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Carpinteiro trabalha 67 anos na mesma empresa, vive de forma tão simples que ninguém imagina sua fortuna e, ao morrer sem filhos aos 86 anos, deixa quase US$ 3 milhões para pagar a faculdade de 33 jovens que ele nunca conheceu

Carpinteiro trabalha 67 anos na mesma empresa, vive de forma tão simples que ninguém imagina sua fortuna e, ao morrer sem filhos aos 86 anos, deixa quase US$ 3 milhões para pagar a faculdade de 33 jovens que ele nunca conheceu

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Carpinteiro trabalha 67 anos na mesma empresa, vive de forma tão simples que ninguém imagina sua fortuna e, ao morrer sem filhos aos 86 anos, deixa quase US$ 3 milhões para pagar a faculdade de 33 jovens que ele nunca conheceu

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 07/09/2026 às 10:43

Curiosidades

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Carpinteiro trabalha 67 anos na mesma empresa

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Dale Schroeder trabalhou 67 anos como carpinteiro, acumulou quase US$ 3 milhões em silêncio e deixou sua fortuna para pagar a faculdade de 33 jovens.

Durante 67 anos, Dale Schroeder seguiu praticamente a mesma rotina em Iowa, nos Estados Unidos. Trabalhava na empresa Moehl Millwork, levava uma vida extremamente simples e nunca frequentou uma universidade. Quem convivia com aquele carpinteiro reservado dificilmente imaginava que, depois de décadas de economia, ele havia acumulado quase US$ 3 milhões. Quando morreu, em 2005, aos 86 anos, sem esposa ou filhos, revelou também o destino que havia escolhido para praticamente toda aquela fortuna: pagar a formação universitária de jovens que provavelmente jamais teria oportunidade de conhecer.

O dinheiro continuou trabalhando muito depois de sua morte. Entre 2007 e 2015, começaram a ser selecionados estudantes de pequenas cidades de Iowa que enfrentavam dificuldades financeiras ou histórias pessoais marcadas por adversidades. No fim, 33 jovens tiveram sua educação universitária financiada pelo patrimônio de um carpinteiro que nunca conseguiu cursar uma faculdade. Muitos se tornaram médicos, professores, terapeutas e outros profissionais. O grupo acabaria adotando um nome que transformou simbolicamente um homem sem descendentes em pai de uma enorme família: “Dale’s Kids”, os filhos de Dale.

Dale trabalhou praticamente a vida inteira na mesma empresa

A história de Schroeder não começou com herança milionária, investimentos espetaculares ou uma carreira de executivo.

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Paulo Nogueira

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Ele era carpinteiro.

A Universidade de Iowa registra que trabalhou durante 67 anos na Moehl Millwork, em Des Moines, uma empresa ligada ao setor de materiais e produtos para construção. Sua rotina profissional se estendeu por uma parcela extraordinária de sua vida.

Steve Nielsen, amigo e advogado de Dale, descreveu-o posteriormente como o típico trabalhador braçal que levava sua marmita para o emprego, aparecia todos os dias e trabalhava duro.

Também era extremamente econômico.

Essa combinação entre décadas de trabalho contínuo e uma vida de despesas reduzidas permitiu que acumulasse silenciosamente uma fortuna que surpreenderia até pessoas próximas.

Não havia sinais exteriores de riqueza.

Dale não vivia como alguém que possuía milhões de dólares.

Ele tinha apenas dois pares de jeans e dirigia uma velha caminhonete

Um dos detalhes que tornou a história conhecida mundialmente foi o guarda-roupa de Schroeder.

Relatos de seu advogado indicam que ele possuía dois pares de jeans: um usado para trabalhar e outro reservado para ir à igreja aos domingos.

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Também dirigia uma velha caminhonete Chevrolet, descrita pelas reportagens como enferrujada.

Não era uma encenação destinada a parecer humilde.

Dale simplesmente tinha pouca preocupação com consumo.

Seu amigo Walt Tomenga contou posteriormente que Schroeder chegou a acumular cheques da Previdência Social sem sequer descontá-los. Segundo ele, havia uma pilha considerável dos pagamentos guardada quando Dale resolveu perguntar o que deveria fazer com seu dinheiro.

Quanto mais simples vivia, maior ficava o patrimônio.

Mas aparentemente não havia interesse em transformar esse patrimônio em carros melhores, grandes propriedades ou luxo.

Ele começou a pensar em quem poderia usar aquele dinheiro depois que não estivesse mais vivo.

Infância pobre havia tirado dele a oportunidade de estudar

A escolha pela educação tinha uma explicação pessoal.

A Universidade de Iowa relata que o pai de Dale abandonou a família durante a Grande Depressão, período devastador da economia americana iniciado em 1929.

Schroeder cresceu em condições financeiras difíceis e não teve dinheiro para cursar uma universidade.

Ele construiu a própria vida trabalhando.

