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Carro SUV elétrico de 7 lugares roda 936 km sem recarregar, supera autonomia oficial em quase 45% e termina viagem com consumo de apenas 9,2 kWh/100 km

Carro SUV elétrico de 7 lugares roda 936 km sem recarregar, supera autonomia oficial em quase 45% e termina viagem com consumo de apenas 9,2 kWh/100 km

12 min de leitura

Carro SUV elétrico de 7 lugares roda 936 km sem recarregar, supera autonomia oficial em quase 45% e termina viagem com consumo de apenas 9,2 kWh/100 km

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 03/09/2026 às 16:57

Atualizado em 03/09/2026 às 16:58

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Škoda Peaq 90 saiu da República Tcheca, atravessou a Alemanha e chegou à Holanda sem conectar a bateria a um carregador. O SUV elétrico de produção superou em 289 km sua autonomia WLTP de 647 km e registrou consumo médio de apenas 9,2 kWh/100 km durante a tentativa supervisionada pela TÜV SÜD.

Dois funcionários da Škoda decidiram descobrir até onde o novo Peaq conseguiria chegar usando apenas a energia armazenada em sua bateria. A resposta apareceu 936 quilômetros depois, quando o SUV elétrico de sete lugares já havia saído de Mladá Boleslav, na República Tcheca, atravessado a Alemanha e chegado à Holanda sem realizar uma única recarga. Segundo a fabricante, a tentativa ocorreu sob supervisão da certificadora TÜV SÜD.

O resultado chama atenção porque o Škoda Peaq 90 possui autonomia homologada WLTP de até 647 km. Portanto, os funcionários conseguiram percorrer 289 km além da referência oficial, uma diferença de quase 45%. Além disso, o veículo terminou o desafio com consumo médio de apenas 9,2 kWh/100 km, segundo os dados divulgados pela própria montadora.

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Entretanto, existe uma ressalva importante. A Škoda reconhece que consumidores dificilmente conduzirão dessa maneira no cotidiano, pois a equipe escolheu cuidadosamente a rota e adaptou o estilo de direção para maximizar a eficiência. Assim, os 936 km representam uma demonstração do limite técnico do conjunto, e não uma nova autonomia oficial para o modelo.

Tudo começou com uma pergunta feita por dois funcionários da Škoda

A experiência nasceu de uma ideia de Marek Jež e Jakub Krs, dois funcionários ligados diretamente ao projeto. Krs trabalha com a estratégia de baterias de alta tensão da fabricante, enquanto Jež lidera a série Peaq. A dupla queria responder a uma pergunta simples: até onde o novo SUV elétrico de sete lugares conseguiria viajar usando uma única carga de sua bateria de 91 kWh?

Em vez de realizar a experiência apenas em circuito fechado, os funcionários escolheram uma viagem internacional. O Peaq saiu da sede da companhia em Mladá Boleslav ao meio-dia de 25 de agosto de 2026, atravessou a Alemanha e chegou à Holanda na manhã seguinte.

Durante o percurso, os motoristas fizeram pausas para alimentação, descanso e troca de posição. Porém, nenhuma dessas paradas envolveu recarga da bateria. Depois de alcançar território holandês, a dupla continuou até concluir a jornada naquela tarde no balneário de Zandvoort.

Peaq percorreu 289 km além de sua autonomia homologada

A comparação com o número oficial ajuda a dimensionar o resultado. O Peaq 90 oferece até 647 km de autonomia pelo ciclo WLTP, enquanto a tentativa terminou somente depois de 936 km. Dessa forma, o SUV percorreu 289 quilômetros adicionais, quase 45% acima da referência homologada.

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Isso não significa que todos os proprietários conseguirão repetir o desempenho. O WLTP utiliza condições padronizadas, enquanto os funcionários planejaram a viagem especificamente para reduzir o consumo. Ainda assim, a experiência demonstra quanto aerodinâmica, velocidade, pneus e comportamento ao volante podem alterar o alcance de um carro elétrico.

