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Arqueólogos retiram do fundo do mar peças colossais de uma das 7 Maravilhas do Mundo Antigo: blocos de até 80 toneladas revelam novos detalhes do Farol de Alexandria, desaparecido há séculos após terremotos devastadores

Arqueólogos retiram do fundo do mar peças colossais de uma das 7 Maravilhas do Mundo Antigo: blocos de até 80 toneladas revelam novos detalhes do Farol de Alexandria, desaparecido há séculos após terremotos devastadores

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Arqueólogos retiram do fundo do mar peças colossais de uma das 7 Maravilhas do Mundo Antigo: blocos de até 80 toneladas revelam novos detalhes do Farol de Alexandria, desaparecido há séculos após terremotos devastadores

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 13/09/2026 às 20:54

Atualizado em 13/09/2026 às 20:55

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Um dos grandes blocos associados ao Farol de Alexandria é içado por guindaste após ser retirado do fundo do Mediterrâneo, durante a operação arqueológica do Projeto PHAROS

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Operação arqueológica recuperou partes monumentais do Farol de Alexandria, incluindo peças de sua antiga entrada, enquanto cientistas tentam reconstruir em 3D a estrutura erguida há mais de 2 mil anos

Arqueólogos retiraram do fundo do Mediterrâneo 22 enormes blocos associados ao Farol de Alexandria, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Entre as peças estão elementos da entrada monumental da construção, alguns com peso estimado entre 70 e 80 toneladas.

A operação faz parte do Projeto PHAROS, conduzido pelo Centre d’Études Alexandrines (CEAlex) e pelo Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), com apoio da Fondation Dassault Systèmes. As peças estão sendo digitalizadas para ajudar pesquisadores a compreender como uma das construções mais extraordinárias da Antiguidade foi projetada e erguida.

Peças gigantes pertenciam à entrada monumental do farol

Blocos monumentais associados ao Farol de Alexandria após serem retirados do fundo do Mediterrâneo durante a operação arqueológica do Projeto PHAROS, com a Fortaleza de Qaitbay ao fundo, no Egito. Algumas das peças recuperadas chegam a pesar entre 70 e 80 toneladas. Foto: GEDEON Programmes / CEAlex

A campanha submarina realizada em 2025 concentrou-se em alguns dos maiores elementos arquitetônicos espalhados diante da atual Fortaleza de Qaitbay, em Alexandria.

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Foram recuperados lintéis, montantes da porta, uma soleira e grandes lajes da base do monumento. A dimensão dessas peças oferece uma amostra da complexidade enfrentada pelos construtores há mais de dois milênios.

Os arqueólogos também identificaram componentes de uma estrutura considerada especialmente importante para a interpretação do edifício: um pilono com uma porta de estilo egípcio executada com técnicas gregas.

A descoberta reforça a combinação de influências arquitetônicas presente no Egito durante o período helenístico.

A operação está sob responsabilidade científica da arqueóloga e arquiteta Isabelle Hairy, pesquisadora do CNRS e uma das principais responsáveis pelas investigações submarinas do monumento.

Cada pedra é transformada em um modelo digital de alta precisão

O objetivo do projeto não é reconstruir fisicamente o farol com as pedras retiradas do mar.

Os fragmentos passam por fotogrametria, técnica que utiliza numerosas fotografias de diferentes ângulos para produzir representações tridimensionais detalhadas de cada peça.

Os modelos digitais são analisados por arqueólogos, arquitetos e engenheiros, que procuram determinar a posição original dos elementos dentro da construção.

A tecnologia permite testar encaixes entre pedras, dimensões, sistemas de distribuição de peso e diferentes hipóteses arquitetônicas sem movimentar fisicamente blocos de dezenas de toneladas.

O trabalho também pode ajudar a esclarecer questões ainda abertas sobre os espaços internos do farol, suas aberturas, materiais empregados, circulação e técnicas construtivas.

Mais de 5 mil blocos já foram registrados no sítio arqueológico submarino

Mergulhadores acompanham a retirada de um dos grandes blocos associados ao Farol de Alexandria do fundo do Mediterrâneo, durante a operação arqueológica do Projeto PHAROS, que recuperou peças monumentais da antiga estrutura. Foto: Projeto PHAROS / CEAlex

Os elementos retirados representam apenas uma pequena parte de um sítio arqueológico muito maior.

As escavações sistemáticas conduzidas pelo CEAlex começaram em 1994, diante da costa de Alexandria. Desde então, novas tecnologias passaram a permitir um levantamento cada vez mais detalhado da área.

Segundo dados divulgados pela revista especializada Archaeology Magazine, pesquisadores processaram aproximadamente 143 mil fotografias, documentaram cerca de 70% da área investigada e registraram mais de 5 mil blocos.

Nem todos pertencem necessariamente ao Farol de Alexandria. A região reúne também vestígios de outras construções da cidade antiga e elementos arquitetônicos reutilizados ao longo dos séculos.

