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Bola de fogo cruza o céu de pequena cidade do Rio, meteorito se despedaça e transforma Varre-Sai em destino de caçadores de pedras espaciais, prefeito oferece bicicletas a estudantes que acharem fragmentos e casal boliviano acaba detido no aeroporto tentando levar três pedaços
Escrito por Ana Alice
Publicado em 07/09/2026 às 21:30
Atualizado em 07/09/2026 às 21:31
Curiosidades
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Uma bola de fogo, pedras vindas do espaço e uma cidade pequena transformada em ponto de encontro de pesquisadores, moradores e colecionadores criaram uma história que ainda guarda detalhes curiosos mais de uma década depois.
Por alguns segundos, o céu sobre uma pequena cidade do interior do Rio de Janeiro deixou de parecer comum.
Uma bola de fogo atravessou a atmosfera, produziu um forte estrondo e espalhou fragmentos de uma rocha formada há bilhões de anos.
Nos dias seguintes, pedaços encontrados entre plantações transformariam Varre-Sai em destino de pesquisadores, moradores e caçadores de meteoritos.
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O episódio aconteceu em 19 de junho de 2010, mas ganhou um detalhe novo muitos anos depois.
O meteorito Varre-Sai continua oficialmente reconhecido pela Meteoritical Society e aparece atualmente classificado como um condrito ordinário do tipo L5, com massa total registrada de aproximadamente 2,5 quilos.
A ficha internacional do objeto recebeu inclusive uma pequena revisão de coordenadas em janeiro de 2026.
A queda colocou uma cidade então com cerca de 8,6 mil habitantes no centro de uma disputa incomum.
A prefeitura chegou a oferecer bicicletas a estudantes que encontrassem novos fragmentos, colecionadores estrangeiros viajaram até a região e pedras começaram a ganhar valores que pareciam incompatíveis com sua aparência escura e irregular.
O motivo estava no que aquelas rochas guardavam.
Segundo a pesquisadora Maria Elizabeth Zucolotto, do Museu Nacional, o material de Varre-Sai tem cerca de 4,56 bilhões de anos, idade próxima à formação do Sistema Solar.
Uma bola de fogo apareceu antes das pedras serem encontradas
Para entender por que uma pedra aparentemente comum provocou tamanha movimentação, é preciso voltar àquele sábado de junho.
Relatos reunidos após o fenômeno indicam que moradores observaram um objeto luminoso atravessando o céu, acompanhado de um estrondo.
O fenômeno foi visto em uma área que alcançou diferentes pontos do Sudeste.
Quando um objeto vindo do espaço entra na atmosfera em alta velocidade e produz um clarão intenso, o fenômeno luminoso pode ser chamado de meteoro ou, quando particularmente brilhante, de bólido.
Se parte desse material resiste à passagem pela atmosfera e chega ao solo, então o fragmento recebe o nome de meteorito.
Em Varre-Sai, foi exatamente isso que aconteceu.
O agricultor Germano da Silva Oliveira relatou ter visto o clarão e ouvido a explosão.
No dia seguinte, ao procurar nas proximidades de sua propriedade, encontrou uma pedra acinzentada com aproximadamente 600 gramas e 12 centímetros.
À primeira vista, não havia como saber que aquele pedaço tinha origem extraterrestre.
Uma professora ajudou a perceber que a pedra não era comum
Germano levou o material para uma escola da região.
A professora Filomena Ridolphi, que tinha contato com atividades da Olimpíada Brasileira de Astronomia, suspeitou que a pedra poderia ser um meteorito.
Especialistas foram acionados e a pesquisadora Maria Elizabeth Zucolotto, do Museu Nacional, viajou até Varre-Sai para examinar o material.
A análise confirmou que se tratava de um condrito, um tipo de meteorito rochoso.
A importância científica ultrapassava a curiosidade causada pela queda.
Meteoritos desse tipo preservam materiais muito antigos e ajudam pesquisadores a investigar processos relacionados aos primeiros estágios de formação do Sistema Solar.
O pedaço encontrado por Germano também não parecia ser o único.
