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Após Petrobras achar hidrocarbonetos no Amapá a 2.886 metros de lâmina d’água, gigantes colocam navio sísmico no mar e iniciam varredura 3D a apenas 130 km do poço Morpho

Após Petrobras achar hidrocarbonetos no Amapá a 2.886 metros de lâmina d’água, gigantes colocam navio sísmico no mar e iniciam varredura 3D a apenas 130 km do poço Morpho

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Após Petrobras achar hidrocarbonetos no Amapá a 2.886 metros de lâmina d’água, gigantes colocam navio sísmico no mar e iniciam varredura 3D a apenas 130 km do poço Morpho

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 09/09/2026 às 19:00

Atualizado em 09/09/2026 às 19:01

Petróleo e Gás

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SLB e Shearwater lançam levantamento sísmico Amapá 3D com o navio Amazon Warrior após descoberta da Petrobras reacender interesse pela Margem Equatorial. Dados de alta densidade vão mapear o subsolo e poderão orientar novas perfurações e futuras rodadas de exploração

Poucas semanas depois de a Petrobras anunciar a presença de hidrocarbonetos no poço Morpho, em águas ultraprofundas do Amapá, duas gigantes internacionais de tecnologia e geofísica colocaram um novo projeto no mar para tentar enxergar, em três dimensões, o que existe sob uma das áreas mais observadas da Margem Equatorial. Conforme informações publicadas pelo Offshore Energy em 8 de setembro de 2026, a SLB e a Shearwater GeoServices iniciaram o levantamento sísmico Amapá 3D, localizado aproximadamente 130 quilômetros do poço Morpho, usando o navio sísmico Amazon Warrior.

Além disso, o anúncio oficial da SLB deixa clara a dimensão estratégica do movimento: a empresa chama o projeto de um de seus investimentos mais significativos em dados de exploração na margem de águas profundas do Atlântico. A aquisição utilizará tecnologia sísmica marinha Isometrix, da Shearwater, enquanto a SLB ficará responsável pelo processamento e pela criação das imagens subterrâneas com métodos avançados, incluindo elastic full-waveform inversion.

Entretanto, existe uma distinção importante desde o início. O novo levantamento não significa que SLB e Shearwater descobriram petróleo no Amapá, nem que uma nova perfuração começou. Trata-se de um estudo sísmico multi-client, criado para produzir imagens detalhadas do subsolo que poderão ser vendidas ou licenciadas a diferentes empresas interessadas em avaliar oportunidades exploratórias. Da mesma forma, a Petrobras anunciou no Morpho a identificação de hidrocarbonetos, mas ainda precisa de novos dados e poços para dimensionar a acumulação e comprovar sua viabilidade comercial.

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Tudo mudou em agosto, quando a Petrobras perfurou a 175 km da costa do Amapá e encontrou hidrocarbonetos no poço Morpho

O momento escolhido para lançar o Amapá 3D não é casual. Em 14 de agosto de 2026, a Petrobras anunciou que encontrou um intervalo portador de hidrocarbonetos durante a perfuração do Morpho, oficialmente identificado como 1-BRSA-1405-APS, no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas.

O poço está localizado aproximadamente 175 quilômetros da costa de Oiapoque, no Amapá, e quase 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas. Além disso, a perfuração ocorre sob uma lâmina d’água de 2.886 metros, o que coloca a atividade no universo das águas ultraprofundas.

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Segundo a Petrobras, a presença dos hidrocarbonetos apareceu em perfis elétricos e indicativos observados nas rochas. Naquele momento, a estatal informou que continuaria avaliando a área. Portanto, apesar do enorme interesse despertado pela notícia, ainda não existe base pública para tratar Morpho como um campo comercial com reservas comprovadas ou produção garantida.

Ainda assim, o impacto geológico foi imediato. Andrea Lovatini, vice-presidente de Exploration Data and Geosolutions da SLB, afirmou que a descoberta de Morpho trouxe nova atenção à exploração offshore no Amapá. Dessa forma, a empresa vê espaço para fornecer a companhias interessadas imagens mais precisas do subsolo antes que elas assumam o risco de perfurar novos poços.

