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Após parar de importar gás dos EUA e manter tarifa de 15%, China fecha contrato de 20 anos com empresa americana, garante 500 mil toneladas anuais de GNL e prepara entregas para 2030

Após parar de importar gás dos EUA e manter tarifa de 15%, China fecha contrato de 20 anos com empresa americana, garante 500 mil toneladas anuais de GNL e prepara entregas para 2030

11 min de leitura

Após parar de importar gás dos EUA e manter tarifa de 15%, China fecha contrato de 20 anos com empresa americana, garante 500 mil toneladas anuais de GNL e prepara entregas para 2030

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 16/09/2026 às 16:22

Atualizado em 16/09/2026 às 16:32

Petróleo e Gás

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A China Gas assinou um contrato de 20 anos com a norte-americana Venture Global para comprar 500 mil toneladas de gás natural liquefeito (GNL) por ano a partir de 2030. O novo acordo amplia para 2,5 milhões de toneladas anuais os compromissos de fornecimento entre as companhias. Além disso, marca um novo movimento comercial após a China interromper as importações de GNL dos Estados Unidos em março de 2025 e manter uma tarifa de 15% sobre o combustível americano.

Depois de interromper as importações de gás natural liquefeito dos Estados Unidos, a China voltou a movimentar o mercado energético com um compromisso de longo prazo. Em 14 de setembro de 2026, a China Gas Holdings anunciou um contrato de 20 anos com a Venture Global, produtora e exportadora norte-americana de GNL.

Segundo a reportagem publicada pela Reuters, a companhia chinesa comprará 500 mil toneladas de GNL por ano, com início previsto para 2030.

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Além disso, o novo contrato elevará os compromissos de fornecimento de longo prazo da Venture Global com a China Gas para 2,5 milhões de toneladas anuais.

Entretanto, a assinatura não representa uma retomada imediata das entregas físicas. As empresas estabeleceram o começo do fornecimento para 2030, enquanto as tarifas comerciais e as condições de mercado continuam influenciando as operações entre os dois países.

China Gas assina contrato de 20 anos e garante 500 mil toneladas anuais de GNL dos Estados Unidos

A China Gas e a Venture Global anunciaram o novo acordo durante a conferência internacional de energia Gastech, realizada em Bangkok, na Tailândia.

O contrato estabelece a compra de 0,5 milhão de toneladas de gás natural liquefeito por ano durante duas décadas. Além disso, as companhias preveem iniciar as entregas em 2030.

Considerando a quantidade anual e a duração contratual, o acordo representa um volume nominal acumulado de 10 milhões de toneladas de GNL ao longo de 20 anos.

Entretanto, esse número resulta da multiplicação dos volumes previstos. O total efetivamente entregue dependerá da execução do contrato e de eventuais alterações nas condições comerciais.

A Venture Global também informou que fornecerá o combustível por meio de seu portfólio de projetos nos Estados Unidos.

Assim, o acordo amplia os compromissos de longo prazo entre as duas companhias sem exigir que toda a quantidade contratada saia de uma única instalação.

Volume contratado entre as empresas sobe para 2,5 milhões de toneladas por ano

O novo compromisso representa uma ampliação de uma parceria que as duas companhias já mantinham no mercado de gás natural.

Antes do anúncio, os contratos de longo prazo entre a China Gas e a Venture Global somavam 2 milhões de toneladas anuais.

Agora, com o acréscimo de 500 mil toneladas por ano, a quantidade contratada alcança 2,5 milhões de toneladas anuais.

Portanto, o novo acordo representa um crescimento de 25% sobre o volume anual anteriormente contratado.

Além disso, a Venture Global informou que os compromissos estão distribuídos entre projetos de seu portfólio. Dessa forma, a empresa procura ampliar sua presença comercial no mercado chinês.

Entretanto, os 2,5 milhões de toneladas representam compromissos contratuais, não a quantidade que a companhia necessariamente entregou à China em 2026.

China interrompeu importações de GNL americano em março de 2025 após aumento das tarifas

O acordo ocorre após um período de interrupção nas compras chinesas de gás natural liquefeito dos Estados Unidos.

Segundo a Reuters, a China deixou de importar GNL norte-americano em março de 2025, depois que Pequim implementou tarifas sobre produtos energéticos dos Estados Unidos em fevereiro daquele ano.

As medidas aumentaram o custo das cargas americanas e reduziram a atratividade do combustível para compradores chineses.

Consequentemente, importadores passaram a direcionar cargas de origem norte-americana para clientes de outros países.

Entretanto, o novo contrato demonstra que as empresas continuam negociando fornecimento para períodos futuros, mesmo diante das barreiras comerciais.

A distinção é importante: assinar um contrato com entregas previstas para 2030 não significa que a China retomou imediatamente as importações físicas dos Estados Unidos.

Tarifa de 15% continua sobre GNL dos EUA apesar do novo acordo comercial

Embora China Gas e Venture Global tenham ampliado seus compromissos, Pequim ainda mantém tarifas sobre produtos energéticos norte-americanos.

Segundo a Reuters, o GNL dos Estados Unidos continua sujeito a uma tarifa chinesa de 15%.

