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Aquecimento global destrói cemitério histórico no Ártico, derrete o permafrost, expõe esqueletos de baleeiros preservados por séculos e ameaça mais de 220 sepulturas preservadas por séculos

Aquecimento global destrói cemitério histórico no Ártico, derrete o permafrost, expõe esqueletos de baleeiros preservados por séculos e ameaça mais de 220 sepulturas preservadas por séculos

4 min de leitura

Aquecimento global destrói cemitério histórico no Ártico, derrete o permafrost, expõe esqueletos de baleeiros preservados por séculos e ameaça mais de 220 sepulturas preservadas por séculos

Escrito por Romário Pereira de Carvalho

Publicado em 19/09/2026 às 11:45

Atualizado em 19/09/2026 às 11:59

Ciência e Tecnologia

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Imagem: Reprodução / Youtube

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Mais de 220 sepulturas de baleeiros em Svalbard sofrem com o degelo do permafrost, que expõe esqueletos e destrói tecidos, madeira e estruturas funerárias preservadas durante séculos pelas baixas temperaturas do Ártico

O aquecimento do Ártico está colocando em risco um cemitério histórico com mais de 220 sepulturas de antigos baleeiros em Likneset, no arquipélago de Svalbard, na Noruega. Restos humanos e materiais preservados durante séculos pelo solo permanentemente congelado vêm sendo expostos e degradados à medida que o permafrost descongela e a erosão costeira avança.

Os esqueletos pertencem principalmente a homens que participaram de expedições de caça às baleias entre os séculos XVII e XVIII.

Muitos morreram quando tinham entre 20 e 25 anos, mas seus ossos já apresentavam sinais de desgaste associados a esforço físico intenso, doenças e problemas nutricionais.

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As pesquisadoras Lise Loktu, do Instituto Norueguês de Pesquisa do Patrimônio Cultural, e Elin Therese Brødholt, do Hospital Universitário de Oslo, analisaram esse conjunto de vestígios em estudo publicado na revista PLOS One, em maio.

Para as cientistas, Likneset funciona como um registro das condições enfrentadas por trabalhadores ligados a uma das primeiras grandes atividades industriais europeias.

Podemos observar como o trabalho, a alimentação, as doenças e a mobilidade deixaram vestígios físicos nas pessoas que participaram da caça às baleias no Ártico”, afirmaram as pesquisadoras.

Segundo elas, embora muitos tenham morrido jovens, alguns apresentavam alterações que atualmente costumam ser observadas em pessoas de idade mais avançada.

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Sepulturas preservadas pelo gelo começam a se deteriorar no cemitério histórico

O problema não se limita à exposição dos esqueletos. O descongelamento do permafrost ocorre junto com erosão, instabilidade do solo, aumento da umidade e maior atividade microbiana, combinação que prejudica ossos, tecidos, madeira e estruturas funerárias.

Durante muito tempo, as baixas temperaturas funcionaram como uma proteção natural. A mudança ficou evidente quando os pesquisadores compararam materiais recuperados em dois períodos: entre 1985 e 1990 e, décadas depois, entre 2016 e 2019.

Os vestígios encontrados nas escavações mais recentes apresentavam diferenças significativas de conservação.

Na década de 1980, o gelo permanente ainda mantinha parte importante dos materiais em condições muito melhores.

O caso mais evidente apareceu nos tecidos. Peças que estavam bem preservadas durante as escavações realizadas nos anos 1980 foram encontradas quase completamente degradadas nas pesquisas feitas na década de 2010.

Imagem: Reprodução / Youtube

Cemitério exposto: Esqueletos registram doenças, esforço físico e desnutrição

Além de documentar a deterioração causada pelas mudanças no ambiente, o cemitério fornece informações sobre a vida dos marinheiros que viajaram ao Ártico séculos atrás.

Os esqueletos guardam marcas de doenças, estresse físico significativo e desnutrição. Para Loktu e Brødholt, esse conjunto transforma o sítio arqueológico em um “arquivo de vidas humanas”, capaz de revelar aspectos do trabalho, da alimentação e das condições enfrentadas durante as expedições baleeiras.

As pesquisadoras também relacionam a perda desses vestígios à redução das condições naturais que permitiram sua preservação durante séculos.

Com o degelo do permafrost e a aceleração da erosão costeira, estamos perdendo arquivos inteiros de vidas humanas que jamais poderão ser substituídos”, afirmaram.

Imagem: Reprodução

A degradação observada entre as escavações das décadas de 1980 e 2010 mostra que parte desse registro arqueológico já sofreu mudanças importantes em poucas décadas.

Em Likneset, o desaparecimento não envolve apenas os corpos, mas também caixões, roupas e outras estruturas que ajudam a reconstruir a história dos trabalhadores que chegaram ao Ártico durante a expansão da caça às baleias.

Aquecimento Global: Como atinge a proteção natural desses locais?

O aquecimento global eleva as temperaturas também no Ártico, onde o avanço ocorre cerca de três vezes mais rápido que a média do planeta, segundo o Conselho do Ártico.

Em Svalbard, isso enfraquece uma proteção natural que conservou sepulturas e outros vestígios durante séculos: o permafrost, solo que permanece congelado por pelo menos dois anos consecutivos.

Com o degelo, materiais antes mantidos em condições frias ficam mais expostos à umidade, erosão, fungos e bactérias.

O Instituto Polar Norueguês alerta que esse processo pode acelerar a deterioração de sítios arqueológicos, objetos e estruturas históricas do arquipélago.

Esta reportagem foi produzida a partir de informações do estudo publicado na PLOS One e das declarações das pesquisadoras Lise Loktu e Elin Therese Brødholt apresentadas no material-base.

Fonte

https://noticias.r7.com/i


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

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