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Brasil caminha para um apagão de professores: jovens não querem mais a profissão e o número de idosos mais que dobra em 10 anos, enquanto projeção para 2040 revela cenário ainda mais preocupante
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 16/09/2026 às 23:54
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Estudo do Instituto Semesp aponta envelhecimento do quadro docente no ensino médio e redução da presença de profissionais em início de carreira. Remuneração, condições de trabalho e vínculos profissionais aparecem no diagnóstico sobre a dificuldade de renovar o contingente de professores.
O número total de professores do ensino médio cresceu na última década, mas a composição etária mudou na direção oposta à renovação da carreira. Enquanto diminuiu a presença de docentes com até 24 anos, o contingente de profissionais com 60 anos ou mais avançou mais de 100%.
A segunda edição da pesquisa “Apagão dos Professores: o desafio da renovação dos professores no Brasil”, divulgada pelo Instituto Semesp nesta quarta-feira (16), analisa a capacidade de entrada de novos profissionais diante do envelhecimento do quadro atual.
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Entre 2015 e 2025, o total de docentes do ensino médio aumentou 6,6%, chegando a cerca de 557,4 mil profissionais. No grupo com até 24 anos, porém, o movimento foi inverso: o número passou de aproximadamente 17,3 mil para 11,9 mil, queda de 31,1%.
Na outra ponta da distribuição etária, os professores com 60 anos ou mais passaram de cerca de 18,2 mil para 37,3 mil no mesmo período, uma alta de 104,5%. A relação entre as duas faixas, próxima de um jovem para cada profissional mais velho em 2015, aproximou-se de um para três em 2025.
Para a presidente do Semesp, Lúcia Teixeira, o risco de escassez não depende apenas da quantidade de professores que já trabalham nas escolas. “O principal desafio está na capacidade de formar, atrair e incorporar novos profissionais em ritmo suficiente para substituir aqueles que deverão deixar a carreira nos próximos anos”, afirma.
Salários e condições de trabalho entram no diagnóstico
A pesquisa relaciona a dificuldade de renovação à atratividade da profissão, considerando remuneração, condições de trabalho e perspectivas de permanência na carreira. Entre os dados utilizados estão informações da Relação Anual de Informações Sociais sobre os rendimentos dos profissionais.
Em 2025, um professor do ensino médio recebia aproximadamente R$ 6,5 mil por mês, valor cerca de 20% inferior à média de R$ 8,1 mil registrada entre trabalhadores com ensino superior completo. Para docentes de Sociologia, a remuneração média apresentada no levantamento era de R$ 4.695.
As condições de exercício da profissão também aparecem no diagnóstico. O indicador de esforço docente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira mostra que 41,4% dos professores do ensino médio estavam em uma faixa que envolve de 50 a 400 alunos, dois turnos e atuação em uma ou duas escolas.
Nesse grupo, o trabalho ainda pode abranger duas etapas diferentes da educação básica. A configuração significa preparar conteúdos para públicos distintos, corrigir mais avaliações e, em parte dos casos, fazer deslocamentos entre unidades escolares.
Outro ponto observado é a mudança na forma de contratação na rede pública. Entre 2015 e 2025, o número de professores temporários passou de aproximadamente 146 mil para 205 mil, crescimento de 40,4%, enquanto a participação desse tipo de vínculo subiu de 32,2% para 43,4%.
No mesmo intervalo, o contingente de professores concursados, efetivos ou estáveis caiu de cerca de 305 mil para 255 mil. A participação do grupo recuou de 67,2% para 54,1% do quadro público analisado.
Renovação é baixa em diferentes disciplinas
Para comparar a entrada de jovens com o envelhecimento do quadro, o Instituto Semesp criou a Taxa de Renovação Docente, calculada pela relação entre professores com até 24 anos e profissionais com 60 anos ou mais. Valores abaixo de 1 indicam que há menos docentes jovens do que mais velhos; acima de 1, a relação se inverte.
As menores taxas aparecem em Geografia, com 0,216; História, 0,234; Língua Portuguesa, 0,240; Sociologia, 0,263; Filosofia, 0,274; e Artes, 0,278. Em Geografia, a proporção equivale aproximadamente a um professor com até 24 anos para cada cinco docentes com 60 anos ou mais.
Disciplinas que apresentavam taxas superiores a 1 no início do período também perderam capacidade de renovação. Química passou de 1,773 para 0,421, Física de 1,530 para 0,403, Educação Física de 1,590 para 0,305 e Biologia de 1,450 para 0,372.
O relatório afirma que a redução da renovação não está concentrada apenas nas áreas que já enfrentam menor oferta de profissionais. O fenômeno aparece em diferentes disciplinas e é associado pelo instituto ao envelhecimento dos docentes em atividade e à dificuldade de incorporar novas gerações à carreira.
A projeção para 2040 amplia essa diferença. O Semesp estima que a Taxa de Renovação Docente poderá chegar a 0,17, o equivalente a aproximadamente um professor com até 24 anos para cada seis profissionais com 60 anos ou mais.
Em números absolutos, a estimativa aponta para cerca de 10,7 mil professores jovens diante de 61,9 mil docentes com 60 anos ou mais. A projeção descreve a composição etária esperada para o quadro e dimensiona a reposição necessária à medida que aposentadorias e outras saídas da carreira ocorram.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