É justamente assim que grandes fronteiras de operações offshore costumam avançar: primeiro surgem dados geológicos e sísmicos, depois vêm os prospectos, as decisões de investimento e, somente após essa sequência, poços que podem confirmar ou frustrar as expectativas.

Amazon Warrior entra em cena para produzir uma espécie de “tomografia 3D” do fundo do mar sem precisar perfurar cada ponto

A sísmica 3D funciona, em termos simplificados, como uma enorme ferramenta de imagem do subsolo.

O navio sísmico percorre linhas planejadas no oceano enquanto fontes acústicas geram ondas que atravessam diferentes camadas geológicas. Em seguida, sensores registram os sinais refletidos por essas estruturas. Depois, sistemas computacionais transformam uma quantidade gigantesca de informações em imagens capazes de revelar dobras, falhas, estruturas sedimentares e possíveis armadilhas geológicas.

No Amapá, a Shearwater utilizará sua tecnologia Isometrix para adquirir dados broadband de alta densidade a bordo do Amazon Warrior. Posteriormente, a SLB processará as informações e aplicará fluxos avançados de imageamento, incluindo inversão elástica de forma de onda completa.

Essa técnica tenta reproduzir numericamente como as ondas sísmicas atravessaram o subsolo. Consequentemente, em áreas geologicamente complexas, pode entregar uma visão mais detalhada do que técnicas tradicionais de processamento.

Entretanto, nenhuma imagem sísmica consegue substituir completamente uma perfuração.

Ela pode mostrar estruturas promissoras e ajudar geólogos a escolher onde perfurar, mas somente um poço consegue confirmar diretamente quais fluidos existem dentro da rocha e em que condições.

Portanto, o Amapá 3D reduz incertezas. Ele não elimina o risco exploratório.

Projeto fica a cerca de 130 km de Morpho e pode mudar a forma como empresas avaliam blocos ainda pouco conhecidos da Margem Equatorial

A distância entre as duas iniciativas explica boa parte da atenção.

Segundo a SLB, a área do novo levantamento fica aproximadamente 130 quilômetros do poço Morpho. Além disso, a companhia descreve essa porção da bacia como ainda pouco explorada e com carência de dados modernos de subsuperfície.

Ao lançar o levantamento logo após a descoberta da Petrobras, SLB e Shearwater tentam preencher exatamente essa lacuna.

Empresas interessadas em blocos da região poderão usar o conjunto de dados para comparar estruturas, identificar prospectos e estimar quais áreas justificariam investimentos muito mais caros em perfuração.

Nesse sentido, sísmica representa uma espécie de filtro financeiro.

Um poço exploratório em águas ultraprofundas pode consumir centenas de milhões de reais ou mais, dependendo da localização e da complexidade. Portanto, antes de contratar uma sonda e perfurar quilômetros de rocha, empresas procuram reduzir ao máximo a incerteza geológica.

Quanto melhor a imagem do subsolo, mais criteriosa pode ser essa seleção.

Ao mesmo tempo, a tecnologia não determina sozinha se uma perfuração acontecerá. Licenciamento ambiental, aquisição de blocos, estratégia empresarial, custos e preços de petróleo também pesam na decisão.

“Multi-client” muda a lógica: SLB e Shearwater investem nos dados agora para depois oferecê-los a diferentes petroleiras

Existe ainda um detalhe comercial importante por trás do projeto.

O Amapá 3D é classificado como um levantamento multi-client.

Isso significa que os dados não são produzidos exclusivamente para uma única petroleira sob um contrato tradicional. Em vez disso, as empresas geofísicas montam uma grande biblioteca regional e podem licenciar os resultados para múltiplos clientes, de acordo com seus interesses exploratórios.

Essa estratégia faz sentido principalmente em novas fronteiras.

Se diversas companhias acreditam que uma bacia pode conter oportunidades, todas precisam responder perguntas semelhantes: como estão organizadas as camadas sedimentares? Onde existem estruturas capazes de aprisionar hidrocarbonetos? Quais áreas possuem melhor relação entre potencial e risco?

