamin
Mary afirmou que estava acostumada à própria companhia e mantinha hobbies em casa.
Ela jogava Yahtzee eletrônico, assistia a programas de televisão e colecionava itens ligados a borboletas.
Mesmo assim, disse que os meses de isolamento teriam sido muito mais solitários sem Benjamin e que esperava diariamente pelo momento de brincar com ele.
Caminhões guardados no porão haviam pertencido ao filho de Mary
Na primavera de 2021, Mary decidiu entregar a Benjamin uma coleção que carregava forte significado familiar.
Os caminhões de brinquedo haviam pertencido ao filho dela e estavam guardados no porão.
O filho de Mary morreu aos 53 anos, segundo seu relato.
Mary decidiu entregar brinquedos porque Benjamin adorava caminhões
Os brinquedos permaneceram guardados durante anos até que a vizinha percebeu o interesse do menino.
Mary contou que sabia o quanto Benjamin gostava de caminhões e decidiu que queria que ele ficasse com a coleção.
Sarah Olson descreveu aquele momento como um dia marcante, já que os objetos preservados por tanto tempo passaram a ser usados por uma criança que gostava exatamente daquele tipo de brinquedo.
Benjamin retribuía levando terra e folhas para a amiga
Os presentes do menino eram bem mais simples.
Benjamin passou a chegar à porta de Mary com pequenos punhados de terra nas mãos e entregá-los a ela.
Em outras ocasiões, levava uma folha. Mary valorizava os objetos e, principalmente, a presença do menino.
Menino passou a chamar Mary de “Mimi”
Com o desenvolvimento da fala, Benjamin começou a usar mais palavras.
Entre elas apareceu sua própria forma de pronunciar o nome da vizinha: “Mimi”.
Sarah contou que o filho estava constantemente procurando por Mimi.
Mary acompanhava dentes, palavras e até o jeito de caminhar
A proximidade fez Mary acompanhar detalhes do desenvolvimento de Benjamin.
Ela mantinha registros dos novos dentes, das palavras que ele aprendia e, quando era menor, da evolução de sua caminhada.
Esse acompanhamento ajudava a mostrar o espaço que o menino passou a ocupar em sua rotina.
“Ele é o mais próximo que tenho de um neto por aqui”
Mary tinha netos e bisnetos, mas a maioria da família vivia longe.
Ao falar sobre Benjamin, resumiu a relação dizendo que ele era “o mais próximo que tenho de um neto por aqui”.
A convivência diária fez com que o menino se tornasse sua companhia familiar mais próxima na vizinhança.
Creche reduziu encontros, mas família manteve visitas diárias
Benjamin começou a frequentar uma creche cerca de seis semanas antes da publicação da reportagem.
Ele ia ao local três dias por semana, o que diminuiu parte do tempo disponível durante o dia.
Mary contou que sentia falta dele, mas continuava encontrando o menino à noite depois que ele voltava para casa.
Família planejava estar com Mary na celebração dos 100 anos
Na época da reportagem, Mary estava perto de completar 100 anos em dezembro.
Ela planejava realizar uma festa antecipada em agosto para celebrar a ocasião, e Benjamin e sua família estavam entre os convidados previstos para participar.
Mary dizia não se sentir com 100 anos e via a amizade com o menino como prova de que a idade não precisava determinar uma relação.
Amizade continuava diária apesar de quase um século de diferença
Mary e Benjamin continuavam procurando um ao outro todos os dias, mesmo depois que a rotina do menino passou a incluir a creche.
Aos 99 anos, Mary acompanhava o crescimento do vizinho, brincava com ele, guardava seus pequenos presentes e havia entregue ao menino os caminhões que pertenceram ao próprio filho.
Ao resumir a ligação construída entre os dois, Mary disse que, apesar das décadas que os separavam, “nós pertencemos um ao outro”.
Na sua opinião, o que mais chama atenção nessa amizade: os quase 100 anos de diferença entre Mary e Benjamin, o jogo criado através da cerca ou a decisão de entregar ao menino os caminhões que pertenciam ao filho dela? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