Mas nunca esqueceu que sua trajetória poderia ter sido diferente caso tivesse recebido uma oportunidade educacional.

Décadas mais tarde, quando percebeu que possuía recursos muito além do necessário para sobreviver, decidiu proporcionar a outros jovens aquilo que não havia recebido.

Não queria simplesmente distribuir dinheiro.

Queria abrir portas.

Carpinteiro entrou no escritório do advogado com um pedido inesperado

Antes de morrer, Dale procurou Steve Nielsen.

O carpinteiro explicou que gostaria de criar uma forma de ajudar jovens de Iowa a frequentar a universidade.

Nielsen conhecia o estilo de vida modesto do amigo e imaginava que estivesse falando de algum valor relativamente limitado.

Carpinteiro trabalha 67 anos na mesma empresa

Então perguntou quanto dinheiro havia disponível.

A resposta foi: pouco menos de US$ 3 milhões.

O advogado contou posteriormente que quase caiu da cadeira ao ouvir o número.

A revelação mostrava o tamanho do contraste.

O homem de dois pares de jeans, caminhonete antiga e décadas de trabalho como carpinteiro tinha acumulado uma fortuna de sete dígitos.

Agora pretendia entregá-la a pessoas que nem conhecia.

Dale não queria simplesmente entregar o dinheiro a uma universidade

Havia ainda uma exigência importante.

Seria muito mais simples doar os milhões diretamente a uma instituição de ensino e permitir que a própria universidade administrasse o patrimônio.

Dale queria algo diferente.

Segundo o projeto que posteriormente administrou o legado, sua intenção era ajudar diretamente estudantes, especialmente jovens de pequenas cidades de Iowa que tivessem recursos limitados e histórias de vida difíceis.

Ele queria pessoas que, em alguma medida, lembrassem o jovem Dale.

Alunos capazes de estudar, trabalhar e construir uma carreira, mas que poderiam perder a oportunidade simplesmente porque suas famílias não tinham condições de bancar anos de ensino superior.

O carpinteiro morreu em 2005.

A partir daquele momento, coube a Nielsen e aos amigos Walt e Judy Tomenga transformar a vontade de Dale em um programa funcional.

Foi necessário criar toda uma estrutura para distribuir a fortuna

O dinheiro existia.

O desafio seguinte era encontrar os estudantes certos.

Os responsáveis precisaram estruturar uma organização sem fins lucrativos, administrar recursos, desenvolver critérios de seleção e alcançar escolas de cidades pequenas.

A iniciativa passou a receber centenas de candidatos.

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Segundo o projeto This is Iowa, em determinados anos chegavam aproximadamente 600 a 800 inscrições, posteriormente reduzidas até chegar a um grupo de finalistas.

Os candidatos precisavam escrever redações e participar de entrevistas.

O objetivo não era encontrar somente as melhores notas.

A equipe procurava aquilo que chamava de “Dale Factor”, uma combinação de perseverança, adversidades superadas, disposição para trabalhar e potencial para aproveitar uma oportunidade que dificilmente surgiria de outra maneira.

Era exatamente o perfil que Schroeder havia pedido.

Nenhum dos oito finalistas saía de mãos vazias

O processo tinha uma característica particularmente generosa.

Em uma das estruturas utilizadas pelo programa, oito finalistas eram chamados para entrevistas.

Quatro podiam receber bolsas completas para instituições públicas de Iowa.

Os outros quatro recebiam bolsas menores de US$ 5 mil.

As bolsas principais cobriam até quatro anos de universidade.

Os beneficiários puderam estudar em instituições como a University of Iowa, Iowa State University e University of Northern Iowa.

A Universidade de Iowa confirma que 33 estudantes acabariam sendo beneficiados pela fortuna de Dale.

O dinheiro de um homem que não chegou ao ensino superior começava, então, a pagar diplomas de pessoas que nasceram décadas depois dele.

Uma das beneficiadas acreditava que simplesmente não conseguiria cursar faculdade

A história de Kira Conard ajuda a dimensionar o impacto individual.

Ela vinha de uma família com mãe solo e outras três irmãs.

Embora tivesse condições acadêmicas de continuar estudando, a parte financeira parecia transformar o sonho em algo impossível.

Conard chegou à festa de formatura do ensino médio preparando-se para admitir que talvez não pudesse seguir para a universidade.

Então recebeu uma ligação.

Do outro lado estava Steve Nielsen.

Ele explicou que existira um homem chamado Dale Schroeder e que aquele carpinteiro havia deixado dinheiro justamente para estudantes como ela.

Conard relatou ter começado a chorar.

O homem responsável por aquela oportunidade já estava morto.

Ela jamais teria a possibilidade de encontrá-lo e agradecer pessoalmente.

Ainda assim, ele estava pagando sua formação.

