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Após 30 anos em zoológico e um longo período sem companhia da própria espécie, elefanta de 34 anos enfrenta viagem de mais de 1,9 mil km pelo Brasil, chega a santuário em Mato Grosso e começa a redescobrir a vida em grupo, com liberdade para escolher quando se aproximar e criar laços com novas “amigas”
Escrito por Ana Alice
Publicado em 17/09/2026 às 21:27
Atualizado em 17/09/2026 às 21:28
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Três meses após chegar a Mato Grosso, Baby começou a avançar na convivência com outras elefantas, aprendendo a interpretar sinais, respeitar limites e dividir espaços depois de décadas em cativeiro.
Três meses depois de chegar ao Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães (MT), a elefanta asiática Baby começou uma etapa que vai além da adaptação ao novo ambiente: aprender a interpretar sinais, estabelecer limites e construir relações com outras elefantas.
Aos 34 anos, ela passou décadas em ambientes de cativeiro antes da transferência para Mato Grosso. Agora, vive uma rotina em que pode escolher quando se aproximar das companheiras e quando prefere manter distância.
A aproximação ganhou um novo capítulo em 17 de setembro de 2026. Depois de vários contatos separados por cercas, Baby e Guillermina, conhecida como Guille, passaram pela primeira vez a dividir o mesmo recinto.
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As duas circularam uma em torno da outra, fizeram pausas e chegaram a entrelaçar as trombas durante uma interação descrita pela equipe como uma brincadeira.
Segundo o Santuário de Elefantes Brasil, Baby ainda está descobrindo como se posicionar diante do grupo e interpretar as respostas das novas companheiras. Esse aprendizado acontece gradualmente e depende da possibilidade de cada animal decidir se deseja continuar uma interação ou se afastar.
Baby chegou ao santuário depois de viagem de quase 2 mil quilômetros
Baby chegou ao Santuário de Elefantes Brasil em 20 de junho de 2026, depois de deixar o Beto Carrero World, em Penha, Santa Catarina.
A viagem até Chapada dos Guimarães teve aproximadamente 1.927 quilômetros e foi realizada em uma estrutura preparada especificamente para o transporte do animal.
Baby nasceu em cativeiro no Busch Gardens, na Flórida, nos Estados Unidos. Ainda jovem, foi vendida para um circo e, posteriormente, transferida para o parque catarinense, onde permaneceu durante grande parte da vida.
Antes da mudança para Mato Grosso, a equipe trabalhou para que ela entrasse voluntariamente na caixa de transporte. Durante o percurso, o compartimento foi acompanhado por câmeras, com paradas para alimentação, água, limpeza e monitoramento das condições da elefanta.
Depois de chegar ao santuário, Baby levou menos de cinco minutos para sair da estrutura de transporte.
Nos primeiros momentos, começou a explorar o ambiente, alimentou-se de palmeiras e frutas, tomou banho e se cobriu de terra.
Primeiros encontros aconteceram através das cercas
A socialização não começou com todas as elefantas juntas no mesmo recinto.
Durante as primeiras semanas, Baby permaneceu em áreas próximas às utilizadas pelas outras moradoras. As cercas permitiam que elas se vissem, sentissem cheiros e se aproximassem sem obrigar nenhuma delas a permanecer perto da outra.
Os contatos mais claros começaram no início de setembro.
Em 9 de setembro, Baby teve uma aproximação mais direta com Guille, Maia e Bambi. A equipe acompanhava o comportamento das elefantas antes de permitir que se aproximassem das divisões entre os recintos.
Nos dias seguintes, pequenos sinais de comunicação passaram a receber atenção especial.
Baby demonstrava bastante energia e, em algumas situações, a intensidade das aproximações parecia deixar as outras elefantas mais cautelosas.
Para o santuário, esse comportamento faz parte do processo de adaptação. A proposta é permitir que os animais experimentem diferentes formas de contato sem serem obrigados a permanecer juntos.
Uma vocalização fez Baby entender o limite de Guille
Uma das situações observadas pela equipe envolveu diretamente Guille.
Durante uma aproximação, a elefanta demonstrou insegurança e vocalizou. Baby então recuou.
Segundo o santuário, esse movimento indicou que Baby percebeu a reação da companheira e respondeu ao limite apresentado naquele momento.
Esse tipo de comunicação é importante porque ela precisa reconhecer não apenas quando outra elefanta aceita uma aproximação, mas também quando é melhor manter distância.
Baby também está começando a compreender que pode interromper uma interação por conta própria.