O próprio CEAlex estima que os vestígios associados ao conjunto representam cerca de 7 mil toneladas de pedra, quantidade equivalente a menos de 10% da massa originalmente empregada na construção.

Mais de 2 mil grampos metálicos revelam uma engenharia sofisticada

As investigações também estão mostrando como os antigos construtores conseguiram manter unidos blocos de dimensões monumentais.

Arqueólogos encontraram mais de 2 mil grampos metálicos utilizados na estrutura, além de elementos feitos de materiais como ferro, chumbo e bronze.

A quantidade chamou a atenção dos pesquisadores porque metais eram materiais valiosos na Antiguidade e frequentemente eram retirados de construções abandonadas para reaproveitamento.

Essas peças ajudam a explicar como uma torre de dimensões extraordinárias pôde ser construída em um período relativamente curto.

Estudos atuais trabalham com uma duração de aproximadamente 15 anos para a construção do monumento.

Farol ultrapassava 100 metros e dominava a entrada de Alexandria

Reconstituição em guache do início do século XX mostra uma interpretação artística do Farol de Alexandria (Pharos) e do Grande Porto da antiga cidade. A imagem integra a coleção do autor e representa uma visão histórica do monumento; pesquisas mais recentes, porém, sugerem que a torre pode não ter sido o elemento mais importante de todo o complexo arquitetônico. Imagem: coleção do autor / reprodução histórica em guache

O Farol de Alexandria começou a ser construído no início do século III a.C., durante o governo de Ptolomeu I, e foi concluído sob seu sucessor, Ptolomeu II.

Erguido na antiga ilha de Faros, o edifício tinha uma função essencial para uma cidade que se transformava em um dos grandes centros comerciais do Mediterrâneo.

A costa da região apresentava águas perigosas, baixios e recifes, e a enorme torre servia como referência para embarcações que se aproximavam do porto.

Não existe consenso absoluto sobre sua altura original. Diferentes reconstruções propõem medidas distintas, mas as estimativas mais aceitas indicam que o edifício ultrapassava 100 metros.

A Archaeology Magazine trabalha com cerca de 350 pés, aproximadamente 107 metros, enquanto outras interpretações sugerem dimensões maiores.

Além de sua função náutica, a torre representava uma demonstração monumental do poder e da capacidade técnica da dinastia ptolomaica.

Terremoto de 1303 marcou o colapso definitivo do monumento

O farol conseguiu permanecer em funcionamento durante quase 16 séculos, um período excepcional para uma construção daquele porte.

Seu declínio ocorreu após sucessivos terremotos que atingiram Alexandria.

Um dos episódios decisivos aconteceu em 8 de agosto de 1303, quando um forte terremoto acompanhado por tsunami provocou graves danos na cidade e atingiu o monumento.

Depois disso, a torre nunca recuperou plenamente sua função.

Nas décadas seguintes, novos abalos e a deterioração da estrutura ampliaram os danos. Partes do edifício desabaram no Mediterrâneo, enquanto pedras que permaneceram acessíveis começaram a ser reutilizadas em outras construções.

No século XV, o local passou a ser ocupado pela Fortaleza de Qaitbay, construída justamente na área onde o antigo farol havia dominado a entrada do porto.

Por isso, a referência aos “1.600 anos” encontrada em algumas publicações precisa ser interpretada corretamente: o farol funcionou durante quase 16 séculos, mas suas ruínas não permaneceram submersas durante todo esse período.

Projeto tenta descobrir como uma das Sete Maravilhas realmente funcionava

Operação arqueológica recuperou partes monumentais do Farol de Alexandria, incluindo peças de sua antiga entrada, enquanto cientistas tentam reconstruir em 3D a estrutura erguida há mais de 2 mil anos

O Projeto PHAROS entrou em sua atual fase em 2023 e combina arqueologia submarina, arquitetura, engenharia, representações antigas, moedas, documentos históricos e ferramentas digitais.

Essa combinação permite testar hipóteses que não poderiam ser verificadas apenas observando as pedras no fundo do mar.

Entre as questões estudadas estão a organização dos pavimentos, a distribuição das cargas, o formato de diferentes partes da estrutura e as razões pelas quais determinadas áreas sobreviveram por tantos séculos enquanto outras desmoronaram.

As pedras gigantes retiradas em 2025 fornecem dados especialmente importantes porque podem ser examinadas fora das condições difíceis do ambiente submarino e digitalizadas com grande precisão.

Mesmo que apenas uma parcela do edifício tenha sobrevivido, milhares de fragmentos espalhados pelo Mediterrâneo continuam fornecendo pistas.

Mais de dois mil anos depois de sua construção, a tecnologia está permitindo aos pesquisadores fazer algo que durante séculos dependeu quase exclusivamente de desenhos, descrições e hipóteses: reconstruir cientificamente, peça por peça, a arquitetura de uma das mais famosas Sete Maravilhas do Mundo Antigo.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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