Em vez de cada empresa repetir todo o levantamento, um conjunto multi-client pode atender vários interessados.

Além disso, Irene Waage Basili, CEO da Shearwater, afirmou que a combinação da tecnologia Isometrix com os fluxos de imageamento da SLB pretende criar um conjunto regional premium de dados, capaz de apoiar exploração e futuras atividades de licenciamento na Margem Equatorial brasileira.

Consequentemente, o projeto não olha apenas para os blocos que já possuem operadores. Ele também pode influenciar a avaliação de áreas que venham a entrar em futuras rodadas.

Margem Equatorial se estende por cerca de 2.200 km e virou aposta para recompor reservas quando o crescimento do pré-sal perder força

A região onde Morpho foi perfurado faz parte de uma fronteira muito maior.

A Margem Equatorial brasileira possui aproximadamente 2.200 quilômetros de extensão e engloba as bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar, segundo informações da própria Petrobras.

O interesse aumentou principalmente por dois motivos.

Primeiro, o pré-sal continuará sendo fundamental para a produção nacional durante anos, porém a indústria já trabalha com a necessidade de encontrar novas áreas capazes de substituir reservas produzidas ao longo do tempo.

Segundo, descobertas realizadas em países do norte da América do Sul, sobretudo Guiana e Suriname, aumentaram o interesse pela geologia da margem atlântica da região.

Entretanto, semelhança geológica regional não significa que o Brasil obrigatoriamente repetirá o sucesso da Guiana. Sistemas petrolíferos podem variar significativamente mesmo em áreas relativamente próximas.

Por isso, novos levantamentos sísmicos ganham importância.

Eles ajudam a substituir comparações genéricas por dados específicos da geologia brasileira.

Além disso, o movimento ocorre enquanto outras empresas ampliam investimentos em dados sísmicos. Em 2025, por exemplo, a TGS anunciou a segunda fase de seu levantamento PAMA, cobrindo cerca de 11.500 km² adicionais na Bacia Pará-Maranhão, depois de uma primeira fase de 19.343 km².

Ou seja, o interesse não está concentrado em apenas um único bloco.

Descoberta de Morpho abriu a porta, mas o Ibama ainda controla cada novo passo porque exploração ocorre em região ambientalmente sensível

A corrida geológica não elimina a dimensão ambiental.

A Margem Equatorial é uma das áreas mais debatidas da política energética brasileira. O licenciamento do bloco FZA-M-59 passou por anos de discussão até o Ibama autorizar a perfuração exploratória em 2025.

Além disso, depois da descoberta de Morpho, a Petrobras buscou autorização para avançar com novos poços na área. Em setembro de 2026, o Ibama autorizou três novas perfurações exploratórias na Bacia da Foz do Amazonas, exigindo atualização de cronograma e revisão de elementos ligados à análise de riscos.

Portanto, encontrar hidrocarbonetos não cria automaticamente um campo produtor.

Primeiro, novos poços precisam delimitar a acumulação e esclarecer sua qualidade.

Depois, a empresa precisa avaliar volume recuperável, produtividade, custos, logística e viabilidade econômica.

Além disso, eventuais projetos de produção exigirão novas etapas de licenciamento.

É exatamente por isso que analistas consultados após Morpho classificaram a descoberta como relevante, mas ressaltaram que seu impacto imediato permanece limitado, já que ainda faltam informações fundamentais sobre volume e comercialidade.

Assim, o Amapá 3D chega no momento em que a geologia começa a parecer mais interessante, mas muitas das perguntas econômicas e ambientais permanecem abertas.

O verdadeiro prêmio pode não ser apenas encontrar petróleo, mas criar um novo mapa para bilhões em futuras decisões de exploração

Um levantamento sísmico raramente recebe a mesma atenção pública de uma descoberta.

Ele não produz barris.

Não inaugura uma plataforma.

Também não confirma reservas.

