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Brasil produz só 1,36 milhão de m³ de biometano por dia diante de potencial de 120 milhões, enquanto setor espera certificado para destravar novos investimentos

Brasil produz só 1,36 milhão de m³ de biometano por dia diante de potencial de 120 milhões, enquanto setor espera certificado para destravar novos investimentos

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Brasil produz só 1,36 milhão de m³ de biometano por dia diante de potencial de 120 milhões, enquanto setor espera certificado para destravar novos investimentos

Escrito por Carla Teles

Publicado em 30/09/2026 às 12:52

Atualizado em 30/09/2026 às 12:55

Biocombustíveis Renováveis

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Brasil produz 1,36 milhão de m³ de biometano por dia, ante potencial de 120 milhões, e setor aguarda certificado para ampliar investimentos e projetos.

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País tem 21 unidades de biometano em operação e outras 47 autorizadas; juntas, elas podem elevar a capacidade para 3,37 milhões de m³ por dia, segundo dados apresentados pela Abiogás.

O Brasil tem potencial para produzir 120 milhões de metros cúbicos de biometano por dia, mas as 21 unidades atualmente em operação fabricam 1,36 milhão de metros cúbicos diariamente. Outras 47 plantas já receberam autorização para funcionar e, se todas entrarem em atividade, a capacidade somada chegará a 3,37 milhões de metros cúbicos por dia, equivalente a apenas 2,8% do potencial estimado para o país.

Os números foram apresentados por Josiani Napolitano, presidente da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (Abiogás), durante evento promovido pela NovaCana e divulgados pelo Globo Rural em 29 de setembro de 2026. Segundo a entidade, a cana-de-açúcar é o segmento com maior potencial para contribuir com a expansão da produção brasileira de biometano.

Brasil tem 21 unidades em operação e outras 47 autorizadas

As 21 unidades que já produzem biometano no país entregam conjuntamente 1,36 milhão de metros cúbicos por dia. A entrada das outras 47 instalações autorizadas elevaria esse volume para 3,37 milhões de metros cúbicos diários, ainda distante dos 120 milhões apontados como potencial nacional pela Abiogás.

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A diferença entre capacidade atual e potencial mostra quanto da oferta possível ainda não foi convertida em produção. Pelos dados apresentados pela associação, mesmo considerando todas as unidades autorizadas, mais de 97% do potencial calculado continuaria fora da capacidade instalada ou aprovada.

Dentro dessa disponibilidade, a cana-de-açúcar ocupa a principal posição entre os segmentos citados pela entidade. O biometano pode ser obtido a partir do aproveitamento de resíduos orgânicos, depois de etapas de produção de biogás e purificação para elevar a concentração de metano.

O desafio apresentado pelo setor, porém, não se limita à construção de novas unidades. A ampliação depende também da existência de compradores, mecanismos de contratação e infraestrutura capaz de levar o combustível dos locais de produção até os consumidores.

Primeiro certificado é esperado pelo setor para estimular novos projetos

Uma das ferramentas apontadas pela Abiogás para ampliar o mercado é o Certificado de Garantia de Origem de Biometano, o CGOB. O mecanismo permite reconhecer atributos associados à origem do combustível e poderá participar da estrutura criada para ampliar a demanda pelo biometano.

A geração e a emissão dos certificados aguardam a conclusão da plataforma de negociação desenvolvida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis em parceria com o Serpro. Napolitano afirmou durante o evento que o mecanismo representa uma garantia de mercado para os produtores.

A primeira emissão dos certificados também está ligada a outra mudança. A partir desse momento começa a obrigação prevista na Lei do Combustível do Futuro para que produtores e importadores de gás natural reduzam suas emissões de carbono.

Para 2026, a meta informada é de redução de 0,5% das emissões. A legislação permite que esse percentual seja elevado até 10%, e a presidente da Abiogás afirmou que o setor trabalha para ampliar sua participação conforme houver capacidade para atender à demanda.

