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Brasil ajuda a criar versão inédita do Gripen, coloca piloto da FAB no primeiro voo e transforma exigência nacional em caça biposto que agora entra em campanha de testes na Suécia

Brasil ajuda a criar versão inédita do Gripen, coloca piloto da FAB no primeiro voo e transforma exigência nacional em caça biposto que agora entra em campanha de testes na Suécia

7 min de leitura

Brasil ajuda a criar versão inédita do Gripen, coloca piloto da FAB no primeiro voo e transforma exigência nacional em caça biposto que agora entra em campanha de testes na Suécia

Escrito por Felipe Alves da Silva

Publicado em 07/09/2026 às 21:37

Atualizado em 07/09/2026 às 21:40

Forças Armadas

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Gripen F realiza seu primeiro voo em Linköping, na Suécia, com piloto de testes da Força Aérea Brasileira a bordo da versão biposto desenvolvida com participação do Brasil. Imagem: Divulgação/SAAB

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Gripen F decolou de Linköping com um tenente-coronel brasileiro na cabine, passou 40 minutos no ar e abre uma nova etapa do programa que levou engenheiros, técnicos e pilotos do Brasil para dentro do desenvolvimento do caça

O Gripen F finalmente voou — e havia um piloto da Força Aérea Brasileira dentro da cabine. O primeiro voo da versão biposto do caça aconteceu em 28 de agosto de 2026, em Linköping, na Suécia, marcando uma etapa particularmente simbólica para o Brasil: o país não é apenas comprador da aeronave, mas cliente lançador e participante do codesenvolvimento dessa configuração.

O caça deixou o aeródromo da Saab às 9h40 no horário local, 4h40 em Brasília, e permaneceu no ar durante aproximadamente 40 minutos. Nos comandos estavam Jakob Högberg, piloto-chefe de testes da Saab, e o tenente-coronel aviador Abdon de Rezende Vasconcelos, piloto de testes da FAB. Durante a missão, foram avaliados os principais sistemas da aeronave e suas características iniciais de desempenho em voo.

O relato que deu origem a esta pauta também destaca justamente esse ponto: a presença de um brasileiro na cabine não ocorreu em um voo de demonstração, mas no voo inaugural de uma variante criada com participação brasileira.

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Para um programa de aquisição militar, essa diferença importa. O Brasil não está apenas aguardando uma sequência de aviões prontos deixar uma fábrica europeia. Engenheiros, técnicos, pilotos, estruturas industriais e instalações brasileiras foram incorporados ao programa, enquanto parte dos próprios Gripen passou a ser produzida em território nacional.

Brasil pediu um Gripen com dois lugares — e acabou se tornando cliente lançador da nova versão

Gripen F biposto decola na Suécia durante primeiro voo com piloto de testes da FAB a bordo. Imagem: Divulgação/SAAB

O Gripen F é a versão de dois assentos da família Gripen E. Embora preserve grande parte das características operacionais da variante monoposto, a segunda cabine amplia as possibilidades de conversão operacional, treinamento e emprego em missões complexas.

A configuração foi desenvolvida com participação direta do Brasil. Segundo a Saab, como cliente lançador, o país teve atuação ativa no codesenvolvimento da aeronave, permitindo participação industrial brasileira e uma cooperação de longo prazo que ultrapassou a relação convencional entre fornecedor e comprador.

O contrato firmado em 2014 prevê 36 caças para o Brasil, divididos em 28 Gripen E monopostos e oito Gripen F bipostos. Portanto, quase um quarto da encomenda brasileira corresponde justamente à configuração de dois lugares.

Há também uma consequência operacional importante.

Com duas cabines independentes, um piloto em formação pode voar em um caça plenamente operacional acompanhado por um instrutor. A proposta é reduzir a distância entre treinamento e emprego real da aeronave, permitindo que procedimentos avançados sejam praticados na própria plataforma de combate.

A Saab afirma que o Gripen F foi projetado para acelerar a preparação dos pilotos e, ao mesmo tempo, preservar capacidade para missões de combate avançadas.

Mais de 350 brasileiros participaram de atividades ligadas ao desenvolvimento do Gripen

O homem da FAB que participou do voo inaugural representa apenas a parte mais visível de uma estrutura muito maior.

De acordo com a Saab, mais de 350 engenheiros, técnicos e pilotos brasileiros já participaram de atividades de capacitação relacionadas ao desenvolvimento, produção, ensaios em voo e manutenção do Gripen.

Esse é provavelmente um dos pontos mais relevantes do programa quando observado para além do número de caças adquiridos.

Transferência de tecnologia é uma expressão frequente em contratos de Defesa, mas pode representar coisas muito diferentes na prática. No caso do Gripen, a participação brasileira chegou a áreas que incluem engenharia, ensaios, fabricação de aeroestruturas e montagem final de aeronaves.

O resultado dessa trajetória apareceu de forma bastante concreta em março de 2026.

Naquele mês, Saab, Embraer e FAB apresentaram em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, o primeiro Gripen E produzido no Brasil. A unidade inaugurou uma etapa em que caças supersônicos dessa geração passaram a sair de uma linha de produção instalada dentro do país.

