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Após perder milhares de empregos na crise da indústria naval, Niterói aprofunda canal para receber embarcações maiores, investe R$ 162,5 milhões em infraestrutura e busca novos contratos com Petrobras e Transpetro, enquanto estaleiros retomam produção e o Mauá amplia quadro de cerca de 600 para aproximadamente 1.500 trabalhadores
Escrito por Carla Teles
Publicado em 18/09/2026 às 11:33
Atualizado em 18/09/2026 às 11:46
Indústria Naval
Canal
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Niterói aposta na retomada da indústria naval com a segunda fase da dragagem do Canal de São Lourenço, que já recebeu R$ 162,5 milhões e elevou o calado de sete para 11 metros, enquanto estaleiros recuperam produção e o Mauá passa de cerca de 600 para aproximadamente 1.500 funcionários atualmente.
A indústria naval de Niterói tenta transformar anos de retração em uma nova etapa de investimentos, produção e empregos. A estratégia passa pelo aprofundamento do Canal de São Lourenço, pela recuperação dos estaleiros já instalados e pela aproximação com Petrobras e Transpetro para disputar novos projetos ligados à cadeia de petróleo, gás e atividades offshore.
Segundo reportagem do A Seguir: Niterói, publicada em 15 de setembro de 2026 e atualizada no dia 16, representantes do município, das duas estatais e do setor naval se reuniram para discutir a retomada da atividade e possibilidades de novos projetos no Rio de Janeiro. O encontro ocorreu enquanto a cidade prepara a segunda fase da dragagem do canal.
Niterói tenta recuperar espaço perdido pela indústria naval
A reunião aconteceu na sede da Petrobras e reuniu o prefeito Rodrigo Neves, a presidente da estatal, Magda Chambriard, o presidente da Transpetro, Sergio Bacci, representantes das empresas e integrantes do cluster naval de Niterói.
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O movimento busca aproveitar uma estrutura que já existe na cidade, formada por estaleiros, terminais, bases de apoio offshore, empresas de logística, fornecedores e serviços especializados. A intenção do município é transformar essa capacidade instalada em novos investimentos, encomendas e empregos.
Canal de São Lourenço recebeu R$ 162,5 milhões
Uma das principais frentes dessa estratégia está no Canal de São Lourenço. De acordo com a fonte, aproximadamente R$ 162,5 milhões em recursos municipais já foram destinados à intervenção, considerada essencial para melhorar o acesso às áreas industriais e portuárias.
O trabalho realizado ampliou o calado de cerca de sete para 11 metros. Com maior profundidade, o canal passa a permitir a movimentação de embarcações de maior porte, uma condição diretamente relacionada à capacidade operacional dos estaleiros instalados na região.
Segunda fase da dragagem entra no planejamento do município
Niterói se prepara agora para iniciar a segunda etapa da dragagem. A expectativa apresentada pela Prefeitura é de que a nova fase se some aos investimentos anteriores para ampliar a competitividade da indústria naval e das operações offshore.
A dragagem aparece no planejamento municipal junto de ações em qualificação profissional, pesquisa, inovação e recuperação das empresas do setor. O objetivo declarado é criar condições para que a infraestrutura existente seja aproveitada em novos projetos.
Petrobras destaca posição de Niterói próxima à Bacia de Santos
Durante a reunião, Magda Chambriard afirmou que a Petrobras trabalha para utilizar instalações já existentes no Brasil de forma competitiva. Ela também destacou o papel do conteúdo local nesse movimento e a necessidade de ampliar a participação do Rio de Janeiro em projetos do setor.
A presidente da estatal apontou ainda a posição de Niterói próxima à Bacia de Santos como uma vantagem estratégica. A declaração reforçou a discussão sobre o uso dos estaleiros e da infraestrutura marítima já instalada na cidade.
Município busca aproximar estaleiros de Petrobras e Transpetro
Rodrigo Neves afirmou que a cidade investiu para preparar sua estrutura para uma possível retomada. A etapa seguinte, segundo o prefeito, é aproximar empresas locais da Petrobras, da Transpetro e de outros integrantes da cadeia produtiva.
Isso não significa que novos contratos já estejam garantidos. A reunião tratou da possibilidade de novos projetos e de como a capacidade instalada de Niterói pode participar deles, especialmente em um momento no qual o município tenta reconstruir sua presença no setor.
Crise teria eliminado milhares de postos na região
Segundo Rodrigo Neves, o cluster naval e offshore enfrentou fortes perdas entre 2016 e 2023. O prefeito estimou que aproximadamente 20 mil empregos diretos e 100 mil indiretos teriam sido perdidos em Niterói, São Gonçalo e municípios da região durante esse período.
