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Após 3 vistorias, casarão desaba sobre mãe e filha de 2 anos no Rio
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 21/09/2026 às 00:51
Atualizado em 21/09/2026 às 00:52
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Uma câmera de segurança no Cosme Velho registrou a mãe empurrando o carrinho da filha pelo corredor de uma vila até a calçada, segundos antes de parte de um casarão abandonado ruir sobre as duas, num imóvel que, segundo a prefeitura, a Defesa Civil já tinha vistoriado três vezes e interditado
A câmera fica no alto do corredor de uma vila no Cosme Velho, ao lado de um casarão abandonado. Na manhã de sábado, 19 de setembro de 2026, uma mulher de vestido claro caminha de costas para a lente, empurrando um carrinho de bebê até a saída para a rua.
Ela chega ao portão, dobra na direção da calçada e some do quadro. Poucos segundos depois, uma nuvem de poeira cor de tijolo toma a boca do corredor, e a imagem treme. Era parte do segundo andar do casarão vizinho caindo sobre as duas, mostram as imagens exibidas pelo g1.
A mulher tem 43 anos, e a filha, 2. As duas foram socorridas pelo Corpo de Bombeiros, levadas ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, e depois transferidas para um hospital particular, onde estavam em estado estável, informou o g1, que publicou o vídeo da câmera.
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O que caiu do casarão do Cosme Velho
A parte que desabou pertence ao prédio onde funcionou uma padaria por 54 anos, até fechar em 2021, relatou o g1. Desde então a loja está abandonada, colada a um casarão que já abrigou moradias compartilhadas e hoje está vazio.
Mãe e filha saíam de casa pelo corredor de acesso à vila, que corre rente ao imóvel. O entulho de tijolo e madeira cobriu a calçada e parte da pista da Rua Cosme Velho, na Zona Sul do Rio, como mostram as fotos dos Bombeiros divulgadas pelo g1.
Três vistorias antes de o casarão cair
Segundo a Prefeitura do Rio, o casarão já tinha passado por três vistorias da Defesa Civil, feitas para atender a um pedido de moradores, e o proprietário tinha sido intimado a recuperar o imóvel, inclusive a fachada.
A prefeitura afirmou ainda ao g1 que o casarão já estava interditado quando desabou. O vídeo da câmera mostra que a calçada em frente ao imóvel seguia sendo o caminho de saída de quem mora na vila.
O pedido no 1746 aberto em dezembro
Depois do desabamento, moradores mostraram à equipe da TV Globo, em reportagem publicada pelo g1, o protocolo que tinham aberto no 1746, o canal de atendimento da prefeitura. O pedido tem data de 9 de dezembro de 2025 e um serviço com nome direto: vistoria em ameaça de desabamento de estrutura.
Segundo os moradores ouvidos pelo g1, nada de efetivo foi feito depois disso. O empresário Luiz Eduardo Pires Muniz de Carvalho, vizinho do casarão, descreveu ao g1 a única medida que viu na calçada:
“A única atitude que tiveram foi botar uma faixinha dessas que não protege nada, numa calçada de 20 centímetros e uma fachada de mais de 9 metros de altura.”
A mesma fachada já tinha ferido alguém em 2024
Não foi a primeira vez. Em 2024, um pedaço da fachada do mesmo imóvel se soltou e caiu na cabeça de uma funcionária pública que passava pela calçada, contou o g1. Ela sofreu um corte profundo e fratura no nariz.
Um vizinho disse ao g1 que os moradores não conseguiram localizar os responsáveis pelo imóvel, e que por isso o caso ficou parado enquanto tentavam um contato. Os pedidos para que a Defesa Civil interditasse o casarão, segundo os moradores, vinham sendo feitos pelo menos desde 2025.
O que a Defesa Civil fez no sábado
Depois do desabamento, a Defesa Civil municipal interditou o casarão de dois andares e também o imóvel ao lado, que precisou ser isolado, informou a Prefeitura do Rio. De acordo com o órgão, o segundo andar de cada um dos dois prédios precisaria ser demolido.
A Secretaria Municipal de Conservação fez a demolição, e a Comlurb recolheu os escombros, detalhou a prefeitura. Paralelamente, a Polícia Civil passou a investigar as causas do desabamento, mostrou o telejornal RJ2 em vídeo publicado pelo g1.
