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Brasil está comprando peles de pítons criadas em fazendas asiáticas, onde milhões de cobras são destinadas à produção de carne e couro antes de o material cruzar oceanos e chegar ao Rio Grande do Sul para ser transformado

Brasil está comprando peles de pítons criadas em fazendas asiáticas, onde milhões de cobras são destinadas à produção de carne e couro antes de o material cruzar oceanos e chegar ao Rio Grande do Sul para ser transformado

5 min de leitura

Brasil está comprando peles de pítons criadas em fazendas asiáticas, onde milhões de cobras são destinadas à produção de carne e couro antes de o material cruzar oceanos e chegar ao Rio Grande do Sul para ser transformado

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 10/09/2026 às 20:29

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Milhões de pítons são criadas em fazendas comerciais na Ásia, alimentadas sob manejo controlado e abatidas para um aproveitamento que pode chegar a cerca de 82% do corpo, enquanto carne, gordura e pele entram em uma cadeia internacional que termina até em bolsas, cintos e calçados vendidos no Brasil

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Milhões de pítons são criadas em fazendas comerciais na Ásia, alimentadas sob manejo controlado e abatidas para um aproveitamento que pode chegar a cerca de 82% do corpo, enquanto carne, gordura e pele entram em uma cadeia internacional que termina até em bolsas, cintos e calçados vendidos no Brasil

Milhões de pítons são criadas comercialmente em países do Sudeste Asiático dentro de uma cadeia que aproveita diferentes partes do animal. Enquanto a carne tende a ser consumida nos próprios países produtores, as peles podem atravessar oceanos antes de chegar a mercados como o brasileiro.

No Brasil, uma das pontas dessa cadeia está em Estância Velha, no Rio Grande do Sul, onde empresas especializadas recebem peles importadas e realizam curtimento, tingimento e diferentes acabamentos antes que o material seja usado na fabricação de bolsas, cintos, calçados e outros produtos.

Fazendas mantêm pítons para produzir carne, couro e outros subprodutos

A origem desse mercado está em fazendas comerciais de países como Tailândia e Vietnã, onde pítons são mantidas em instalações destinadas especificamente à criação desses animais.

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Pesquisadores que acompanharam propriedades desse tipo observaram serpentes vivendo em ambientes controlados, com manejo de temperatura e alimentação ao longo do período de crescimento.

A dieta pode incluir roedores e resíduos proteicos provenientes das cadeias de frango, porco e peixe, materiais que são aproveitados como alimento durante o desenvolvimento das pítons.

Alguns animais acompanhados por cientistas chegaram a ganhar aproximadamente 46 gramas por dia.

Funcionários realizam o manejo de pítons em uma fazenda comercial, onde as serpentes são criadas sob condições controladas antes de entrarem na cadeia de aproveitamento de carne, pele e outros subprodutos.

Até 82% do corpo de uma píton pode ter algum aproveitamento

Um estudo publicado em 2024 na revista Scientific Reports, do grupo Nature, mostrou por que a criação dessas serpentes passou a despertar interesse econômico.

Segundo a pesquisa, aproximadamente 82% da massa corporal de uma píton pode resultar em produtos aproveitáveis, considerando carne, pele, gordura e outros componentes.

O metabolismo também chamou atenção dos pesquisadores. Algumas serpentes conseguiram passar longos períodos praticamente sem se alimentar e apresentaram perda relativamente pequena de massa corporal.

Isso ajuda a explicar por que produtores de algumas regiões asiáticas passaram a enxergar a criação de pítons como uma atividade comercial.

Carne tende a ficar na Ásia, mas pele percorre milhares de quilômetros

Depois do abate, os destinos dos produtos começam a se separar.

A carne é comercializada principalmente nos mercados asiáticos, enquanto as peles entram em uma cadeia internacional de maior alcance.

Uma dessas rotas chega diretamente ao Brasil.

A empresa Arte da Pele, localizada em Estância Velha, informa trabalhar com pele de píton desde 2005 e afirma que sua matéria-prima desse segmento vem do Sudeste Asiático.

As peles chegam ao país acompanhadas da documentação exigida para o comércio internacional de produtos derivados de fauna.

Pítons de grande porte são mantidas em compartimentos individuais dentro de fazendas comerciais, onde o manejo busca controlar alimentação, crescimento e segurança até que os animais entrem na cadeia de aproveitamento de carne, pele e outros subprodutos.

Peles podem atingir até cerca de 8 metros de comprimento

Entre os materiais processados está a pele da píton-reticulada, espécie conhecida pelo grande tamanho.

Segundo informações disponibilizadas pela empresa gaúcha, algumas peles comercializadas podem variar aproximadamente entre 2,5 e 8 metros de comprimento, com larguras que podem chegar a cerca de 70 centímetros.

Depois de entrar no Brasil, o material passa por curtimento e recebe tratamentos que alteram sua cor, textura e acabamento.

É nessa etapa que uma pele que chegou praticamente como matéria-prima se transforma em um couro de maior valor agregado.

Rio Grande do Sul transforma pele importada em material para a moda

Em janeiro de 2026, a presença desse mercado ficou visível durante o Inspiramais, realizado na Fiergs, em Porto Alegre.

A Arte da Pele apresentou materiais desenvolvidos a partir de píton, jacaré e pirarucu, destinados à indústria de moda, calçados e acessórios.

Poucas semanas depois, a empresa divulgou novos acabamentos feitos especificamente sobre pele de píton, incluindo versões chamadas de Píton Pinha, Beija-Flor e Biguá.

Os tratamentos modificam aparência, textura e tonalidade da pele antes que ela siga para fabricantes.

Bolsa produzida no Brasil com couro de píton mostra uma das aplicações comerciais desse material exótico, que passa por processos de curtimento, tingimento e acabamento antes de ser transformado em acessórios de maior valor agregado pela indústria da moda.

Parte do couro tratado no Brasil segue novamente para outros países

Dados publicados pelo Guia Brasileiro do Couro indicam que a empresa trabalha com capacidade declarada de até 500 peles por dia, considerando diferentes tipos de couros exóticos.

Segundo o cadastro setorial, cerca de 80% da produção é destinada ao mercado externo, enquanto aproximadamente 20% fica no mercado interno.

Isso cria uma rota incomum: a pele pode começar em uma fazenda asiática, viajar milhares de quilômetros até o Brasil, ser processada no Rio Grande do Sul e depois seguir novamente para outros mercados.

Produto final esconde uma cadeia que começa muito antes da vitrine

Quando uma bolsa, um cinto ou um calçado feito com couro de píton chega ao consumidor, dificilmente é possível imaginar todo o caminho percorrido pelo material.

A história pode começar em uma fazenda asiática com centenas ou milhares de serpentes, passar pelo aproveitamento da carne e de outros subprodutos, cruzar fronteiras sob controles internacionais e terminar dentro da indústria brasileira.

No Brasil, o papel principal não está na criação em massa dessas cobras, mas na transformação da pele importada em couro de maior valor comercial, uma etapa que conecta fazendas do Sudeste Asiático ao tradicional setor coureiro do Rio Grande do Sul.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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