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Austrália declara guerra a camundongos em ilha 450 km mar adentro, coloca hexacóptero para despejar 700 kg e mais de 266 mil iscas contra invasores que dominavam o local havia mais de um século e, seis meses depois, caçada com 400 armadilhas, câmeras e scanners térmicos não encontra nenhum restante

Austrália declara guerra a camundongos em ilha 450 km mar adentro, coloca hexacóptero para despejar 700 kg e mais de 266 mil iscas contra invasores que dominavam o local havia mais de um século e, seis meses depois, caçada com 400 armadilhas, câmeras e scanners térmicos não encontra nenhum restante

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Austrália declara guerra a camundongos em ilha 450 km mar adentro, coloca hexacóptero para despejar 700 kg e mais de 266 mil iscas contra invasores que dominavam o local havia mais de um século e, seis meses depois, caçada com 400 armadilhas, câmeras e scanners térmicos não encontra nenhum restante

Escrito por Ana Alice

Publicado em 03/09/2026 às 18:36

Atualizado em 03/09/2026 às 18:37

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Austrália usa drone para espalhar 700 kg de iscas contra camundongos em ilha remota; seis meses depois, nenhuma armadilha detecta roedores. – Imagem: Ilustrativa

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Uma pequena ilha australiana tomada por camundongos durante mais de um século virou cenário de uma operação incomum que combinou drones, centenas de milhares de iscas, armadilhas, câmeras e sensores térmicos em uma tentativa inédita de recuperação ambiental.

Durante mais de um século, uma pequena ilha australiana de apenas 17 hectares conviveu com milhares de camundongos introduzidos pelo ser humano.

Retirá-los dali parecia especialmente complicado: a vegetação é densa, o calor é intenso e chegar ao local exige uma longa viagem pelo mar.

A solução encontrada foi levar um hexacóptero construído especialmente para espalhar veneno com precisão sobre praticamente toda a ilha.

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A operação aconteceu em outubro de 2025 na Browse Island Nature Reserve, uma ilha desabitada da Austrália Ocidental localizada a cerca de 450 quilômetros de Broome.

Ao todo, o drone espalhou mais de 266.500 pellets verdes, somando aproximadamente 700 quilos de isca, em uma tentativa de eliminar a população invasora de camundongos.

A primeira grande verificação veio seis meses depois.

Em abril de 2026, pesquisadores retornaram com 400 armadilhas, câmeras acionadas por movimento e scanners térmicos.

Depois de três dias procurando sobreviventes, nenhum camundongo foi detectado.

O resultado foi divulgado em julho, mas ainda não significa oficialmente que a espécie foi erradicada.

Segundo o Departamento de Biodiversidade, Conservação e Atrações da Austrália Ocidental, o reconhecimento definitivo só poderá ocorrer após 12 meses sem novas detecções, prazo que termina em outubro de 2026.

Browse Island convivia com camundongos havia mais de um século

Browse Island ocupa apenas 17 hectares, área equivalente a aproximadamente 24 campos de futebol.

Apesar do tamanho reduzido, a ilha tem importância para aves marinhas que percorrem grandes distâncias e dependem de pequenas porções de terra para descansar e se reproduzir.

Esse cenário já foi muito diferente.

No século XIX, Browse Island chegou a ser descrita como um importante local de reprodução de aves marinhas.

Browse Island tem apenas 17 hectares e fica em uma das áreas mais remotas da Austrália Ocidental, onde camundongos invasores estavam presentes havia mais de um século. Crédito: DBCA / Governo da Austrália Ocidental.

Depois vieram a mineração de guano, atividade que retirava depósitos formados principalmente por excrementos de aves, e profundas alterações na paisagem.

Os camundongos domésticos do sudeste asiático também chegaram à ilha, provavelmente associados à atividade humana e à passagem de embarcações.

Estudos genéticos identificaram os animais como Mus musculus castaneus.

Com o tempo, a população aumentou.

Levantamentos anteriores chegaram a encontrar densidades tão elevadas que centenas de animais podiam ser capturados durante uma única noite de trabalho.

Além de competir por recursos, os roedores passaram a representar uma ameaça aos ninhos.

Eles podem atacar ovos deixados temporariamente sem proteção, justamente no período em que aves que passam a maior parte da vida no oceano precisam voltar à terra para se reproduzir.

Vegetação densa dificultava o uso de métodos tradicionais

Eliminar roedores de ilhas não é uma ideia nova.

Projetos desse tipo já foram realizados em diferentes partes do mundo usando distribuição manual de iscas ou helicópteros.

Browse Island apresentava um problema particular.

A vegetação local é formada por arbustos altos e plantas entrelaçadas que tornam difícil caminhar em linhas regulares.

Para uma erradicação funcionar, porém, não pode haver grandes áreas sem isca, porque um pequeno número de sobreviventes seria suficiente para iniciar novamente a população.

A localização remota acrescentava outro obstáculo.

O governo da Austrália Ocidental descreve Browse Island como sua reserva natural mais remota.

Ela fica aproximadamente 450 quilômetros de Broome, embora esteja a cerca de 175 a 180 quilômetros do trecho mais próximo da costa de Kimberley.

Por isso, números diferentes podem aparecer dependendo do ponto usado como referência.

Foi nesse cenário que pesquisadores da Monash University, profissionais do Parks and Wildlife Service e especialistas em drones passaram a considerar uma distribuição aérea muito mais compacta do que a realizada por helicópteros.

