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Após 4350 anos, tumba misteriosa é descoberta no Egito com uma porta falsa que não levava a lugar algum, mas simbolizava a passagem do espírito entre o mundo dos vivos e dos mortos
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 11/09/2026 às 16:23
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Estrutura preservada na capela funerária de Sekhentiu-Ptah fazia parte de rituais ligados à vida após a morte. Inscrições identificaram os cargos do alto funcionário, enquanto poços próximos revelaram restos humanos, estatuetas funerárias, sarcófagos lacrados e outros objetos.
Arqueólogos egípcios identificaram em Saqqara a tumba de Sekhentiu-Ptah, um alto funcionário do Império Antigo. Na capela funerária, havia uma estrutura sem passagem física: uma porta falsa associada à comunicação ritual entre o falecido e o mundo dos vivos.
Na religião funerária do Egito Antigo, esse tipo de elemento arquitetônico representava um ponto simbólico de contato com o além. Acreditava-se que o espírito do morto poderia se manifestar por esse espaço e receber as oferendas deixadas em sua homenagem.
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Paulo Nogueira
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A descoberta foi anunciada por uma missão arqueológica egípcia que trabalha no Setor A, a oeste do Bubasteion, em Saqqara. O Serviço de Informação do Estado do Egito informou que as escavações também revelaram uma rede interligada de poços funerários com sepultamentos e diferentes artefatos.
Os trabalhos envolveram escavação estratigráfica, documentação arquitetônica e fotográfica, digitalização de achados e estudos arqueológicos e linguísticos. O conjunto permite examinar tanto a estrutura da tumba quanto as diferentes fases de ocupação funerária daquela área da necrópole.
Porta falsa concentrava rituais e oferendas
A porta falsa permaneceu em sua posição original na capela de Sekhentiu-Ptah. Diante dela, os arqueólogos encontraram objetos de alabastro associados às práticas funerárias, entre eles uma mesa de oferendas, uma bacia de purificação, um jarro e outros recipientes com inscrições hieroglíficas.
A estrutura não escondia uma passagem, não servia de acesso à tumba e tampouco funcionava como recurso contra saqueadores. Seu significado era religioso: ela marcava um ponto simbólico diante do qual eram realizados rituais e deixadas oferendas ao morto.
As inscrições na porta e nos objetos permitiram identificar Sekhentiu-Ptah e reconstruir parte de sua trajetória na administração real. Ele aparece com títulos de camareiro real, supervisor das obras do rei, supervisor dos documentos reais, sacerdote da deusa Maat e supervisor dos escribas.
Entre as funções atribuídas ao alto funcionário estava a de guardião dos segredos das ordens reais. A egiptóloga Ann Macy Roth, da Universidade de Nova York, explicou ao Live Science, em informação reproduzida pela Deutsche Welle, que o título era usado entre escribas ligados à corte e provavelmente indicava acesso a documentos confidenciais.
Os títulos funerários registram funções diretamente ligadas à corte, à documentação real e à supervisão de obras. Em vez de indicar um papel misterioso, a expressão relacionada aos segredos provavelmente descrevia uma responsabilidade administrativa de alguém que lidava com informações reservadas.
Roth relacionou as características arquitetônicas da tumba ao fim da 5ª dinastia e ao começo da 6ª dinastia. A estimativa situa a construção em torno de 4.350 anos atrás, dentro do Império Antigo, período em que práticas religiosas relacionadas à vida após a morte já estavam estabelecidas no Egito.
Poços próximos guardavam outros sepultamentos
A tumba de Sekhentiu-Ptah não foi o único achado da escavação. Nos poços funerários próximos, a equipe localizou restos humanos, grandes quantidades de cartonagem funerária colorida, mais de cem ushabtis de faiança, três sarcófagos de pedra ainda lacrados e uma escultura de madeira em forma de falcão.
Os três sarcófagos permaneciam lacrados desde a Antiguidade. Os ushabtis eram pequenas figuras colocadas em sepultamentos para acompanhar o morto no além.
Como a região foi reutilizada em diferentes períodos, os materiais encontrados nos poços não podem ser automaticamente associados ao alto funcionário identificado na capela. Parte dos objetos pode ter pertencido a pessoas sepultadas ali posteriormente.
A própria múmia de Sekhentiu-Ptah não foi identificada entre os materiais divulgados. Roth considera possível que o espaço tenha recebido novos sepultamentos depois do enterro original, hipótese compatível com a presença de objetos pertencentes a diferentes fases de utilização da área.
Essa reutilização faz parte da longa história funerária de Saqqara, necrópole de Mênfis que recebeu monumentos e sepultamentos em diferentes períodos da história egípcia. A continuidade de uso ajuda a explicar a presença, numa mesma região, de estruturas e objetos produzidos em épocas distintas.
Entre os monumentos mais conhecidos de Saqqara está a Pirâmide de Degraus de Djoser. O sítio continuou a ser utilizado depois do Império Antigo e também preserva áreas associadas a práticas funerárias posteriores, inclusive sepultamentos humanos e animais.
A área do Bubasteion, onde a missão trabalha, ficou ligada em períodos posteriores ao culto da deusa Bastet. A tumba de Sekhentiu-Ptah pertence a uma fase muito anterior e acrescenta outro período de ocupação ao conjunto arqueológico preservado naquele setor da necrópole.
O Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito informou que os estudos e as escavações devem continuar para definir melhor a evolução histórica e arquitetônica do local. A porta falsa preservada em sua posição original, acompanhada pelos objetos rituais, permanece como parte do contexto funerário que será analisado pela missão.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