Entretanto, pode influenciar onde bilhões de dólares serão investidos ou evitados durante os próximos anos.

Esse é o valor estratégico do Amapá 3D.

A SLB afirma que o conjunto de dados deverá apoiar avaliação de prospectividade, futuras atividades exploratórias e oportunidades de licenciamento. Portanto, o projeto cria uma nova camada de informação justamente enquanto empresas começam a observar o Amapá com mais atenção.

Além disso, a própria escolha do Amazon Warrior e de tecnologias avançadas mostra que as companhias apostam numa cobertura detalhada, e não apenas numa aquisição regional básica.

Se os dados revelarem estruturas interessantes, novos clientes poderão direcionar estudos para determinados blocos.

Se as imagens forem menos promissoras, elas também terão valor, porque podem impedir que empresas gastem fortunas perfurando alvos inadequados.

Em ambos os casos, informação reduz risco.

Por isso, a infraestrutura submarina começa muito antes da instalação de árvores de natal, manifolds e dutos. Em novas fronteiras, ela nasce primeiro dentro de modelos geológicos construídos com dados sísmicos.

Morfo está a 2.886 metros abaixo da superfície do mar, mas o maior mistério ainda está vários quilômetros mais fundo

A lâmina d’água do poço já impressiona por si só.

2.886 metros.

Entretanto, depois de atravessar quase três quilômetros de oceano, a broca ainda precisa penetrar quilômetros adicionais de rochas sedimentares para atingir os alvos exploratórios.

É nesse ambiente invisível que SLB e Shearwater querem obter uma imagem mais clara.

O Amazon Warrior não precisa perfurar o fundo do mar para executar a pesquisa. Em vez disso, passará sobre a área adquirindo sinais que serão posteriormente transformados em volumes tridimensionais do subsolo.

Dessa forma, geólogos conseguem “navegar” digitalmente pelas estruturas e comparar diferentes horizontes.

Esse tipo de informação também pode se tornar decisivo para a logística portuária e offshore no futuro, caso descobertas comerciais levem à construção de bases, contratação de embarcações e desenvolvimento de projetos de produção.

Porém, esse cenário ainda está muitos passos à frente.

Hoje, a etapa é conhecer.

O lançamento do Amapá 3D não confirma outra descoberta, mas revela algo importante: empresas já estão gastando para entender melhor o que existe ao redor de Morpho

Essa talvez seja a leitura mais relevante do anúncio.

Em agosto, a Petrobras encontrou hidrocarbonetos no Morpho, a 175 km da costa do Amapá e sob 2.886 metros de água. Menos de um mês depois, SLB e Shearwater iniciaram um levantamento sísmico 3D a aproximadamente 130 quilômetros do poço, classificando a iniciativa entre os investimentos mais significativos da SLB em dados de exploração na margem atlântica profunda.

Isso não significa que as empresas já saibam onde está “o próximo Morpho”.

Na verdade, significa o contrário.

Elas estão investindo justamente porque ainda não sabem.

O objetivo do Amapá 3D é reduzir essa incerteza, produzir imagens mais detalhadas do subsolo e permitir que petroleiras decidam onde vale a pena assumir o enorme custo e risco de uma nova perfuração.

Além disso, a movimentação acontece no momento em que o Ibama autorizou novas perfurações da Petrobras na região e em que a Margem Equatorial ganha cada vez mais peso na estratégia brasileira de reposição de reservas.

Por isso, o próximo grande capítulo talvez não seja uma nova plataforma.

Pode ser apenas uma imagem.

Uma imagem tridimensional, construída a partir de milhões de sinais sísmicos, capaz de indicar onde está a próxima estrutura geológica que justifique colocar uma sonda a quase 3 mil metros sobre o fundo do Atlântico.

E você: depois da descoberta de hidrocarbonetos em Morpho, o Brasil deveria acelerar levantamentos e novas perfurações na Margem Equatorial para conhecer seu potencial, ou manter um ritmo mais lento até que os riscos ambientais e econômicos estejam melhor definidos?

Fonte

Offshore Energy


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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