Hexacóptero carregava 10 quilos de iscas por voo

A empresa neozelandesa Envico Technologies desenvolveu um hexacóptero capaz de transportar cerca de 10 quilos de iscas por voo.

Em vez de voar aleatoriamente, o equipamento seguia trajetórias programadas sobre os 17 hectares.

Mike Jensen, da Envico Technologies, comparou o padrão ao movimento realizado ao cortar um gramado: o drone avançava em uma direção, retornava pela faixa seguinte e repetia o processo até cobrir toda a área.

Depois, também percorria as bordas da ilha.

A precisão era parte essencial da operação.

“Temos que ser realmente precisos e cobrir cada centímetro quadrado”, explicou Jensen no material divulgado pelo Departamento de Biodiversidade, Conservação e Atrações.

Durante três dias, mais de 266.500 pellets foram distribuídos pelo drone.

Hexacóptero construído para a operação espalha pellets verdes sobre Browse Island; mais de 266.500 iscas, cerca de 700 quilos, foram utilizadas. Crédito: DBCA / via ABC News.

O procedimento não terminou ali.

Cerca de duas semanas depois, uma segunda aplicação foi realizada para atingir possíveis animais que tivessem sobrevivido à primeira distribuição.

Iscas verdes foram espalhadas por toda a ilha

As pequenas peças espalhadas pelo drone foram produzidas especificamente para serem consumidas pelos roedores.

O objetivo não era concentrar grandes montes de alimento em determinados lugares, mas criar uma cobertura suficientemente uniforme para aumentar a probabilidade de que todos os camundongos tivessem acesso à isca.

As equipes permaneceram na ilha após a primeira aplicação para observar o consumo e verificar sinais da presença dos animais.

Segundo o DBCA, o projeto é considerado a primeira tentativa conhecida de erradicar camundongos domésticos de uma ilha utilizando drones para distribuir as iscas.

A tecnologia já havia sido empregada anteriormente em ações relacionadas a ratos, mas não nesse contexto específico com camundongos.

O pesquisador Rohan Clarke, da Monash University, classificou a operação como ambiciosa justamente pela combinação entre localização remota, dimensão do problema e necessidade de distribuir o produto com precisão.

Imagem aérea mostra a distribuição das iscas sobre a vegetação de Browse Island, onde áreas sem cobertura poderiam permitir a sobrevivência de alguns camundongos. Crédito: DBCA / via ABC News.

Equipe voltou seis meses depois para procurar sobreviventes

A etapa mais curiosa veio em abril de 2026.

Se o objetivo era eliminar todos os camundongos, simplesmente não ver animais andando pela ilha não seria suficiente.

Era necessário criar várias maneiras de detectar até uma população muito pequena.

Pesquisadores e gestores ambientais voltaram para Browse Island e espalharam 400 armadilhas, além de instalar câmeras com sensores de movimento.

À noite, scanners térmicos ajudaram a procurar pequenos animais pela diferença de temperatura em relação ao ambiente.

Depois de três dias de monitoramento, todos os métodos chegaram ao mesmo resultado: nenhum camundongo foi localizado.

“Não encontramos, felizmente, nenhum camundongo, então esse é um resultado fantástico, o melhor que poderíamos esperar”, afirmou Bruce Greatwich, coordenador de conservação do Parks and Wildlife Service, à ABC.

Erradicação ainda depende de nova avaliação

O resultado de abril é um sinal importante, mas os responsáveis evitam considerar a missão encerrada.

Em projetos de erradicação, não encontrar o animal não significa automaticamente provar que não existe nenhum indivíduo escondido.

Por isso, Browse Island continua em monitoramento.

O DBCA informou que somente depois de um ano desde a aplicação inicial, em outubro de 2026, haverá condições para avaliar formalmente se os camundongos realmente foram erradicados.

Essa diferença é importante.

Até setembro de 2026, o que existe é um resultado preliminar muito positivo: seis meses depois da operação, nenhuma das ferramentas de detecção encontrou roedores.

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Cerca de 20 mil aves marinhas já visitam Browse Island

Retirar os camundongos tem um objetivo maior do que simplesmente deixar a ilha sem uma espécie invasora.

Browse Island já foi um importante ponto de reprodução de aves marinhas.

Décadas de alterações ambientais reduziram drasticamente essa função, mas sinais de recuperação começaram a aparecer antes mesmo da operação.

Segundo o DBCA, cerca de 70 espécies de aves já foram registradas na ilha.

Antes de 2018, não havia evidências recentes de aves reproduzindo ou utilizando o local regularmente para descanso.

Nos anos seguintes, o cenário começou a mudar, e aproximadamente 20 mil aves marinhas passaram a visitar Browse Island.

A expectativa dos pesquisadores é que a retirada dos camundongos aumente as chances de essas aves voltarem também a construir ninhos e completar seus ciclos reprodutivos no local.

O experimento acaba mostrando como uma área de apenas 17 hectares pode exigir uma operação tecnológica incomum.

Para tentar corrigir uma alteração ecológica iniciada mais de um século atrás, a equipe combinou barcos, pesquisa biológica, centenas de armadilhas, sensores térmicos e um hexacóptero programado para cruzar repetidamente uma pequena ilha no oceano, carregando dez quilos de pellets verdes por vez.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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