A busca por autonomias cada vez maiores já aparece em outros projetos acompanhados pelo Click Petróleo e Gás. O CPG mostrou, por exemplo, como a chinesa GAC desenvolveu o Aion LX Plus com bateria de 144,4 kWh e autonomia anunciada de 1.008 km pelo ciclo NEDC. Nesse caso, porém, a bateria é consideravelmente maior que o conjunto utilizado pelo Peaq.

SUV utilizado no desafio saiu da linha de produção

Outro ponto relevante está no veículo escolhido. Segundo a Škoda, a equipe não preparou um protótipo experimental exclusivamente para alcançar o recorde. O automóvel era um Peaq 90 de produção em série, equipado com componentes disponíveis na configuração apresentada pela fabricante.

O conjunto reúne uma bateria de tração de 91 kWh, dos quais 86 kWh são utilizáveis, motor elétrico com 210 kW de potência, equivalentes a aproximadamente 286 cv, e tração traseira. Além disso, o SUV utilizou rodas de 19 polegadas e pneus convencionais de baixa resistência ao rolamento.

Portanto, a fabricante afirma que não instalou pneus experimentais desenvolvidos apenas para aumentar o alcance. A estratégia concentrou-se na eficiência do conjunto, na escolha da rota e, principalmente, na forma como os motoristas conduziram o veículo.

Aerodinâmica de 0,249 ajudou o SUV de sete lugares

Mover um SUV grande durante centenas de quilômetros exige vencer continuamente a resistência do ar. Por isso, a aerodinâmica ganha importância principalmente em velocidades rodoviárias, quando essa resistência passa a representar uma parcela significativa da energia consumida.

O Peaq possui coeficiente aerodinâmico de 0,249, segundo a Škoda. Combinado aos pneus de baixa resistência ao rolamento, esse trabalho ajudou a reduzir a quantidade de energia necessária para manter o veículo em movimento durante a tentativa.

O número ganha relevância porque o Peaq ocupa o posto de maior e mais espaçoso SUV do portfólio da Škoda e oferece sete lugares. Portanto, o desafio envolve um veículo maior e mais volumoso que modelos desenvolvidos com carrocerias mais baixas e prioritariamente aerodinâmicas.

Consumo caiu para apenas 9,2 kWh a cada 100 km

Um dos números mais relevantes da experiência não está apenas na distância. Durante os 936 quilômetros, o Peaq registrou consumo médio de somente 9,2 kWh a cada 100 km, um resultado alcançado por meio da combinação entre rota favorável, condução eficiente, aerodinâmica e pneus de baixa resistência.

O desempenho mostra por que autonomia não depende exclusivamente do tamanho da bateria. Um veículo pode armazenar muitos kWh e ainda consumir rapidamente essa energia se enfrentar maior resistência aerodinâmica, velocidades elevadas ou condições ambientais desfavoráveis.

Por outro lado, reduzir o consumo permite percorrer mais quilômetros sem necessariamente instalar baterias cada vez maiores. Esse ponto se torna especialmente importante porque conjuntos de alta capacidade também acrescentam peso, volume e custo ao veículo.

Motoristas mudaram a forma de dirigir para alcançar o recorde

Jakub Krs explicou que o objetivo era mostrar o que a tecnologia conseguiria entregar quando levada ao limite. Para isso, a equipe selecionou uma rota adequada e adaptou deliberadamente seu estilo de condução.

Na prática, a estratégia se aproxima do chamado hypermiling. O motorista evita acelerações desnecessárias, antecipa desacelerações e tenta manter velocidades que favorecem o consumo. Dessa maneira, reduz perdas de energia que aparecem naturalmente durante uma viagem convencional.

Entretanto, a própria Škoda reconhece que proprietários dificilmente utilizarão o Peaq dessa forma todos os dias. No cotidiano, motoristas aproveitam desempenho, climatização, sistemas de entretenimento e conforto, além de enfrentar trânsito, chuva, vento e percursos que não foram escolhidos especificamente para economizar eletricidade.

Por isso, os 647 km WLTP continuam sendo a referência homologada do Peaq 90, enquanto os 936 km representam uma demonstração extrema de eficiência.

