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Caminhoneiro que leva minério de Corumbá para o resto do Brasil atravessa a ponte do Rio Paraguai em pare-e-siga 24 horas por dia e vai encarar isso até o fim do primeiro trimestre de 2027

Caminhoneiro que leva minério de Corumbá para o resto do Brasil atravessa a ponte do Rio Paraguai em pare-e-siga 24 horas por dia e vai encarar isso até o fim do primeiro trimestre de 2027

Caminhoneiro que leva minério de Corumbá para o resto do Brasil atravessa a ponte do Rio Paraguai em pare-e-siga 24 horas por dia e vai encarar isso até o fim do primeiro trimestre de 2027

Escrito por Douglas Avila

Publicado em 11/09/2026 às 05:44

Atualizado em 11/09/2026 às 05:51

Logística e Transporte

Canal

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Seiscentas carretas por dia atravessam a ponte da BR-262 sobre o Rio Paraguai, perto de Corumbá, e todas elas passam em meia pista, no sistema pare-e-siga, vinte e quatro horas por dia. A obra que deveria resolver isso tem orçamento de onze milhões e setecentos mil reais e prazo até o fim do primeiro trimestre de 2027.

Faltam mais de seis meses. Até lá, o minério que sai do Maciço do Urucum e o abastecimento de duas cidades continuam dependendo de uma fila alternada sobre o rio.

O levantamento que colocou o número na mesa é de 7 de setembro de 2026, e mostra que Mato Grosso do Sul tem cinco pontes travadas ao mesmo tempo.

Corumbá e Ladário somam 120 mil pessoas do outro lado do gargalo

A ponte não serve apenas ao minério. Ela é a ligação rodoviária de 120 mil habitantes de Corumbá e Ladário com o restante do país.

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Tudo que entra passa por ali. Alimento, combustível, remédio, material de construção e o caminhão da mudança de quem se transfere para a região.

Portanto, o pare-e-siga não é um transtorno de motorista. É o custo logístico de duas cidades inteiras.

Quem mora ali convive com isso há tempo suficiente para saber que travessia com restrição encarece a compra do mês. O frete entra no preço da prateleira e ninguém precisa de planilha para perceber.

Pare-e-siga 24 horas significa fila permanente, inclusive de madrugada

No sistema pare-e-siga, apenas uma faixa fica liberada e o tráfego é alternado por sentido, com sinalização controlando quem passa e quem espera.

Em obra de horário comercial, o esquema costuma valer só durante o expediente. Aqui, no entanto, ele é ininterrupto.

Ou seja, o caminhoneiro que sai às três da manhã para fugir do movimento encontra a mesma espera de quem sai ao meio-dia.

A conta de 600 carretas por dia é o que dá tamanho ao problema

Seiscentas carretas diárias representam uma passagem a cada dois minutos e meio, se o fluxo fosse perfeitamente distribuído nas 24 horas.

Não é o que acontece. O movimento se concentra em janelas, e nessas janelas a fila cresce rápido, porque cada ciclo de liberação atende um sentido de cada vez.

Confesso que é o tipo de número que só faz sentido para quem já esperou numa dessas filas com o motor ligado e a carga sob sol de Pantanal.

Onze milhões e setecentos mil reais para uma travessia estratégica

O orçamento da intervenção é de R$ 11,7 milhões. Para uma ponte que carrega a produção mineral do Urucum, é um valor modesto.

Ele indica recuperação estrutural e não obra nova. Serviços de reforço, recomposição e proteção costumam caber nessa faixa.

Por outro lado, o prazo longo sugere trabalho feito em etapas, com a ponte em operação parcial o tempo todo.

Recuperar estrutura sem fechar a passagem é sempre mais lento. A equipe trabalha em metade da largura, para a cada liberação de tráfego e retoma quando o sinaleiro autoriza.

O prazo empurra a normalização para depois do período de chuva

Terminar no fim do primeiro trimestre de 2027 significa atravessar a estação chuvosa do Pantanal, que vai de novembro a março.

É o pior período para obra em estrutura sobre rio. Cheia, umidade e acesso difícil atrasam serviço em qualquer canteiro da região.

Assim, o prazo anunciado já embute o risco climático. Quem conhece a rota sabe que essa conta costuma escorregar.

A ponte de Corumbá é uma entre cinco travadas no estado

O levantamento aponta restrições simultâneas na MS-040, na BR-163, na BR-262, na MS-345 e na MS-168.

Na MS-040, caminhões estão proibidos em dois pontos e o desvio joga o motorista para a BR-163 até Nova Alvorada do Sul e depois para a BR-267.

Na MS-345, a estrutura sobre o Rio Miranda, no distrito de Águas do Mirante, tem previsão de liberação só em janeiro de 2027, com orçamento de R$ 4 milhões. Além disso, a BR-163 opera com interdição noturna na travessia do Rio Paraná.

Cinco pontes ao mesmo tempo mudam o mapa de quem roda no estado

Quando uma ponte trava, o caminhoneiro desvia. Quando cinco travam juntas, o desvio de uma cai na restrição da outra.

É isso que transforma um problema pontual em gargalo estadual. O quilômetro rodado a mais vira diesel, pedágio, hora de motorista e prazo perdido na entrega.

Quem transporta grão, minério ou celulose calcula esse custo com precisão. Ele entra no frete e chega ao preço final.

Há ainda o efeito sobre a escala do motorista. Espera não conta como descanso e come a jornada, o que obriga o transportador a refazer a programação da viagem inteira.

O minério do Urucum depende dessa travessia para chegar ao mercado

O Maciço do Urucum, em Corumbá, concentra reservas de ferro e manganês exploradas há décadas. Boa parte da produção segue por hidrovia, mas o apoio rodoviário passa por essa ponte.

Equipamento, peça de reposição, insumo e troca de turno chegam de caminhão. Assim, restrição na travessia atinge a operação mineral mesmo quando o minério sai pelo rio.

É por isso que o trecho aparece em toda discussão sobre logística do Centro-Oeste. Ele liga uma fronteira produtiva ao resto do país por uma única linha.

O que já dá para acompanhar enquanto a obra corre

O acompanhamento oficial das intervenções em rodovias federais fica no portal do DNIT, que publica alertas de interdição e restrição por trecho.

A reportagem que consolidou o cenário das cinco pontes está no Correio do Estado, com o detalhamento trecho a trecho.

Quem acompanha esse tipo de gargalo pode ver também outros pontos travados na malha brasileira.

Seis meses de meia pista numa rota que não tem alternativa

O que torna o caso de Corumbá diferente é a ausência de rota paralela. Não existe outro caminho rodoviário para contornar a travessia.

Por isso o pare-e-siga não é inconveniência, é a única opção. E ela vai durar, pelo cronograma oficial, mais dois trimestres.

Até lá, seiscentas carretas por dia continuam parando, esperando e seguindo, uma de cada vez, sobre o Rio Paraguai. O que você acha desse prazo?

Você já ficou preso num pare-e-siga de obra em ponte e perdeu quanto tempo na fila?

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Fonte

Correio do Estado — Após restrições na MS-040, MS tem agora cinco pontes travadas


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

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