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BMW testa reciclagem de carros descartados e eleva de 6% para 51% o potencial de recuperar materiais com qualidade para novos usos industriais
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 23/09/2026 às 22:56
Atualizado em 23/09/2026 às 23:48
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A reciclagem de carros descartados pode preservar mais materiais para uso na indústria automotiva, mas o resultado de 51% foi obtido em condições de pesquisa e ainda depende de investimentos para chegar à produção em larga escala.
A diferença entre 6% e 51% é o principal resultado de um teste de reciclagem de carros descartados divulgado em 10 de agosto de 2026. A taxa mede a parcela de materiais que, em princípio, pode ser recuperada com qualidade suficiente para voltar a aplicações automotivas. Ela não indica quantos carros velhos já foram transformados em veículos novos.
O resultado faz parte do projeto Car2Car. O BMW Group, fabricante de veículos que liderou a pesquisa, reuniu empresas e universidades para testar formas de separar e reaproveitar materiais de veículos no fim da vida útil. O avanço foi mais forte para aço, alumínio e cobre.
Por que a taxa de recuperação passou de 6% para 51%
No teste com métodos comuns no mercado, o projeto alcançou uma taxa geral de 6%. Quando ampliou as etapas de processamento e separação, chegou a 51%. A comparação considera cinco grupos de materiais estudados e mede a possibilidade de recuperá-los com qualidade, não apenas de encaminhá-los à reciclagem.
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O processo começa com uma separação mais cuidadosa dos materiais. Depois, os veículos passam por uma trituração ajustada para facilitar as etapas seguintes. Os fragmentos são classificados, e sensores ajudam a identificar e separar os diferentes materiais. O projeto também testou uma separação mais precisa das ligas de alumínio, que têm composições diferentes.
Essas etapas exigem mais estrutura do que a reciclagem convencional usada como referência no ensaio. Por isso, 51% representa o potencial observado nas condições testadas, e não uma taxa já alcançada de forma rotineira por recicladoras.
O cobre misturado ao aço era um dos principais obstáculos
Um carro descartado contém fios, conectores e outras peças com cobre. Quando esse metal permanece misturado à sucata de aço, pode prejudicar a qualidade do material destinado à fabricação de novas chapas para automóveis.
A equipe acrescentou uma etapa de separação para reduzir essa mistura. Com o aço mais limpo, foi possível produzir chapas adequadas às exigências de aplicações automotivas. Entre os materiais estudados, o aço teve a maior mudança na taxa medida pelo projeto: de 1% para 81%.
O BMW Group, fabricante de veículos responsável pela divulgação dos resultados, informou que o aço recuperado passou por testes de material e qualidade. Na fábrica da empresa em Leipzig, mais de 100 mil peças de produção em série foram feitas com esse aço e instaladas em veículos. Esse teste demonstra uma aplicação industrial concreta, embora o processo completo de recuperação ainda não esteja amplamente disponível no mercado.
Alumínio e cobre também ganharam espaço para novos usos
O potencial de recuperação com qualidade subiu de 23% para 52% no alumínio e de 48% para 68% no cobre. Os números mostram que separar melhor os materiais pode preservar características necessárias para seu retorno à indústria automotiva.
No caso do alumínio, identificar ligas diferentes faz parte desse cuidado. Misturar materiais de composições distintas dificulta a obtenção da qualidade exigida para determinadas peças. O projeto, portanto, avaliou não só quanto material poderia ser recuperado, mas também se ele atenderia às exigências de um novo uso.
Por que vidro e plástico ainda são difíceis de reaproveitar
O avanço observado com os metais não se repetiu na mesma medida com vidro e plástico. A variedade de materiais presentes em um carro e a presença de peças feitas com mais de um componente dificultam a separação.
Para os plásticos, a pesquisa aponta a necessidade de combinar diferentes técnicas de classificação e processamento. O objetivo é obter, de forma constante, material com qualidade suficiente para retornar a aplicações automotivas. Vidro e plástico ainda precisam de mais desenvolvimento para alcançar resultados comparáveis aos dos metais.
O que falta para a reciclagem de carros descartados ganhar escala
O teste envolveu 433 veículos de 60 modelos do BMW Group, incluindo veículos de teste com menos de cinco anos. Os resultados mostram que a recuperação de materiais com alta qualidade é tecnicamente possível, mas também deixam claro o limite da comparação: ela foi feita em condições de pesquisa e demonstração.
Para aplicar os métodos em larga escala, serão necessários investimentos em desmontagem, separação e infraestrutura de reciclagem. O projeto também aponta a importância de condições de mercado e modelos de negócio capazes de sustentar essas etapas.
A passagem de 6% para 51% mostra quanto a forma de processar um carro descartado pode influenciar o destino de seus materiais. O teste com peças de aço comprova que parte desse caminho já funciona em uma cadeia industrial real.
Ainda assim, o potencial medido pelo projeto não equivale à reciclagem em massa de carros velhos para fabricar novos veículos. Você acha que uma separação mais cuidadosa dos materiais deveria se tornar prioridade na reciclagem automotiva? Conte nos comentários.
Fonte
BMW Group
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