Outro bolsista havia perdido a mãe aos 13 anos

Nem todos os selecionados enfrentavam apenas dificuldade financeira.

O programa procurava jovens que haviam atravessado obstáculos pessoais significativos.

Benjamin Kopp, por exemplo, perdeu a mãe aos 13 anos depois de uma batalha de dez anos contra o câncer.

A bolsa permitiu que ele cursasse engenharia na Universidade de Iowa sem concentrar seus primeiros anos de vida adulta exclusivamente no pagamento de empréstimos estudantis. Depois, avançou para formação médica e residência em cirurgia ortopédica.

Kopp afirmou que uma das maiores lições deixadas pelo programa foi perceber o impacto que uma única pessoa, mesmo com educação formal limitada e renda modesta durante grande parte da vida, poderia produzir ao escolher viver pensando nos outros.

Essa era precisamente a herança que Dale queria construir.

Jovem que virou mãe aos 16 anos também recebeu uma oportunidade

Outra beneficiária, Jenna Herr, enfrentou uma sequência ainda diferente de dificuldades.

A Universidade de Iowa relata que ela cresceu em uma família monoparental depois que sua mãe foi presa.

Aos 16 anos, Jenna também se tornou mãe.

A bolsa resolveu apenas parte do desafio.

Walt e Judy Tomenga, responsáveis por executar a vontade de Schroeder, passaram a acompanhar os jovens de maneira pessoal.

Herr contou que os dois se tornaram praticamente um segundo conjunto de pais.

Ela visitava a casa do casal, recebia pacotes, conversava por telefone e encontrava apoio para administrar simultaneamente maternidade, vida acadêmica e dificuldades financeiras.

Em 2019, já havia concluído inclusive um MBA pela Universidade de Wisconsin-Madison.

Uma bolsa deixada por alguém que nunca a conheceu havia alterado não apenas o acesso inicial à universidade, mas toda a trajetória profissional posterior.

Muitos se tornaram médicos, professores e terapeutas

Os resultados ultrapassaram o simples número de diplomas.

A Universidade de Iowa registrou beneficiários atuando em áreas como medicina, negócios e consultoria. O projeto This is Iowa relata que o grupo produziu médicos, professores, terapeutas e outros profissionais.

A fortuna não foi usada para criar um prédio com o nome de Dale.

Não ergueu uma estátua.

Também não financiou uma estrutura luxuosa destinada a perpetuar publicamente sua imagem.

Foi diluída em mensalidades, livros, moradia universitária e outros custos necessários para que jovens completassem sua formação.

O patrimônio foi diminuindo à medida que as oportunidades aumentavam.

Essa era exatamente a intenção.

Única contrapartida era que os alunos fizessem o mesmo por alguém no futuro

Não havia como devolver o dinheiro a Schroeder.

Ele já estava morto quando praticamente todos os jovens receberam suas bolsas.

Por isso, Nielsen passou a transmitir aos beneficiários um pedido simples: “pay it forward”, expressão que pode ser traduzida como retribuir adiante.

A lógica era não pagar Dale de volta, mas reproduzir sua atitude ajudando outra pessoa quando surgisse oportunidade.

Os beneficiários carregaram essa ideia para suas profissões.

Alguns trabalham em medicina.

Outros em educação.

Outros em diferentes áreas onde podem influenciar novas pessoas.

Dessa maneira, o patrimônio pode ter terminado financeiramente, mas o efeito pretendido por Schroeder continua potencialmente se multiplicando.

O carpinteiro pobre que não pôde fazer faculdade acabou financiando 33 diplomas

Dale Schroeder passou quase sete décadas trabalhando.

Nunca se tornou empresário milionário aos olhos da comunidade.

Não mudou seu padrão de vida quando sua conta bancária aumentou.

Continuou com hábitos simples, roupas simples e uma antiga caminhonete.

Quando perguntou ao advogado o que poderia fazer com seu dinheiro, quase ninguém sabia que aquele carpinteiro havia acumulado pouco menos de US$ 3 milhões.

Também não possuía herdeiros diretos esperando pelo patrimônio.

Poderia ter destinado tudo a uma instituição qualquer.

Preferiu escolher jovens desconhecidos.

Dale morreu em 2005, aos 86 anos. Não viu os estudantes receberem as ligações informando que poderiam finalmente frequentar a universidade.

Não compareceu às formaturas.

Não viu médicos vestindo jalecos, professores entrando em salas de aula ou terapeutas iniciando carreiras.

Mas eles sabem seu nome.

Décadas depois de sua morte, reúnem-se como “Dale’s Kids” para lembrar justamente o homem que nunca teve filhos.

E a história termina com uma contradição difícil de superar: o carpinteiro que não teve dinheiro para cursar uma universidade quando jovem trabalhou 67 anos, economizou quase US$ 3 milhões e transformou sua maior oportunidade perdida na oportunidade de 33 pessoas que ele nunca conheceu.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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