Corrida pelos 1.000 km utiliza tecnologias diferentes

A aproximação da barreira dos 1.000 quilômetros tornou-se um argumento importante na indústria automotiva. Entretanto, fabricantes seguem caminhos diferentes para chegar a esse número, e nem toda autonomia anunciada pode ser comparada diretamente com os 936 km percorridos pelo Peaq.

O BYD Song Plus 2026, por exemplo, consegue superar a casa dos 1.000 km ao combinar eletricidade e combustível em um sistema híbrido plug-in.

No Peaq, a situação é diferente. Os 936 km foram percorridos exclusivamente com a energia armazenada na bateria, sem abastecimento ou recarga durante o trajeto. Portanto, embora as distâncias sejam semelhantes, os dois veículos utilizam estratégias tecnológicas distintas para alcançar grande autonomia.

SUVs totalmente elétricos também tentam chegar perto de 1.000 km

A competição não envolve apenas híbridos. Alguns fabricantes apostam em veículos totalmente elétricos equipados com baterias significativamente maiores para tentar se aproximar da barreira dos mil quilômetros.

Um exemplo é o Nio EC7. O Click Petróleo e Gás mostrou que o SUV-cupê chinês possui versões com baterias de 75, 100 e 150 kWh, sendo que a maior configuração promete até 950 km de autonomia com uma única carga.

A comparação evidencia uma diferença interessante. Enquanto o EC7 utiliza 150 kWh em sua configuração de maior alcance, o Peaq realizou a tentativa com 91 kWh de capacidade bruta e 86 kWh líquidos.

Isso não significa automaticamente que um veículo seja mais eficiente que o outro, pois ciclos de medição, condições e características técnicas são diferentes. Contudo, os números mostram que aumentar a bateria não representa a única estratégia disponível para ampliar o alcance.

Bateria do Peaq possui 91 kWh, mas motorista utiliza 86 kWh

A bateria empregada durante o recorde possui 91 kWh de capacidade bruta e 86 kWh líquidos disponíveis para utilização. Essa diferença entre capacidade total e utilizável aparece com frequência nos carros elétricos porque o sistema reserva parte da bateria para proteger as células contra situações extremas.

Assim, a eletrônica impede que o motorista trabalhe constantemente nos limites físicos do conjunto. Essa margem pode contribuir para segurança, gerenciamento energético e preservação da bateria.

No desafio, os 86 kWh líquidos sustentaram uma viagem que se aproximou dos mil quilômetros. Ao mesmo tempo, o consumo médio divulgado pela Škoda mostra quanto a equipe conseguiu maximizar o aproveitamento da energia disponível.

Baterias gigantes não são a única saída para aumentar autonomia

O desafio também ajuda a visualizar duas estratégias que começam a disputar espaço na indústria. Uma delas consiste em colocar cada vez mais energia dentro do automóvel. A outra busca reduzir a quantidade de eletricidade necessária para percorrer cada quilômetro.

A primeira estratégia aparece claramente em modelos como o GAC Aion LX Plus. Segundo matéria publicada pelo CPG, o SUV utiliza uma bateria de 144,4 kWh para atingir autonomia NEDC de 1.008 km. A tecnologia apresentada pela fabricante também busca aumentar a densidade energética para armazenar mais eletricidade sem ampliar proporcionalmente o tamanho do conjunto.

Já o resultado do Peaq destaca a segunda abordagem. Com coeficiente aerodinâmico de 0,249, pneus adequados e condução cuidadosamente planejada, o SUV reduziu o consumo médio para 9,2 kWh/100 km e extraiu uma distância muito maior de uma bateria menor.

Na prática, fabricantes provavelmente continuarão combinando as duas estratégias. Melhorias na química das células aumentam a densidade energética, enquanto aerodinâmica, motores mais eficientes e gerenciamento eletrônico reduzem o desperdício.

Carregamento bidirecional amplia função da bateria

A autonomia não representa a única tecnologia nova introduzida pelo Peaq. O SUV também estreia na marca recursos como maçanetas embutidas, teto panorâmico com Dynamic Shade Control e carregamento bidirecional.