Além disso, a China suspendeu por um ano uma tarifa adicional de 24% sobre produtos americanos. Entretanto, essa suspensão não eliminou a cobrança específica sobre o gás liquefeito.

Portanto, o novo contrato não representa automaticamente o fim das barreiras comerciais entre os dois países.

As condições tarifárias também poderão mudar antes do começo das entregas, previsto para 2030. Dessa forma, os custos efetivos dependerão das regras comerciais em vigor no momento das operações.

O anúncio também antecede uma visita esperada do presidente chinês Xi Jinping a Washington, prevista para setembro de 2026, conforme a Reuters.

Entretanto, as empresas não apresentaram o contrato como resultado direto de uma negociação presidencial. O acordo constitui uma operação comercial entre a China Gas e a Venture Global.

Empresas negociam gás americano com preço vinculado ao Henry Hub

Informações divulgadas pela imprensa chinesa detalham as condições de precificação do novo contrato.

Segundo o veículo Yicai, a operação estabelece preços vinculados ao Henry Hub, referência do mercado norte-americano de gás natural, acrescidos de uma taxa fixa de liquefação.

Além disso, o acordo prevê entrega na modalidade FOB, sigla utilizada no comércio internacional para indicar condições específicas de transferência da mercadoria no porto de embarque.

Nesse modelo, o comprador assume responsabilidades previstas contratualmente a partir da entrega da carga no ponto estabelecido.

Entretanto, as empresas não divulgaram o preço final por tonelada nem o valor financeiro total do acordo.

Portanto, não é possível transformar os 10 milhões de toneladas contratadas em uma estimativa confiável de faturamento sem conhecer as condições financeiras completas e os preços futuros.

Venture Global utilizará portfólio de projetos de GNL na Louisiana para atender cliente chinês

A Venture Global produz e exporta gás natural liquefeito a partir de instalações nos Estados Unidos.

Segundo o comunicado oficial, a companhia possui projetos de produção, construção ou desenvolvimento que, juntos, representam mais de 100 milhões de toneladas anuais de capacidade.

Entretanto, esse número reúne empreendimentos em diferentes estágios. Portanto, não corresponde exclusivamente à capacidade que a empresa já mantém em operação.

Os três primeiros projetos da Venture Global são Calcasieu Pass, Plaquemines LNG e CP2 LNG, localizados no estado da Louisiana.

Além disso, a empresa atua em diferentes etapas da cadeia de GNL, incluindo produção, transporte, navegação e regaseificação.

O presidente-executivo Mike Sabel afirmou que a companhia pretende ampliar a parceria com a China Gas por meio de seus projetos na Louisiana.

Dessa maneira, a empresa procura assegurar compradores para sua produção de longo prazo enquanto desenvolve novas instalações.

China Gas pretende criar plataforma internacional para negociar energia entre diferentes mercados

Para a China Gas, o acordo representa mais uma etapa na ampliação de suas atividades internacionais.

O presidente da companhia, Liu Ming Hui, afirmou que a parceria fortalece o portfólio empresarial e reforça os planos de estabelecer uma plataforma internacional de comercialização de energia.

Além disso, a empresa atua na construção e operação de gasodutos urbanos, terminais, instalações de armazenamento e sistemas de transporte de gás.

Seu portfólio inclui serviços para consumidores residenciais, comerciais e industriais.

Portanto, a China Gas não atua apenas como compradora de cargas internacionais. A companhia também participa da distribuição e comercialização de energia em diferentes segmentos do mercado chinês.

Com o novo contrato, a empresa amplia sua carteira de suprimentos de longo prazo e procura diversificar as alternativas de abastecimento.

Importações chinesas de GNL caíram para 68,43 milhões de toneladas em 2025

O novo acordo chama atenção porque a demanda chinesa por gás natural liquefeito enfrenta mudanças importantes.

Segundo a Reuters, a China importou 68,43 milhões de toneladas de GNL em 2025, menor volume em três anos.

Além disso, o país passou a priorizar o fornecimento de gás por gasodutos e a expansão das fontes renováveis.

Essa estratégia contribuiu para reduzir a participação do gás liquefeito na matriz energética chinesa.

Entretanto, a queda das importações não impediu a assinatura de novos contratos de longo prazo. Afinal, as empresas também precisam planejar o abastecimento para períodos futuros.

Dessa maneira, o acordo de 20 anos representa uma estratégia comercial que considera necessidades posteriores a 2030, e não apenas a demanda observada em 2025.

China movimentou US$ 6,2 bilhões em compras de GNL americano em 2021

Antes do aumento das tensões comerciais, a China figurava entre os principais compradores de gás natural liquefeito dos Estados Unidos.

De acordo com a Reuters, as importações chinesas de GNL americano alcançaram US$ 6,2 bilhões em 2021.

Entretanto, as tarifas adotadas posteriormente elevaram os custos comerciais e estimularam o redirecionamento das cargas para outros destinos.

Esse histórico ajuda a dimensionar a mudança no relacionamento energético entre os dois países.

Além disso, demonstra como decisões comerciais podem alterar os fluxos internacionais de combustíveis, mesmo quando fornecedores e compradores mantêm interesses econômicos de longo prazo.