Caminhões aparecem entre os mercados para ampliar o consumo de biometano

O transporte rodoviário pesado é uma das frentes apontadas pela Abiogás para aumentar o consumo do combustível. Segundo Josiani Napolitano, o biometano já apresenta competitividade diante do diesel nesse segmento.

A situação muda quando a comparação é feita com o gás natural de origem fóssil. De acordo com a dirigente, o biometano ainda não consegue ser mais competitivo nesse caso, o que reforça a defesa da associação por mecanismos capazes de assegurar demanda e dar previsibilidade aos produtores.

Esse mercado é importante porque novos investimentos em unidades de produção dependem de uma perspectiva de consumo para o combustível gerado. Sem demanda contratada ou consumidores suficientes, ampliar a capacidade instalada pode não ser suficiente para desenvolver toda a cadeia.

A necessidade de criar novos destinos para o produto ajuda a explicar por que a associação observa simultaneamente aplicações nos transportes terrestre, aéreo e marítimo e na geração de eletricidade.

Biometano pode servir de matéria-prima para combustível sustentável de aviação

Outra aplicação citada está no setor aéreo. O biometano pode funcionar como matéria-prima para a produção de Combustível Sustentável de Aviação, o SAF, por meio da rota Fischer-Tropsch.

Segundo as informações apresentadas, essa possibilidade está sendo estudada pela Geo bio gas&carbon e pela Copersucar. A utilização abriria outro mercado para o produto além do consumo direto do biometano como combustível.

A navegação também aparece entre as alternativas. Para esse uso, o biometano pode passar pelo processo de liquefação e ser transformado em bioGNL, destinado a embarcações preparadas para operar com gás natural liquefeito.

O país ainda possui uma estrutura limitada nessa etapa. De acordo com Napolitano, existe apenas uma indústria de liquefação de biometano em construção no Brasil, localizada em Mato Grosso do Sul.

Infraestrutura precisa levar produção das usinas aos centros consumidores

A expansão do mercado depende ainda de uma estrutura capaz de movimentar matérias-primas e o combustível pronto. Resíduos precisam chegar às unidades de biodigestão, enquanto o biometano produzido precisa alcançar consumidores e instalações de abastecimento.

Os portos estão entre os possíveis destinos dessa infraestrutura caso o uso marítimo avance. Nesse cenário, unidades de produção, sistemas de transporte e instalações para fornecimento do combustível precisam funcionar de forma coordenada.

A criação dessa estrutura pode abrir uma nova frente para projetos de biometano, especialmente em regiões onde existe matéria-prima disponível, mas a distância até os consumidores dificulta o aproveitamento comercial do combustível.

A capacidade de produção, portanto, é apenas uma parte da equação apresentada pela Abiogás. O crescimento também depende da formação de mercado e de condições para que o gás produzido chegue efetivamente aos setores que podem utilizá-lo.

Biogás pode disputar espaço nos leilões de geração de energia

O setor elétrico representa outra possibilidade. Nesse caso, o biogás pode ser utilizado diretamente para produzir eletricidade, sem necessariamente passar pelo processo adicional de purificação usado para transformá-lo em biometano.

Segundo Napolitano, a Abiogás trabalha com o Ministério de Minas e Energia para tentar inserir o biogás nos leilões de reserva de capacidade. A proposta é utilizar a geração em períodos nos quais o sistema elétrico precisa de oferta adicional.

Essa alternativa criaria mais uma fonte de demanda para a cadeia, enquanto o biometano busca ampliar espaço nos transportes e em outros usos energéticos. As possibilidades, entretanto, dependem da evolução dos mecanismos regulatórios e comerciais citados pelo setor.

No curto prazo, um dos próximos passos está na conclusão da plataforma desenvolvida pela ANP e pelo Serpro para viabilizar os CGOBs. Enquanto isso, as 21 unidades em operação produzem 1,36 milhão de metros cúbicos por dia e, mesmo com outras 47 plantas autorizadas, a capacidade prevista permanece em 3,37 milhões diante de um potencial estimado de 120 milhões de metros cúbicos diários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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