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Arqueólogos acham vestígios de produção de cerveja de 6.500 anos, com grãos germinados usados para produzir malte na Bulgária
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 22/09/2026 às 20:03
Atualizado em 22/09/2026 às 20:10
Ciência e Tecnologia
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Vaso encontrado em casa destruída por incêndio continha grãos germinados de trigo einkorn, indício de produção de malte por volta de 4500 a.C. no complexo pré-histórico búlgaro de Provadia-Solnitsata, segundo a equipe responsável pelas escavações
Um vaso quebrado encontrado dentro de uma casa destruída pelo fogo pode ter guardado um dos hábitos mais antigos já identificados no sítio pré-histórico de Provadia-Solnitsata, na Bulgária: a produção de cerveja. Os grãos encontrados no recipiente germinaram de uma forma associada à fabricação de malte e foram datados do período em torno de 4500 a.C.
A descoberta foi apresentada pelo arqueólogo Vasil Nikolov, responsável pela equipe que trabalha no complexo de Provadia-Solnitsata, considerado o mais antigo centro urbano e de produção de sal conhecido na Europa. O assentamento existiu entre 5600 e 4350 a.C.
Segundo Nikolov, a botânica Elena Marinova participou da análise do achado. Dentro do vaso estavam grãos de trigo einkorn de dois grãos que haviam germinado de maneira a produzir malte para cerveja.
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E é justamente esse detalhe que chamou a atenção dos pesquisadores.
Para Nikolov, o material representa provavelmente a evidência mais antiga conhecida da produção de cerveja no território que hoje corresponde à Bulgária e, possivelmente, em toda a Europa.
A interpretação apresentada pelo arqueólogo coloca essa atividade em Provadia-Solnitsata por volta de 4500 a.C.
Até então, explicou ele, acreditava-se que a fabricação da bebida tivesse começado durante a Idade do Bronze no Oriente Próximo e no Egito.
Casa de dois andares escondia porão e sinais da vida há cerca de 6,5 mil anos
A possível produção de cerveja apareceu no meio de uma temporada de escavações que revelou bem mais sobre a rotina dos moradores do assentamento.
Neste verão, a equipe continuou investigando casas do Calcolítico Tardio, aproximadamente da mesma época, por volta de 4500 a.C.
Uma delas possui cerca de 35 metros quadrados e revelou algo que ainda não havia ficado tão claro nas escavações: um porão relativamente grande.
Os buracos onde ficavam os postes de sustentação mostram a estrutura de dois andares. O piso do primeiro pavimento tem uma curvatura semelhante a uma calha e, abaixo dele, aparentemente existia uma espécie de adega.
Nikolov afirmou que as casas já encontradas no local tinham dois ou três pavimentos. O primeiro era destinado ao armazenamento de produtos, entre eles o sal. A família morava acima.
E sal não era pouca coisa naquele assentamento.
Um vaso totalmente preservado encontrado nesta temporada havia sido usado como molde na produção do produto.
Outros moldes menores serviam para formar lingotes vendidos aos clientes. De acordo com Nikolov, havia diferentes “denominações” desses moldes entre 4700 e 4350 a.C.
Segundo sua interpretação, o sal funcionava como moeda.
Ele não descartou que isso já ocorresse antes de 4700 a.C., embora tenha ressaltado que ainda não existem evidências diretas sobre como o produto deixava o assentamento. Uma das possibilidades apontadas pelo arqueólogo é que o sal fosse carregado em sacos.
Além da cerveja: Ferramentas, manteiga, armas e casas decoradas aparecem nas escavações
Os achados ajudam a montar um retrato curioso de uma comunidade que produzia muito mais do que sal.
Uma pedra polida, com dois orifícios, uma face plana e uma protuberância semelhante a um hemisfério, também apareceu durante os trabalhos.
Objetos parecidos já foram encontrados no sul da Bulgária, embora sejam raros e não tenham os mesmos furos.
Nikolov explicou que peças desse tipo podem ter sido usadas na fabricação de vasos de cerâmica. Naquele período, a roda de oleiro ainda não era conhecida pelos moradores, mas isso não impedia a produção de peças finas e bastante decoradas.
Outro objeto lembra um escorredor à primeira vista. A função, porém, seria outra: de acordo com o arqueólogo, o recipiente era usado para bater manteiga.
As escavações também trouxeram várias pontas de flecha, uma ponta de lança e um fragmento pontiagudo de sílex que pode ter servido como adaga para combate corpo a corpo.
Para Nikolov, as armas ajudam a explicar por que os moradores construíram fortificações no local.
Fragmentos de gesso pintado foram encontrados em quase todas as casas investigadas nesta temporada. Diferentes cores cobriam as paredes.
Em uma delas, apareceu inclusive um poste de madeira revestido de gesso e tinta vermelha, embora o estado de conservação não permita identificar a imagem.
Nikolov estima que aproximadamente 400 pessoas, incluindo crianças, viviam dentro do assentamento fortificado.
Na avaliação dele, esse grupo não seria suficiente para produzir sal, comerciar, cultivar alimentos e manter as fortificações ao mesmo tempo. Por isso, trabalhadores de aldeias próximas provavelmente eram contratados.
Vestígios trácios aparecem milhares de anos depois sobre o mesmo assentamento
As escavações ainda atravessam uma segunda história, muito mais recente que a ocupação pré-histórica.
Sobre o antigo assentamento foi construída a residência de um aristocrata trácio. O monte pré-histórico possui aproximadamente nove metros de altura, enquanto o monte funerário instalado acima chega a cerca de 13 metros. Entre uma ocupação e outra existe um intervalo aproximado de 4.300 anos.
Neste ano, os arqueólogos identificaram uma muralha maciça ligada à residência trácia, com base elevada de pedras e tijolos de barro na parte superior. Um portão alto também foi quase completamente desenterrado.
Uma camada branca de argila fina e caulim apareceu diretamente sobre os tijolos, acompanhada de desenhos.
Nikolov disse não conhecer paralelos para a pintura mural encontrada, atribuída ao século I a.C. A equipe pretende continuar estudando essas decorações nos próximos anos.
Em outra pedra, posicionada verticalmente, foram identificadas gravuras aparentemente feitas com uma faca. As figuras mostram um veado e duas corças. Uma quarta imagem, menos nítida, pode representar um cavalo.
Fontes: informações apresentadas pelo acadêmico e líder das escavações Vasil Nikolov sobre a temporada arqueológica em Provadia-Solnitsata e análises realizadas com participação da botânica Elena Marinova, conforme material-base fornecido.
Fonte
https://www.bta.bg/en/new
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