Agora, a China Gas e a Venture Global procuram ampliar sua parceria com entregas futuras. Entretanto, as condições tarifárias continuarão influenciando a competitividade do combustível norte-americano.

Contratos de longo prazo também avançam em projetos bilionários de GNL na Papua-Nova Guiné

O acordo entre China Gas e Venture Global integra um mercado no qual produtores e compradores utilizam compromissos de longo prazo para planejar investimentos e abastecimento.

Entretanto, cada projeto apresenta condições próprias de financiamento, construção e comercialização.

Em reportagem do CPG, Roberta Souza mostrou como a Papua-Nova Guiné assinou três acordos para avançar com um projeto de GNL de US$ 14,5 bilhões, com capacidade prevista de 5,6 milhões de toneladas anuais.

A iniciativa busca reunir condições para uma decisão final de investimento, enquanto o contrato entre China Gas e Venture Global estabelece compromissos comerciais para fornecimento futuro.

Portanto, os empreendimentos estão em estágios diferentes. Ainda assim, ambos demonstram a importância de organizar a produção e as vendas com vários anos de antecedência.

Brasil também amplia estrutura de importação de GNL por terminais no Rio de Janeiro e na Bahia

O mercado brasileiro também utiliza importações de gás natural liquefeito para complementar suas alternativas de abastecimento.

Em reportagem publicada no CPG, Roberta Souza explicou que a Agência Nacional do Petróleo autorizou a Petrobras a importar até 24,34 milhões de metros cúbicos de GNL por ano, com entrada por terminais no Rio de Janeiro e na Bahia.

A autorização possui condições regulatórias próprias e não corresponde ao contrato firmado entre as empresas chinesa e norte-americana.

Entretanto, os dois casos demonstram como importadores procuram organizar o acesso a cargas internacionais de gás.

Além disso, o abastecimento depende de infraestrutura marítima, terminais e instalações capazes de transformar o GNL novamente em gás para distribuição e consumo.

Dessa forma, o comércio internacional do combustível envolve contratos, transporte especializado e infraestrutura de recebimento, além da disponibilidade de produção nos países exportadores.

Tailândia aposta em energia solar para reduzir exposição aos preços do gás importado

Enquanto algumas empresas ampliam contratos de GNL, outros mercados procuram reduzir sua exposição às oscilações internacionais do combustível.

Em matéria do CPG, Roberta Souza apresentou um plano de US$ 6 bilhões da Tailândia para instalar energia solar em 1 milhão de residências e adicionar 5 GW de capacidade.

A iniciativa busca diminuir a dependência do gás importado e ampliar a participação da geração solar.

Entretanto, esse projeto possui objetivos diferentes do contrato entre China Gas e Venture Global. Enquanto a empresa chinesa amplia o fornecimento contratado para o futuro, a Tailândia procura diversificar as fontes de eletricidade.

Apesar das diferenças, os dois movimentos mostram como países e empresas procuram administrar riscos de abastecimento e custos energéticos.

Além disso, evidenciam que a expansão das fontes renováveis pode influenciar a demanda futura por combustíveis importados.

O que muda no comércio de gás entre China e Estados Unidos?

O novo contrato confirma que empresas chinesas e norte-americanas continuam negociando fornecimento de energia para o longo prazo.

Além disso, a Venture Global amplia seus compromissos com a China Gas para 2,5 milhões de toneladas anuais de GNL.

Entretanto, o negócio não elimina as tarifas chinesas nem garante uma retomada imediata das importações.

A China Gas começará a receber os novos volumes em 2030, conforme o cronograma anunciado pelas companhias.

Até lá, os preços internacionais, as condições comerciais e a evolução da demanda poderão influenciar a execução da operação.

Portanto, o acordo representa uma ampliação contratual da relação energética entre as empresas, mas não significa que China e Estados Unidos resolveram suas divergências comerciais.

Contrato prevê 10 milhões de toneladas em duas décadas, mas empresas não divulgaram valor total

O anúncio de 14 de setembro de 2026 estabelece três números centrais: 20 anos de contrato, 500 mil toneladas anuais e início das entregas em 2030.

Além disso, a operação eleva os compromissos comerciais de longo prazo entre China Gas e Venture Global para 2,5 milhões de toneladas por ano.

Considerando o volume nominal do novo acordo, as entregas poderão somar 10 milhões de toneladas ao longo de duas décadas.

Entretanto, as empresas não divulgaram o valor financeiro total da transação. Por isso, não há base para apresentar uma estimativa de receita ou investimento associado ao contrato.

O negócio também ocorre em um cenário no qual a China mantém uma tarifa de 15% sobre o GNL norte-americano e amplia suas alternativas de abastecimento.

Dessa forma, a Venture Global garante um novo compromisso comercial de longo prazo, enquanto a China Gas amplia seu portfólio internacional e prepara o fornecimento para a próxima década.

E você: mesmo com tarifas comerciais, contratos de 20 anos entre empresas chinesas e norte-americanas mostram que a segurança energética pode manter negócios entre países com interesses econômicos diferentes?

Fonte

Reuters


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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