Um levantamento da Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente (Ascema Nacional) identificou 11 candidatos que disputam as eleições de 2026 pelo Acre associados a 26 autos de infração ambiental, com valor nominal total de R$ 9.906.779,25. Os dados foram obtidos por meio do cruzamento, pelo CPF, de informações de candidaturas com bases de autos de infração do Ibama e do ICMBio.
Entre os candidatos acreanos listados, o maior valor está associado ao vereador e candidato a deputado estadual Zé Lopes (Republicanos). Candidato, ele aparece no levantamento com 12 autos válidos, que somam R$ 8.179.272,75. Os registros são dos anos de 2018, 2022 e 2024 e foram lavrados no Amazonas, segundo os dados consolidados. As autuações estão classificadas nas áreas de administração ambiental e flora.
O segundo maior valor entre os candidatos do Acre é atribuído a José Maria de Freitas Moreira (Novo), candidato a deputado estadual. O levantamento registra um auto, no valor de R$ 885 mil, lavrado em 2019 no Amazonas e classificado como infração relacionada à flora.
Em seguida aparece Francisco Umberto Prado Couto (PL), também candidato a deputado estadual, com um auto de R$ 455 mil. O registro é de 2024, no Acre, e está classificado como infração da flora.
O ex-prefeito de Cruzeiro do Sul Vagner José Sales (MDB), candidato a deputado federal, aparece associado a dois autos de infração, que totalizam R$ 142.316,50. Os registros são de 2004, no Acre, e estão classificados na categoria flora.
Também candidato a deputado estadual, Daniel Dorzila de Oliveira (PSD) aparece com um auto no valor de R$ 115 mil, registrado em 2017 no Acre e relacionado à flora. Já José Agamedes Oliveira de Souza (PSDB), que disputa uma vaga na Assembleia Legislativa, está associado a um auto de R$ 80 mil, registrado em 2010, também no Acre.
Entre os candidatos à Câmara dos Deputados, Zezinho Barbary (PP) aparece com três autos, que somam R$ 28.900. Os registros são de 1999, 2008 e 2011 e envolvem dados do Ibama e do ICMBio, com classificações relacionadas à fauna e à flora.
Clemilton Almeida de Lima (PL), também candidato a deputado federal, aparece com um auto de R$ 10 mil, registrado pelo ICMBio em 2025 no Acre e relacionado a infrações cometidas exclusivamente em unidades de conservação.
Outro candidato a deputado federal incluído na relação é José Carlos Pinto Furtado (PRD), associado a dois autos que totalizam R$ 8.960. Os registros são de 1998 e 2021 e estão relacionados a infrações contra a fauna.
Na disputa pelo Senado, o senador Marcio Bittar (PL) aparece com um auto de infração no valor de R$ 1.330, registrado pelo Ibama em 2004 no Acre e classificado como infração da flora.
Completa a lista Solino de Matos Filho (PSD), candidato a 2º suplente, associado a um auto de R$ 1 mil, registrado pelo ICMBio em 2025 no Amazonas e relacionado a infrações cometidas exclusivamente em unidades de conservação.
Os dados mostram que o valor das multas está fortemente concentrado em poucos nomes. Somente os registros associados a Zé Lopes representam cerca de 83% dos R$ 9,9 milhões contabilizados entre os 11 candidatos do Acre.
Procurado pelo ac24horas, Bittar afirmou que não iria se manifestar. Zezinho Barbary não respondeu até o fechamento desta matéria, assim como Vagner Sales (MDB) e Solino Matos (PSD). O espaço segue aberto caso os citados queiram se manifestar.
O vereador de Rio Branco, Zé Lopes, afirmou que os processos já possuem manifestações das partes e que medidas foram adotadas para identificar os responsáveis pelos desmatamentos. “Todos esses processos estão com iniciais para identificação dos reais desmatadores e com as defesas apresentadas e aguardando julgamento”, declarou.
O vereador também afirmou que as áreas envolvidas estão passando por procedimentos de regularização junto aos órgãos ambientais, seguindo as regras estabelecidas pelo Código Florestal. “Concomitantemente a isso, essas áreas estão passando por regularização junto aos órgãos ambientais, de acordo com o Código Florestal”, explicou.
Segundo Zé Lopes, os procedimentos consideram tanto aspectos ambientais quanto fundiários. Ele citou ainda a adoção de medidas judiciais relacionadas à posse das áreas. “Observando critérios ambientais e fundiários, com ações de reintegração de posse e isolando áreas que foram antropizadas pelos invasores”, afirmou.
O vereador declarou que aguarda uma definição judicial para solucionar o impasse envolvendo as propriedades. “Assim, aguarda-se uma resposta da Justiça para esta celeuma jurídica, a qual vem sendo discutida com o tempo”, concluiu Zé Lopes.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