O prefeito diz que a conta do casarão é do dono
O prefeito Eduardo Cavaliere foi ao Cosme Velho no mesmo dia. Ele afirmou ao g1 que a responsabilidade de manter e reformar imóveis históricos é dos proprietários, e que os donos daquele casarão já tinham sido notificados para fazer obras emergenciais.
“Precisamos evitar cenas como a de hoje, causadas pela falta de preservação e de responsabilidade dos proprietários”, disse Cavaliere na nota oficial da prefeitura. As causas da queda seguem sob investigação da Polícia Civil.
Desapropriação e leilão prometidos para esta segunda
Cavaliere anunciou que vai desapropriar o terreno do imóvel que desabou e levá-lo a leilão público, para que ganhe um novo uso, segundo a Prefeitura do Rio. Os decretos, disse ele, sairiam no Diário Oficial de segunda-feira, 21 de setembro.
A lista do primeiro bloco inclui a Casa Portinari, do outro lado da rua, onde viveu o pintor Candido Portinari, e o Solar dos Abacaxis, também no bairro, informou a prefeitura. O prefeito prometeu ainda uma nova leva de desapropriações no Centro Histórico.
Esta redação consultou o portal do Diário Oficial do Rio na madrugada de segunda-feira, e a edição mais recente listada era a de sexta-feira, 18. Por enquanto, a desapropriação é um anúncio.
Mais de 4 mil imóveis degradados só no Centro
Na mesma nota, a Prefeitura do Rio informou que as secretarias de Desenvolvimento Econômico e de Desenvolvimento Urbano mapearam mais de 4 mil imóveis degradados apenas na região central da cidade.
Para parte deles existe o projeto Reviver Centro Patrimônio, que desapropria prédios abandonados e os leva a leilão, explica a prefeitura. No mês passado, os 11 primeiros imóveis históricos da Rua do Teatro foram entregues aos arrematantes, que vão recuperá-los com subsídio do município.
Quem é obrigado a vistoriar um prédio no Rio
A Lei Complementar 126, de 2013, publicada pela Prefeitura do Rio no portal de autovistoria, obriga os prédios da cidade a passar por vistoria técnica pelo menos a cada cinco anos.
- Quem responde: o condomínio, o proprietário ou o ocupante do imóvel.
- Quem está fora: casas de uma ou duas famílias, e prédios com habite-se de menos de cinco anos.
- Quem assina: engenheiro ou arquiteto registrado no conselho, com laudo e anotação de responsabilidade técnica.
- Se o laudo reprovar: ele lista as obras e o prazo, e o dono tem que fazer tudo e avisar a prefeitura on-line.
Quem ignora a regra é notificado e tem 30 dias para cumprir, determina a lei. Depois vem multa mensal de cinco VR ou VC, o valor unitário padrão que a prefeitura usa no cálculo do IPTU, renovada enquanto a pendência durar e limitada ao valor venal do prédio.
O artigo 5 prevê multa também para quem simplesmente deixa a edificação sem condições de estabilidade e segurança, mostra o texto da lei. Para o engenheiro que mentir ou omitir informação no laudo, a punição é de R$ 5 mil.
Os sinais que dá para ver da calçada
A cartilha de autovistoria da prefeitura, feita com o Secovi Rio, afirma que rachaduras, vazamentos e infiltrações são avisos de um prédio doente, e que “uma rachadura pequena pode estar escondendo um grande dano”. A corrosão, diz o texto, pode avançar rápido.
Com base nessa cartilha, esta redação montou uma lista do que qualquer pessoa consegue observar na fachada de um prédio antigo do próprio bairro:
- reboco estufado ou descolando da parede;
- rachadura que cresce de um mês para o outro;
- mancha de infiltração escorrendo pela fachada;
- planta crescendo no telhado ou nas frestas.
Quem vê um desses sinais num prédio vizinho pode registrar no 1746, como fizeram os moradores da vila em dezembro de 2025, relatou o g1. A cartilha recomenda que qualquer avaliação da estrutura passe por um engenheiro, e não por curiosos.
O casarão depois da queda
As imagens da TV mostram o que sobrou do segundo andar do casarão: uma parede solta contra o céu, sem telhado, entre os prédios altos do bairro, registrou o g1. Mãe e filha foram transferidas para um hospital particular, e os decretos de desapropriação ainda precisam sair no Diário Oficial.
Assista o vídeo
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

