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Atmosfera da Terra bate recorde de vapor d’água desde 1979, soma 20 trilhões de litros extras e aumenta alerta para chuvas e tempestades extremas
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 26/09/2026 às 14:09
Atualizado em 26/09/2026 às 14:33
Ciência e Tecnologia
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Dados do Copernicus mostram 27,35 kg/m² de vapor d’água na atmosfera em agosto, maior nível desde 1979, enquanto oceanos quentes e El Niño ajudam a explicar o avanço da umidade global e seus possíveis impactos
A atmosfera da Terra registrou em agosto a maior quantidade média de vapor d’água desde o início da série histórica, em 1979. O volume chegou a 27,35 quilogramas por metro quadrado, segundo dados do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S), superando o recorde anterior observado em julho de 2024.
A diferença parece quase insignificante. Não é. O novo resultado ficou apenas 0,04 kg/m² acima do recorde anterior, mas, quando esse aumento é considerado em escala planetária, representa cerca de 20 trilhões de litros adicionais de água presentes na atmosfera.
O número ajuda a mostrar uma mudança que não aparece apenas nos termômetros. Com temperaturas mais altas, a atmosfera consegue armazenar uma quantidade maior de umidade. E isso pode ter efeitos diretos sobre determinados eventos meteorológicos.
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Recorde mede toda a água disponível em uma coluna da atmosfera
Os 27,35 kg/m² não significam que exista uma enorme camada de água pairando sobre a superfície pronta para cair de uma vez.
O indicador usado é conhecido como água precipitável. Ele mede a quantidade total de vapor d’água existente em uma coluna de ar que começa na superfície terrestre e segue até as camadas superiores da atmosfera.
Esse vapor tem duas funções centrais no sistema climático. É parte do ciclo natural da água, participando da formação de nuvens e chuvas, mas também funciona como um potente gás de efeito estufa.
Segundo Julien Nicolas, cientista sênior do C3S, existe uma relação direta entre o aquecimento e a capacidade do ar de armazenar umidade: a cada aumento de 1°C na temperatura, o ar pode reter aproximadamente 7% mais vapor d’água.
Na prática, uma atmosfera mais quente passa a ter espaço para carregar mais água em forma de vapor.
Mais umidade pode alimentar chuvas e tempestades intensas
Ter mais vapor disponível não significa que todos os lugares do planeta enfrentarão automaticamente mais chuva. O efeito depende da circulação atmosférica e das condições encontradas em cada região.
Mas há um mecanismo importante.
Quando o vapor sobe, esfria e se condensa para formar gotas dentro das nuvens, ocorre liberação de calor.
Essa energia pode contribuir para alimentar sistemas de tempestades e, quando outros fatores atmosféricos também estão presentes, favorecer precipitações mais intensas.
É aí que o recorde preocupa.
Uma atmosfera carregada com uma quantidade maior de umidade possui mais água disponível para determinados episódios de chuva extrema.
Nos ciclones tropicais, o mesmo processo pode favorecer volumes maiores de precipitação e fornecer energia adicional ao sistema.
Isso, porém, não permite concluir que todo temporal ou episódio extremo tenha como causa direta o recorde global. As condições locais continuam sendo decisivas.
Oceanos mais quentes e El Niño ajudaram a elevar a umidade
O comportamento dos oceanos também entrou nessa conta. Eles são a principal fonte de vapor d’água da atmosfera e, quanto mais quente fica a superfície do mar, maior tende a ser a evaporação.
Em agosto, as águas do Pacífico tropical apresentavam temperaturas particularmente elevadas, dentro de um contexto de fortalecimento do El Niño.
Segundo o Copernicus, essas condições provavelmente contribuíram para o recorde de umidade atmosférica.
O dado coincidiu ainda com temperaturas globais excepcionalmente elevadas.
De acordo com o material do C3S, agosto de 2026 teve temperatura média global de 16,96°C e foi o agosto mais quente registrado na série ERA5. O mês também empatou com julho de 2023 como o mais quente de todo o calendário dentro dessa base de dados.
O recorde de vapor d’água mostra, assim, uma ligação direta entre diferentes partes do sistema climático. Oceanos mais quentes elevam a evaporação.
O ar aquecido consegue carregar mais umidade. E essa água adicional passa a ficar disponível para nuvens, tempestades e precipitações quando as condições atmosféricas permitem.
Não é apenas o termômetro que está mudando. A própria quantidade de água circulando pela atmosfera também atingiu um nível sem precedentes na série iniciada em 1979.
Fontes: Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S) e dados da série ERA5, conforme informações apresentadas no material-base fornecido.
Fonte
https://www.tempo.com/not
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

