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Após gastar US$ 1,4 bilhão para assumir operação brasileira da Bunge, BP avalia vender negócio de biocombustíveis e avança com plano de US$ 20 bilhões em desinvestimentos

Após gastar US$ 1,4 bilhão para assumir operação brasileira da Bunge, BP avalia vender negócio de biocombustíveis e avança com plano de US$ 20 bilhões em desinvestimentos

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Após gastar US$ 1,4 bilhão para assumir operação brasileira da Bunge, BP avalia vender negócio de biocombustíveis e avança com plano de US$ 20 bilhões em desinvestimentos

Escrito por Carla Teles

Publicado em 30/09/2026 às 13:49

Atualizado em 30/09/2026 às 13:50

Biocombustíveis Renováveis

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BP avalia vender negócio de biocombustíveis no Brasil comprado por US$ 1,4 bilhão em 2024. Entenda por que a operação entrou na revisão do grupo.

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Discussões ainda estão em estágio inicial e nenhuma decisão final foi tomada; companhia britânica pretende levantar cerca de US$ 20 bilhões com venda de ativos até 2027 para reduzir dívida.

A petroleira britânica BP avalia vender seu negócio de biocombustíveis no Brasil, apenas dois anos depois de pagar US$ 1,4 bilhão, incluindo dívida, para adquirir os 50% que ainda pertenciam à Bunge e assumir o controle integral da operação brasileira de açúcar e etanol. As discussões estão em estágio inicial e nenhuma decisão final foi tomada.

As informações foram publicadas pelo InvestNews em reportagem da Bloomberg de 28 de setembro de 2026, com base em pessoas familiarizadas com o assunto. Procurada, a BP se recusou a comentar. A análise ocorre enquanto a companhia reformula seu portfólio e pretende levantar aproximadamente US$ 20 bilhões com desinvestimentos até 2027.

BP pagou US$ 1,4 bilhão para assumir 100% da operação brasileira em 2024

A BP já era sócia da Bunge no negócio brasileiro quando decidiu comprar os 50% restantes da companhia americana em 2024. A transação, avaliada em US$ 1,4 bilhão incluindo dívida, colocou a empresa britânica no controle integral da joint venture de açúcar e etanol.

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Na época, a BP descreveu a plataforma como um negócio de bioenergia escalável e competitivo em custos. A companhia também afirmou que pretendia explorar novas oportunidades envolvendo etanol, combustível sustentável de aviação e biogás a partir da estrutura adquirida no Brasil.

A avaliação atual representa uma mudança em relação à estratégia apresentada durante a compra. Segundo as fontes ouvidas pela Bloomberg, a operação brasileira deixou de ser considerada parte central dos planos da BP para o futuro.

A eventual negociação, porém, ainda está em estágio inicial. Não há decisão final sobre a venda, nem comprador identificado nas informações divulgadas até agora.

Plano prevê cerca de US$ 20 bilhões em venda de ativos até 2027

A possível saída do negócio brasileiro faz parte de uma revisão mais ampla do portfólio da BP. A empresa se comprometeu a vender aproximadamente US$ 20 bilhões em ativos até 2027, em um esforço para diminuir o endividamento, cortar custos e melhorar os retornos.

A estratégia começou a ser reformulada no ano passado sob o então CEO Murray Auchincloss e está sendo acelerada pela atual presidente-executiva Meg O’Neill. O direcionamento dá novamente maior peso aos negócios tradicionais de petróleo e gás dentro da distribuição de capital da companhia.

Essa mudança sucede um período no qual a BP adotou investimentos mais agressivos em transição energética sob o comando do ex-presidente Bernard Looney. Desde então, a companhia reduziu planos relacionados a novos projetos de menor emissão de carbono e passou a avaliar a venda de operações que não considera centrais.

No caso brasileiro, uma eventual transação permitiria levantar recursos com um negócio que havia recebido investimento bilionário há apenas dois anos. O capital poderia ser direcionado para redução da dívida e para áreas nas quais a BP afirma enxergar retornos maiores.

Castrol, refinaria alemã e Lightsource também entraram no processo de desinvestimento

A operação de biocombustíveis no Brasil não é o único ativo envolvido na reorganização. Em dezembro, a BP concordou em vender 65% de sua unidade de lubrificantes Castrol para a Stonepeak, mantendo participação de 35% no negócio.

A companhia também concluiu, durante o verão do Hemisfério Norte, a venda de sua refinaria de Gelsenkirchen, na Alemanha, para o Klesch Group. As operações fazem parte do programa destinado a simplificar o portfólio e levantar recursos.

Outro ativo em análise é a Lightsource, negócio de energia solar e baterias. A BP havia adquirido a participação restante na empresa em 2024, mas posteriormente passou a avaliar sua venda.

Neste ano, a Petrobras comprou 49,99% da unidade brasileira da Lightsource. A sequência de movimentos mostra que o processo de revisão alcança negócios adquiridos ou ampliados recentemente pela companhia britânica.

Compra da Bunge previa expansão em etanol, SAF e biogás

Quando assumiu integralmente a joint venture com a Bunge, a BP apresentou a operação brasileira como plataforma para crescimento em diferentes segmentos da bioenergia. Entre as possibilidades citadas estavam etanol, combustível sustentável para aviação, conhecido como SAF, e biogás.

A possibilidade de venda dois anos depois ocorre justamente enquanto a empresa reduz investimentos previstos em atividades de menor emissão e redireciona recursos. O negócio de biocombustíveis no Brasil, segundo as fontes da Bloomberg, deixou de ocupar posição central na estratégia futura da companhia.

A mudança pode abrir uma nova etapa para a operação caso a BP decida avançar com uma transação. Até agora, entretanto, não há confirmação de que a companhia tenha iniciado um processo formal de venda.

Também não foi divulgado quanto a BP pretende obter pela operação nem se o valor poderia se aproximar dos US$ 1,4 bilhão pagos pelos 50% restantes em 2024. A única referência financeira confirmada é o plano global de aproximadamente US$ 20 bilhões em desinvestimentos até 2027.

Possível venda permitiria direcionar recursos novamente para petróleo e gás

A avaliação sobre os biocombustíveis brasileiros ocorre no momento em que a BP concentra capital nos negócios considerados estratégicos pela administração. Petróleo e gás voltaram a ocupar posição de maior peso na estratégia, enquanto operações de outras áreas passam por revisão.

Uma eventual venda da plataforma brasileira ofereceria outra fonte de recursos para o programa de redução de dívida. Também marcaria uma reversão da decisão tomada em 2024, quando a companhia desembolsou US$ 1,4 bilhão para deixar de dividir o controle do negócio com a Bunge.

Por enquanto, a BP mantém a operação e nenhuma transação foi anunciada. As fontes ouvidas pela Bloomberg afirmam que as discussões continuam preliminares, enquanto a empresa segue executando o programa de venda de ativos com meta de aproximadamente US$ 20 bilhões até 2027.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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