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Brasil investe R$ 210 milhões em três plataformas de RNA e prepara para 2027 os primeiros testes clínicos de vacina nacional de mRNA

Brasil investe R$ 210 milhões em três plataformas de RNA e prepara para 2027 os primeiros testes clínicos de vacina nacional de mRNA

5 min de leitura

Brasil investe R$ 210 milhões em três plataformas de RNA e prepara para 2027 os primeiros testes clínicos de vacina nacional de mRNA

Escrito por Paulo Nogueira

Publicado em 03/09/2026 às 08:30

Atualizado em 03/09/2026 às 08:40

Economia

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O Brasil investiu R$ 210 milhões em plataformas de RNA mensageiro e prepara para 2027 o primeiro estudo clínico de uma vacina contra a Covid-19 desenvolvida integralmente no país com essa tecnologia.

A estratégia reúne Fiocruz, Instituto Butantan e Centro de Competência em Vacinas da UFMG. Os três núcleos formam uma base para criar imunizantes e terapias voltados às necessidades do SUS.

Do total, R$ 77 milhões foram destinados à plataforma da Fiocruz, R$ 73 milhões ao Butantan e R$ 60 milhões ao centro mineiro.

Segundo o Ministério da Saúde, os recursos apoiam pesquisa, produção, produtos estratégicos e estudos clínicos dentro do Complexo Econômico-Industrial da Saúde.

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Paulo Nogueira

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A primeira candidata, criada por Bio-Manguinhos/Fiocruz, será avaliada como dose de reforço contra a Covid-19. O recrutamento da fase inicial está previsto para o primeiro trimestre de 2027.

A Anvisa autorizou o estudo. Os participantes serão acompanhados por um ano, com foco inicial em segurança e na capacidade de estimular resposta imune.

A plataforma brasileira começa por uma vacina de reforço contra a Covid-19, mas poderá receber outras instruções.

RNA mensageiro funciona como plataforma reutilizável

A tecnologia entrega às células uma instrução temporária para produzir um alvo reconhecido pelo sistema imunológico. Depois, o organismo monta sua resposta contra aquele sinal.

O RNA não precisa permanecer no corpo nem alterar o material genético da pessoa. Sua função é carregar a mensagem usada no treinamento imunológico.

O conceito de plataforma vem da possibilidade de modificar a sequência da instrução sem reconstruir toda a infraestrutura. Laboratórios, processos e parte dos controles podem servir a produtos diferentes.

Isso não torna cada nova vacina automática. Formulação, dose, estabilidade, produção e resposta precisam ser testadas para o agente e a doença escolhidos.

A candidata da Fiocruz passou por estudos pré-clínicos, avaliações toxicológicas e escalonamento. Esses passos verificaram proteção em modelos de pesquisa e prepararam o processo para lotes clínicos.

Na Fase 1, um grupo controlado ajuda a observar eventos adversos e sinais de resposta. Resultados positivos ainda precisariam ser seguidos por etapas maiores.

A planta piloto de RNA mensageiro da Fiocruz possui certificação de Boas Práticas de Fabricação, apresentada pelo ministério como a primeira desse tipo na América Latina.

Boas práticas controlam ambiente, matéria-prima, registros e processo. Um produto usado em voluntários precisa ser fabricado de forma repetível e rastreável.

Quem acompanhou a pandemia sabe o quanto depender de fornecedores externos pesa durante uma emergência. Ter plataforma nacional não elimina insumos importados, mas amplia o domínio sobre desenvolvimento e produção.

Vejo o estudo clínico como a prova mais concreta desse investimento. Ele coloca uma tecnologia criada no laboratório diante dos requisitos necessários para virar produto de saúde.

Infraestrutura certificada conecta pesquisa, produção de lotes e avaliação clínica sob controle regulatório.

Três centros mantêm carteiras de doenças diferentes

Na UFMG, o Centro de Competência trabalha em projetos para dengue, malária, doença de Chagas, leishmaniose visceral e influenza, além de aplicações contra câncer.

A carteira inclui imunoterapia baseada em siRNA, vacinas com antígenos tumorais e uma metodologia de CAR-T usando RNA. São frentes de pesquisa, não tratamentos já disponíveis no SUS.

No Butantan, o investimento apoia uma unidade de desenvolvimento e produção voltada inicialmente a imunizantes contra Covid-19 e raiva.

O projeto envolve cooperação com BNDES e Organização Pan-Americana da Saúde. A ambição é transformar a capacidade brasileira em ativo aplicável também a parcerias internacionais.

A distribuição dos R$ 210 milhões evita concentrar toda a estratégia em uma única instituição. Equipes podem testar abordagens diferentes e compartilhar parte do aprendizado.

Ao mesmo tempo, coordenação será necessária para não duplicar estruturas sem propósito. Definir missões, padrões e acesso a equipamentos ajuda a formar uma rede.

O Programa Nacional de Inovação Radical procura aproximar pesquisa das demandas do sistema público. A carteira inclui vacinas, medicamentos, diagnósticos e terapias.

Entre um artigo científico e um produto existem fabricação, regulação, ensaio, escala e incorporação. A política tenta financiar essa travessia, conhecida por consumir tempo e recursos.

A primeira fase em 2027 não terá como objetivo distribuir a vacina. Ela avaliará segurança e resposta para decidir se o desenvolvimento pode continuar.

Resultados precisam ser analisados antes de qualquer passo seguinte. O acompanhamento de um ano permite observar a evolução dos participantes além das reações imediatas.

Se a candidata avançar, será o primeiro produto de uma infraestrutura desenhada para mudar de alvo. Se não avançar, dados e processo ainda podem orientar as próximas formulações.

A autonomia tecnológica também depende de pessoas. Pesquisadores, operadores, profissionais clínicos e reguladores precisam manter conhecimento ativo entre uma emergência e outra.

A plataforma brasileira de RNA mensageiro terá de dominar também matérias-primas e controles. Sequência genética é apenas uma parte de um produto que envolve lipídios, purificação, envase e cadeia de frio.

Fornecedores precisam entregar componentes com padrão farmacêutico. Se um item crítico vier de uma única fábrica externa, parte da dependência permanece mesmo quando o desenho da vacina é nacional.

Além disso, escalar de lote piloto para produção regular pode revelar problemas que não aparecem em volumes pequenos. Rendimento, estabilidade e repetibilidade serão medidos antes de uma oferta ampla.

O estudo clínico gera outra infraestrutura: centros capazes de recrutar, acompanhar e registrar dados com qualidade. Essa rede pode servir a outras candidatas desenvolvidas pelas três instituições.

A comunicação com voluntários precisa explicar benefício incerto e riscos conhecidos. Consentimento não é apenas assinatura; é compreensão de que a Fase 1 avalia uma candidata ainda experimental.

Resultados negativos também têm utilidade quando publicados e analisados. Eles mostram quais doses ou formulações não funcionaram e evitam que outra equipe repita o mesmo caminho.

Para o SUS, uma plataforma só entrega autonomia quando consegue responder a prioridades reais. Escolha dos alvos, capacidade de fabricar e custo por dose precisam entrar na mesma decisão.

O calendário agora oferece um marco verificável: iniciar o recrutamento no primeiro trimestre de 2027. Até lá, preparação de centros e lotes seguirá sob supervisão.

Você considera prioritário o Brasil manter plataformas próprias para novas vacinas? Conte nos comentários.

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Fonte

Ministério da Saúde — plataforma nacional de RNA mensageiro


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

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