Novos fragmentos começaram a aparecer na região, inclusive do outro lado da divisa estadual, em Guaçuí, no Espírito Santo.
Estudos científicos relacionaram esses pedaços ao mesmo evento ocorrido em 19 de junho de 2010.
Assista o vídeo
Prefeitura ofereceu bicicletas para quem encontrasse meteoritos
Com a confirmação científica, o que começou como um fenômeno observado por moradores rapidamente virou uma espécie de caça ao tesouro.
A Prefeitura de Varre-Sai queria que parte do material permanecesse na cidade e resolveu envolver os estudantes.
O então prefeito Everardo Ferreira anunciou bicicletas como recompensa para alunos que localizassem novos fragmentos.
“Queremos incentivar os alunos para que estudem a região, vivenciem esse achado tão importante para a cidade. E queremos também que o meteorito fique em Varre-Sai”, afirmou à época.
A ideia também estava ligada ao turismo.
Ferreira falava naquele momento na criação de um museu astronômico que pudesse transformar a queda em parte da identidade do município.
A maior pedra encontrada por Germano acabou sendo adquirida posteriormente pela prefeitura.
Fontes especializadas registram que o negócio ficou em torno de R$ 16 mil, permitindo que o município preservasse o fragmento em vez de vê-lo seguir para coleções particulares.
Caçadores estrangeiros começaram a chegar a Varre-Sai
O interesse não ficou limitado a pesquisadores brasileiros.
A notícia de que pedaços de um meteorito recém-caído poderiam estar espalhados entre plantações e propriedades rurais começou a atrair colecionadores.
Reportagens publicadas em julho de 2010 pelo portal Diário do Grande ABC descreviam Varre-Sai como destino de “caçadores de meteoritos”, incluindo visitantes estrangeiros interessados em comprar ou encontrar fragmentos por conta própria.
Naquele mercado, pequenos pedaços podiam alcançar valores altos justamente por terem origem confirmada em uma queda observada.
Também surgiram estimativas de que um fragmento maior ainda poderia estar escondido em algum ponto da região.
Na época, pesquisadores chegaram a considerar a possibilidade de existir uma peça de aproximadamente 20 quilos, embora esse fragmento não tenha sido localizado com segurança.
A procura chamou atenção inclusive para uma questão que ainda gera discussão no Brasil: quem pode possuir, vender ou retirar do país uma pedra que caiu do espaço.
Fragmentos chegaram até o Aeroporto do Galeão
Um dos episódios mais curiosos ocorreu poucas semanas depois da queda.
Reportagens contemporâneas registraram que um casal de bolivianos foi detido no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro com três pedaços associados ao meteorito de Varre-Sai.
As matérias identificavam os estrangeiros como Benjamin Rivera e Cláudia Avellar.
Anos depois, outros registros especializados e jurídicos passaram a mencionar especificamente um comprador boliviano detido ao tentar deixar o Brasil com fragmentos, razão pela qual os detalhes sobre a abordagem aparecem de maneiras diferentes conforme a fonte consultada.
A situação evidenciou como uma rocha que poucos dias antes estava enterrada em uma plantação rapidamente havia se transformado em objeto de interesse comercial e científico.
Meteorito de Varre-Sai ganhou classificação internacional
Com as análises concluídas, o material recebeu oficialmente o nome do lugar onde ocorreu a queda.
A Meteoritical Bulletin Database, referência internacional mantida para catalogação de meteoritos, registra Varre-Sai como queda observada em 2010 e classifica o material como L5.
Assista o vídeo
Essa classificação coloca a pedra entre os condritos ordinários, meteoritos formados predominantemente por material rochoso antigo.
O registro oficial indica massa conhecida de aproximadamente 2,5 quilos, somando material reconhecido relacionado ao evento.
A ficha foi aprovada em maio de 2011 e recebeu uma revisão técnica menor em 19 de janeiro de 2026, referente às coordenadas registradas para a queda.
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Ana Alice
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Esse detalhe recente mostra que, mesmo após mais de uma década, o meteorito continua registrado e acompanhado nas bases utilizadas pela comunidade científica internacional.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