Os números foram apresentados pelo prefeito como dimensão da retração vivida pela atividade e, portanto, devem ser entendidos como uma estimativa atribuída a ele. A avaliação da Prefeitura é de que parte desses postos começa a ser recuperada conforme estaleiros retomam atividades.
Estaleiro Mauá amplia quadro para cerca de 1.500 funcionários
Um dos exemplos citados é o Estaleiro Mauá. A empresa passou por anos de retração, mas voltou a ampliar produção, infraestrutura e número de trabalhadores no atual processo de recuperação da indústria naval.
Segundo o CEO Miro Arantes, o Mauá mantinha entre 500 e 600 funcionários em 2024. Atualmente, o quadro está em aproximadamente 1.500 trabalhadores, o que representa um crescimento expressivo em relação ao período anterior.
Recuperação do Mauá acompanha retomada de investimentos
Miro Arantes relacionou a recuperação do estaleiro à retomada de investimentos de Petrobras e Transpetro e à política de conteúdo local. Para o executivo, a existência de instalações prontas reduz a necessidade de repetir grandes investimentos iniciais realizados no passado.
O argumento é que a infraestrutura construída durante ciclos anteriores continua disponível para novos projetos. Isso inclui não apenas os estaleiros, mas também uma rede de fornecedores e serviços ligados às atividades marítimas, industriais e de apoio offshore.
Conteúdo local volta ao centro da discussão
A utilização de fornecedores, trabalhadores e instalações nacionais apareceu como um dos pontos do encontro. Magda Chambriard destacou que o conteúdo local pode ajudar a tornar viável o aproveitamento da estrutura disponível no país.
Para os representantes da indústria naval de Niterói, essa discussão tem efeito direto sobre a possibilidade de ocupação dos estaleiros. Quanto maior a participação da estrutura brasileira nos projetos, maior tende a ser a demanda por capacidade produtiva instalada no município e em outras regiões do estado.
Cluster reúne estaleiros, logística e serviços offshore
Niterói não depende apenas de grandes estaleiros para sustentar essa estratégia. A cadeia local reúne terminais, bases de apoio, transportadoras, fornecedores de equipamentos e empresas especializadas em serviços marítimos.
Essa concentração de atividades é uma das bases do chamado cluster naval e offshore. A Prefeitura aposta justamente na integração dessa cadeia para transformar obras de infraestrutura em oportunidades comerciais, sem depender de um único empreendimento.
Novos contratos são apontados como próxima etapa
A recuperação das empresas, por si só, não garante uma retomada permanente. Para manter estaleiros ativos e ampliar o emprego, o setor depende da entrada de novos projetos e de uma sequência de encomendas.
É nesse ponto que a aproximação com Petrobras e Transpetro ganha importância. O município busca converter infraestrutura, capacidade industrial e mão de obra disponível em contratos efetivos, mas a fonte não apresenta anúncios de novas encomendas decorrentes da reunião.
Dragagem pode ampliar acesso às áreas industriais
O aumento do calado de sete para 11 metros modifica uma limitação física relevante do Canal de São Lourenço. Embarcações maiores exigem condições de navegação compatíveis com suas dimensões e necessidades operacionais.
Para os estaleiros, ampliar esse acesso pode significar capacidade para disputar trabalhos que antes encontravam restrições na entrada e saída pelo canal. A dragagem, portanto, funciona como uma peça de infraestrutura ligada diretamente à competitividade da atividade naval.
Segunda fase será combinada com formação de mão de obra
A Prefeitura pretende associar a nova etapa do canal a outras ações, incluindo qualificação profissional e investimentos em pesquisa e inovação. A formação de trabalhadores aparece como parte da tentativa de acompanhar uma eventual expansão das encomendas.
A estratégia busca evitar que a recuperação fique restrita às instalações físicas. Se novos projetos ampliarem novamente a demanda por trabalhadores, o município pretende combinar capacidade produtiva com disponibilidade de mão de obra especializada.
Niterói tenta transformar recuperação em novo ciclo industrial
A cidade entra nessa etapa com sinais concretos de recuperação em empresas como o Estaleiro Mauá, uma obra de infraestrutura de R$ 162,5 milhões já realizada no canal e uma segunda fase de dragagem em preparação.
O desafio agora é transformar esses elementos em uma retomada mais ampla da indústria naval, com contratos que mantenham a produção e sustentem a recuperação dos empregos. Petrobras, Transpetro, estaleiros e Prefeitura aparecem como atores centrais desse movimento, mas a expansão dependerá dos projetos que efetivamente avançarem.
Na sua avaliação, o aprofundamento do canal e a recuperação dos estaleiros são suficientes para Niterói voltar a ocupar uma posição de destaque na indústria naval brasileira, ou novos contratos de longo prazo serão o fator decisivo? Conte sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

