O candidato ao governo do Acre Tião Bocalom (PSDB) questionou Alan Rick (Republicanos), durante o primeiro debate entre os candidatos ao governo, realizado nesta sexta-feira (11), sobre o processo de empobrecimento do Estado ao longo das últimas décadas.
Bocalom afirmou que o Acre era o quarto Estado mais pobre do país há cerca de 30 anos e chegou à posição de mais pobre, questionando Alan sobre as políticas adotadas nesse período.
Na resposta, Alan Rick concordou que o Acre perdeu capacidade econômica e atribuiu parte do resultado à ineficiência do governo atual. “É muito importante dizer que realmente o nosso Acre empobreceu. O candidato Bocalom tem razão. Nosso Estado, para se ter ideia, o PIB per capita do Acre caiu ao longo dos últimos anos por conta da ineficiência do atual governo”, afirmou.
Alan disse, porém, que o Estado tem potencial para reduzir a pobreza por meio do fortalecimento da produção e da industrialização. Segundo ele, uma das prioridades será agregar valor aos produtos acreanos.
“Primeiro ponto: fazer o nosso Estado produzir mais, agregando valor aos nossos produtos, porque nós não temos uma agropecuária forte. O nosso rebanho bovino chegou a 5 milhões e 300 mil cabeças de gado”, disse.
O candidato também citou o crescimento da produção de café e afirmou que tem apoiado cooperativas com equipamentos, mudas, calcário e adubo, além de ações de mecanização e assistência técnica rural. Alan mencionou ainda entregas realizadas por meio do programa Inova, em parceria entre a bancada federal do Acre e o governo federal.
Na sequência, defendeu a industrialização da produção local, incluindo madeira e atividades ligadas à bioeconomia. Alan também criticou o atual governo pela falta de implantação de indústrias na Zona de Processamento de Exportação (ZPE).
“Temos que industrializar o que nós produzimos. Temos que agregar valor, não só na produção agrícola, mas também na nossa madeira, na nossa bioeconomia, que o Acre tem potencial, e trazer indústrias para a ZPE”, afirmou.
Alan também prometeu criar um gabinete dentro da estrutura do governo para buscar investimentos privados e atrair indústrias e empresas para o Estado.
Na réplica, Bocalom afirmou que a experiência de Acrelândia, onde foi prefeito por três mandatos, demonstra a relação entre produção rural e desenvolvimento econômico. Ele citou a presença de cinco bancos no município como reflexo, segundo ele, da circulação de dinheiro gerada pela atividade agrícola.
“Eu fico feliz, como o candidato Alan falou, de produzir. Realmente, gente, não tem outra saída. Vá à Acrelândia. Acrelândia tem cinco bancos lá. Por que tem cinco bancos? Porque tem dinheiro na praça. E tem dinheiro na praça porque tem produção”, afirmou.
Bocalom disse que a agricultura familiar foi responsável por esse processo e reivindicou para sua gestão em Acrelândia iniciativas que, segundo ele, serviram como laboratório para um modelo que pretende ampliar para todo o Acre.
O candidato também citou ações realizadas durante sua gestão como prefeito de Rio Branco, como recuperação de estradas rurais, distribuição de calcário e mecanização para a agricultura familiar.
“Estou vendo hoje todo mundo falando de plantar café, plantar café, plantar café. Está vendo como o Bocalom não estava errado? E eu quero fazer isso e vou fazer o Estado inteiro”, declarou.
Na tréplica, Alan Rick voltou a defender a necessidade de resolver entraves fundiários e ambientais para ampliar a produção rural. Ele afirmou que seu eventual governo fará uma força-tarefa para enfrentar problemas de regularização fundiária e embargos ambientais.
“Para que nós possamos produzir ainda mais, precisamos resolver o problema da regularização fundiária rural e dos embargos ambientais que afetam pesadamente quem produz no Acre”, disse.
Segundo Alan, a força-tarefa envolveria órgãos estaduais e federais, entre eles Iteracre, Imac, Sema, Incra e Ibama, além da Procuradoria-Geral do Estado. A proposta, afirmou, é regularizar áreas rurais e permitir que produtores tenham acesso a crédito e insumos. “Desta maneira, vamos garantir acesso ao crédito, acesso a insumos, a produção vai melhorar”, afirmou.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