A possibilidade de se afastar é parte do modelo de manejo adotado pelo santuário. Os recintos são organizados para permitir escolhas de espaço e contato, em vez de manter os animais próximos de forma permanente.
Rana e Mara também passaram a se aproximar
A socialização se ampliou nos dias seguintes.
Em 14 de setembro, Baby teve contato mais próximo com Rana e Mara. As três permaneceram em áreas vizinhas enquanto se alimentavam e, mais tarde, ficaram próximas de uma mesma cerca.
O encontro ocorreu sem contato físico.
Mara ficou de frente para Baby, enquanto Rana permaneceu de lado. As três passaram algum tempo simplesmente compartilhando aquele espaço antes de Baby seguir em direção ao galpão.
Para a equipe, momentos tranquilos como esse também fazem parte da construção das relações.
Nem toda interação entre elefantes envolve toque, brincadeiras ou vocalizações intensas. Em alguns casos, permanecer próximo sem demonstrar tensão já ajuda os animais a compreender como cada indivíduo reage.
Assista o vídeo
Baby e Guille dividiram o mesmo recinto pela primeira vez
O avanço mais evidente aconteceu em 17 de setembro.
Depois de alguns dias de contato através da cerca, a equipe avaliou que Baby e Guille apresentavam condições para compartilhar um recinto.
As duas começaram tocando uma à outra através da divisão. Quando o portão foi aberto, aproximaram-se, mas não iniciaram imediatamente uma interação física mais intensa.
Baby circulou Guille, enquanto a companheira recuou alguns passos. Quando a energia aumentou, Baby se afastou rapidamente e entrou em uma área adjacente.
Pouco depois, voltou.
Na nova aproximação, as duas permaneceram mais relaxadas e acabaram brincando com as trombas, comportamento descrito pela equipe como uma espécie de disputa ou brincadeira de entrelaçamento.
Também houve períodos em que permaneceram calmamente lado a lado.
Um dos pontos observados pelo santuário foi que ambas fizeram pausas quando pareceram precisar.
Guille, de 27 anos, possui experiências anteriores de convivência com outras elefantas, enquanto Baby ainda está ampliando sua capacidade de interpretar os sinais das novas companheiras.
Assista o vídeo
Baby já havia convivido com outras elefantas
A trajetória de Baby não significa que ela tenha passado toda a vida sem contato com outros animais da mesma espécie.
Durante o período no Beto Carrero World, ela viveu com outras duas elefantas.
Segundo o histórico divulgado pelo santuário, Baby mantinha uma relação próxima com uma delas e uma convivência mais distante com a outra.
As duas morreram posteriormente, deixando-a sem companhia de outro elefante naquele ambiente.
Esse histórico ajuda a contextualizar o processo atual.
A equipe do santuário evita definir antecipadamente qual será a posição de Baby dentro do grupo ou quais elefantas poderão se tornar suas companheiras mais próximas.
As relações são observadas conforme se desenvolvem.
Santuário abriga seis elefantas asiáticas
Até 17 de setembro de 2026, o Santuário de Elefantes Brasil mantinha seis moradoras: Maia, Rana, Mara, Bambi, Guillermina e Baby, todas elefantas asiáticas.
A organização sem fins lucrativos está localizada em Chapada dos Guimarães e recebe animais que passaram por circos e zoológicos.
O espaço possui grandes recintos, vegetação, áreas de lama e água, além de acompanhamento veterinário e cuidados individualizados.
No caso de Baby, o santuário também acompanha questões de saúde identificadas antes e depois da chegada.
A organização relata histórico de cólicas, atenção especial às patas e exames que indicaram a necessidade de acompanhar a função de alguns órgãos.
Outro comportamento observado foi o balanço repetitivo do corpo. Segundo a instituição, esse padrão diminuiu desde a chegada de Baby ao santuário, embora continue sendo monitorado.
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Sandro também deixou zoológico rumo ao santuário
Outra mudança importante começou praticamente ao mesmo tempo.
O elefante asiático Sandro, que viveu por mais de quatro décadas no Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP), deixou a cidade em 16 de setembro com destino ao mesmo santuário.
A transferência havia sido preparada anteriormente e, em 17 de setembro, Sandro já estava em viagem para Mato Grosso.
O percurso tinha aproximadamente 1.600 quilômetros, com acompanhamento de equipe especializada e apoio da Polícia Rodoviária Federal em parte do caminho.
A chegada a Chapada dos Guimarães estava prevista para 18 de setembro.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