Depois do primeiro voo, Gripen F ainda terá seus limites colocados à prova

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A decolagem inaugural não significa que o primeiro Gripen F esteja pronto para entrar imediatamente em serviço.

Na realidade, ela abre uma das fases mais importantes do desenvolvimento.

Segundo a Saab, a aeronave entra agora na fase de voos da campanha de testes. Depois dos ensaios iniciais de aceitação da produção, começará uma expansão progressiva do chamado envelope de voo.

Isso significa aumentar gradualmente as condições às quais o caça será submetido até validar seus limites.

Entre os parâmetros que serão avaliados estão:

O processo será conduzido pelo Centro de Ensaios em Voo da Saab, na Suécia.

Somente depois que as atividades previstas e os procedimentos de aceitação forem concluídos, o Gripen F será preparado para entrega à Força Aérea Brasileira. A Saab não informou, no comunicado sobre o primeiro voo, uma data específica para essa entrega.

Esse cuidado com o cronograma é importante: primeiro voo, certificação e incorporação operacional são etapas diferentes de um programa aeronáutico.

Gripen brasileiro já saiu de Anápolis e cruzou os Andes para exercício multinacional

Enquanto o Gripen F inicia sua campanha de ensaios na Europa, a versão monoposto F-39E já avança em outra frente: o emprego operacional brasileiro.

Entre 29 de junho e 11 de julho de 2026, seis caças F-39E da FAB cruzaram os Andes para participar do exercício multinacional SALITRE 2026, no Chile.

Foi a primeira participação do Gripen brasileiro em uma operação multinacional realizada fora do país.

As aeronaves executaram missões de escolta, varredura, patrulha aérea de combate e defesa aérea, trabalhando tanto dentro quanto além do alcance visual e empregando sistemas como o radar AESA, o sensor infravermelho IRST e a suíte de guerra eletrônica.

Também em 2026, o Gripen passou a realizar missões de Alerta de Defesa Aérea a partir de Anápolis, integrando as atividades permanentes de proteção do espaço aéreo brasileiro.

Vistos em conjunto, os dois movimentos mostram estágios diferentes do mesmo programa: enquanto uma frota começa a acumular experiência operacional, uma nova variante ainda está expandindo seus limites em ensaios.

Brasil já produz Gripen e Saab e Embraer estudam espaço para outras 20 aeronaves

A dimensão industrial ganhou outro capítulo em 21 de julho de 2026, pouco mais de um mês antes do primeiro voo do Gripen F.

Saab e Embraer assinaram um Acordo de Princípios que estabelece uma estrutura para a possível produção de 20 aeronaves Gripen adicionais em Gavião Peixoto.

O documento prevê que a Embraer tenha responsabilidade pela montagem dessas unidades, complementando a linha final mantida pela Saab em Linköping. As empresas disseram pretender concluir o acordo correspondente ainda em 2026.

Há uma diferença fundamental, porém: o acordo sobre capacidade produtiva não equivale automaticamente a uma encomenda adicional de 20 caças pela FAB.

O contrato brasileiro confirmado continua sendo o das 36 aeronaves — 28 Gripen E e oito Gripen F. Uma ampliação da frota brasileira depende de decisões e contratos próprios.

Essa distinção evita transformar expansão potencial de capacidade industrial em compra já realizada.

O que já é concreto é que a estrutura instalada no Brasil passou a fazer parte de um sistema internacional de produção do Gripen. A Saab informa que outras 14 aeronaves do contrato atual da FAB seguirão o modelo de produção utilizado no primeiro Gripen E montado no país.

Um piloto brasileiro no voo inaugural resume uma história maior que a compra de 36 caças

O detalhe mais chamativo da estreia do Gripen F é fácil de visualizar: um tenente-coronel da FAB dentro da cabine de um caça ainda em desenvolvimento, decolando pela primeira vez de uma pista sueca.

Mas o significado industrial está por trás dessa imagem.

O Brasil solicitou a configuração biposto, tornou-se seu cliente lançador, colocou profissionais dentro do processo de desenvolvimento e transferência de tecnologia, abriu uma linha de produção em São Paulo e agora acompanha a campanha de testes com um piloto brasileiro diretamente envolvido.

Isso não significa que o país tenha adquirido domínio integral sobre todas as tecnologias do Gripen, nem que a expansão da frota esteja garantida. Significa algo mais objetivo: a participação brasileira foi incorporada ao ciclo de desenvolvimento e produção do programa, e não ficou restrita à operação das aeronaves depois da entrega.

O próximo capítulo será menos simbólico e mais técnico.

O Gripen F terá de passar pela expansão de seu envelope de voo, validar sistemas, capacidades táticas e a operação da segunda cabine. Concluídos os testes e procedimentos de aceitação, a primeira unidade poderá seguir para a FAB.

Foi apenas o primeiro voo. Para a versão que o próprio Brasil ajudou a transformar em realidade, porém, foi exatamente o voo que faltava para tirar o Gripen F definitivamente do chão.

Com informações da SAAB.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

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