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Cabos submarinos de internet viram “ouvidos” para terremotos no Chile e passam a registrar tremores por alterações quase invisíveis na fibra óptica
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 20/09/2026 às 20:51
Atualizado em 20/09/2026 às 21:20
Ciência e Tecnologia
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Tecnologia DAS transforma o Cable Prat, que liga Arica a Puerto Montt, em uma extensa rede de sensores capaz de registrar deformações provocadas por terremotos e apoiar futuros sistemas de alerta antecipado no Chile sísmico
Cabos de fibra óptica instalados no fundo do oceano para transportar dados estão ganhando uma segunda função no Chile: detectar terremotos. A tecnologia transforma longos trechos da rede submarina em sensores capazes de registrar pequenas deformações provocadas pela passagem das ondas sísmicas.
O sistema utiliza a tecnologia DAS, sigla para Detecção Acústica Distribuída, aplicada ao Cable Prat, uma rede submarina que conecta diferentes pontos do território chileno entre Arica e Puerto Montt.
Em vez de instalar sensores sísmicos separados ao longo de toda essa distância, os pesquisadores aproveitam a própria fibra óptica já existente.
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Um equipamento envia sinais luminosos pelo cabo e acompanha pequenas mudanças no comportamento dessa luz.
Quando ocorre um terremoto, as ondas sísmicas movimentam o solo e podem provocar deformações mínimas na fibra.
Essas alterações interferem no sinal luminoso e geram informações que podem ser analisadas pelos pesquisadores.
Na prática, um cabo criado para transmitir internet passa a funcionar também como uma extensa linha de monitoramento dos movimentos da Terra.
Quilômetros de cabos de fibra podem funcionar como uma rede contínua de sensores
Uma das vantagens apontadas para o DAS está justamente no tamanho da infraestrutura disponível. Sistemas tradicionais dependem de instrumentos instalados em locais específicos, enquanto a fibra óptica permite acompanhar mudanças ao longo de grandes extensões do cabo.
Essa característica tem peso especial no Chile, país situado em uma região de intensa atividade sísmica devido ao encontro de placas tectônicas.
A presença dos cabos no oceano também amplia as possibilidades de observação. Muitos terremotos começam em áreas marítimas, e a infraestrutura submarina pode captar movimentações relacionadas a esses eventos antes que seus efeitos mais fortes atinjam determinadas regiões em terra.
Os dados registrados permitem identificar a ocorrência dos tremores e estudar suas características a partir das alterações detectadas na fibra.
Tecnologia pode ajudar a ganhar segundos antes das ondas mais fortes
Outra aplicação estudada é o uso dessas informações em sistemas de alerta antecipado. A proposta é detectar rapidamente um terremoto e aproveitar o intervalo entre sua identificação e a chegada das ondas sísmicas mais intensas a determinadas áreas.
Mesmo alguns segundos podem ser úteis para colocar protocolos de segurança em funcionamento ou interromper sistemas específicos antes da chegada da parte mais forte do tremor.
A tecnologia não está sendo observada apenas em estruturas submarinas. A Universidade de Concepción também anunciou testes com DAS dentro de seu próprio campus.
Com isso, uma rede instalada originalmente para transportar informações digitais passa a ter uma utilização adicional: acompanhar pequenas movimentações do terreno.
No caso chileno, quilômetros de fibra óptica podem se transformar em uma rede contínua de observação sísmica, aproveitando uma infraestrutura que já está instalada.
Fontes utilizadas: material-base fornecido, incluindo as informações sobre o Cable Prat, a tecnologia DAS e os testes anunciados pela Universidade de Concepción.
Fonte
https://www.diariodolitor
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

