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Campeão mundial de Fórmula 1 troca as pistas por fazenda de 1.012 hectares, planta 130 mil árvores, cria 2.500 búfalos e transforma hobby em negócio rural
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 10/09/2026 às 16:18
Atualizado em 10/09/2026 às 16:19
Agronegócio
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Jody Scheckter conquistou o título pela Ferrari em 1979 e depois transformou um hobby rural em uma fazenda orgânica com milhares de animais na Inglaterra.
Em 1979, o sul-africano Jody Scheckter chegou ao ponto mais alto da Fórmula 1 ao conquistar o campeonato mundial pela Ferrari. Apenas um ano depois, aos 30 anos, deixou as pistas e iniciou uma trajetória completamente diferente. Depois de construir negócios nos Estados Unidos, passou a dedicar atenção à agricultura e transformou um interesse pessoal em um projeto rural de grande escala.
A Laverstoke Park Farm, em Hampshire, na Inglaterra, chegou a ocupar cerca de 2.500 acres, aproximadamente 1.012 hectares. A propriedade recebeu 130 mil árvores nativas, reuniu búfalos, bovinos, ovelhas, porcos, galinhas e javalis e passou a produzir alimentos com métodos orgânicos e biodinâmicos.
Fazenda de Jody Scheckter cresceu de 530 para 2.500 acres e ganhou 130 mil árvores.
A relação de Scheckter com o campo começou de maneira simples. O ex-piloto queria produzir alimentos de melhor qualidade para a própria família e passou a estudar agricultura orgânica. A mudança de escala aconteceu quando uma propriedade vizinha ficou disponível e ele decidiu ampliar o terreno.
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Um terreno…
Paulo Nogueira
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A área saiu de aproximadamente 530 acres para 2.500 acres, e o projeto deixou de ser apenas um hobby. Ao longo do desenvolvimento da fazenda, Scheckter plantou 130 mil árvores nativas e implantou cerca de 13 quilômetros de cercas vivas.
As pastagens também foram planejadas para aumentar a diversidade. A propriedade chegou a reunir 31 variedades de gramíneas e ervas, além de cultivar cereais para alimentar os animais e manter um vinhedo.
Criação de búfalos virou uma das principais marcas da Laverstoke Park Farm.
A variedade de animais se tornou uma das características mais marcantes da propriedade. Bovinos, búfalos, ovelhas, porcos, galinhas e javalis ocupavam diferentes áreas da fazenda e integravam um sistema pensado para aproximar a produção dos ciclos naturais.
A criação de búfalos ganhou destaque especial. Em determinado período, o rebanho chegou a cerca de 2.500 animais, e o leite era utilizado na produção de queijos dentro da própria propriedade.
Essa estrutura ajudou a transformar a Laverstoke Park Farm em um negócio muito mais amplo do que uma fazenda tradicional. A criação animal passou a funcionar ao lado da produção vegetal, dos laticínios e de outras atividades desenvolvidas no local.
Solo virou parte central do modelo de agricultura adotado por Scheckter.
Para Jody Scheckter, a qualidade dos alimentos começava no solo. O ex-campeão defendia uma relação direta entre a condição da terra, o desenvolvimento das plantas, a saúde dos animais e o resultado final dos produtos.
A fazenda chegou a contar com um laboratório próprio dedicado ao estudo das condições do solo. O sistema também utilizava rotação de culturas e animais e combinava diferentes espécies vegetais para ajudar a preservar a fertilidade.
Scheckter adotava ainda princípios da agricultura biodinâmica, associada às ideias de Rudolf Steiner. Ele tratava os diferentes elementos da fazenda como partes de um mesmo sistema e aplicava no campo uma lógica semelhante à utilizada na Fórmula 1: testar, ajustar e aperfeiçoar processos.
Fazenda passou a produzir muçarela de búfala, queijos, sorvetes, cerveja e vinho.
Com o crescimento da operação, a Laverstoke Park Farm ganhou fábrica de laticínios, laboratório, área de compostagem, vinhedo e estruturas para processamento de alimentos. A produção chegou a incluir carne bovina, carne de búfalo, cordeiro, queijos, sorvetes, cerveja e vinho espumante.
A muçarela de búfala se tornou um dos produtos mais conhecidos da propriedade. Antes de iniciar a fabricação, Scheckter viajou à Itália e visitou oito produtores para conhecer diferentes métodos de produção.
A fazenda também produziu brie, ricota, queijo azul e gouda. Parte dos alimentos chegou às cozinhas de chefs conhecidos no Reino Unido, entre eles Heston Blumenthal e Raymond Blanc.
Crescimento levou a operação a 180 funcionários e mais de 120 produtos antes da redução.
A expansão trouxe também uma estrutura difícil de administrar. Em determinado momento, a fazenda empregava cerca de 180 pessoas e comercializava mais de 120 produtos, enquanto Scheckter continuava colocando recursos próprios no negócio.
Com o tempo, o ex-piloto decidiu reduzir a quantidade de produtos e concentrar a operação. A mudança diminuiu a complexidade e permitiu que a propriedade atravessasse um período sem novos aportes pessoais.
Em 31 de dezembro de 2023, a criação comercial de búfalos e a produção de laticínios foram encerradas. Atualmente, segundo a própria Laverstoke Park Farm, a atividade mantida no local está concentrada na compostagem.
A trajetória de Jody Scheckter depois da Fórmula 1 acabou seguindo um caminho tão incomum quanto sua carreira nas pistas. O campeão mundial de 1979 trocou os autódromos por mais de 1.000 hectares de campo e transformou um interesse familiar em um projeto que chegou a reunir 130 mil árvores, milhares de animais e dezenas de produtos.
O que você acha mais surpreendente na trajetória de Jody Scheckter: trocar a Fórmula 1 por uma fazenda de mais de 1.000 hectares ou transformar o local em um projeto com 130 mil árvores, milhares de animais e produção orgânica? Deixe sua opinião!
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