Esse último recurso amplia a função da bateria. Dependendo da infraestrutura disponível, sistemas bidirecionais permitem que a energia armazenada no veículo também abasteça equipamentos ou participe de sistemas externos de gerenciamento energético.

A tecnologia ganha relevância conforme carros elétricos passam a carregar baterias com dezenas de kWh e permanecem estacionados durante boa parte do dia. Dessa forma, o automóvel começa a ser tratado não apenas como consumidor de eletricidade, mas também como uma unidade móvel de armazenamento.

Mais de 10 mil pedidos já chegaram à Škoda

O recorde acontece justamente quando o Peaq começa a chegar aos primeiros compradores. A Škoda produz o modelo em sua principal fábrica, localizada em Mladá Boleslav, e afirma ter recebido mais de 10 mil pedidos até a divulgação do desafio.

O número oferece uma primeira indicação do interesse comercial pelo novo SUV, que ocupa o topo da linha da fabricante. Além dos sete lugares, o modelo representa uma expansão importante da estratégia elétrica da companhia.

Nesse cenário, a tentativa de autonomia funciona também como demonstração tecnológica. Em vez de apresentar somente os 647 km homologados pelo WLTP, a Škoda colocou o automóvel em condições deliberadamente voltadas à eficiência para descobrir até onde ele poderia chegar.

Concorrência chinesa aumenta pressão sobre SUVs elétricos europeus

A busca por autonomia ocorre em um mercado no qual fabricantes chinesas avançam rapidamente. Isso aumenta a pressão sobre marcas europeias para combinar alcance, eficiência, espaço, desempenho e velocidade de recarga.

Além disso, o Nio EC7 demonstra outra estratégia chinesa. Conforme mostrou o Click Petróleo e Gás, o SUV combina até 652 cv com uma bateria de 150 kWh na versão de maior alcance, que chega a 950 km declarados.

O Peaq entra nessa disputa com uma abordagem diferente. Em vez de utilizar uma bateria próxima dos 150 kWh, a experiência demonstrou quanto uma configuração de 91 kWh pode avançar quando consumo e resistência ao movimento são reduzidos ao máximo.

Recorde não transforma autonomia oficial em 936 km

Apesar do resultado, existe uma distinção que precisa permanecer clara: o Škoda Peaq 90 não possui autonomia homologada de 936 km.

A referência oficial pelo ciclo WLTP continua em até 647 km. Os 936 km surgiram durante uma tentativa especificamente planejada para maximizar a eficiência, com rota selecionada e condução adaptada. A própria fabricante afirma que consumidores provavelmente não utilizarão o veículo dessa maneira em condições normais.

Portanto, o resultado não deve aparecer como promessa comercial de alcance cotidiano. Ele demonstra o potencial técnico do conjunto quando fatores que normalmente elevam o consumo são cuidadosamente controlados.

Essa diferença também precisa ser considerada ao comparar o Peaq com modelos chineses que anunciam autonomias próximas ou superiores a mil quilômetros. WLTP, CLTC e NEDC não são metodologias idênticas, enquanto uma tentativa de recorde representa outra situação completamente diferente.

Uma bateria maior não resolve tudo sozinha

O resultado reforça uma discussão importante para o futuro dos elétricos. Aumentar a bateria pode elevar a autonomia, mas também adiciona peso, materiais e custo ao veículo. Por isso, melhorar a eficiência energética pode oferecer outro caminho para percorrer mais quilômetros.

O contraste com alguns concorrentes ajuda a visualizar essa diferença. O Nio EC7, por exemplo, utiliza uma bateria de até 150 kWh para chegar aos 950 km declarados em sua configuração de maior alcance, como mostrou esta análise publicada pelo CPG.

Já o Peaq carregava 91 kWh brutos e 86 kWh utilizáveis. Durante a tentativa, a combinação entre aerodinâmica, pneus, rota e comportamento dos motoristas permitiu chegar aos 936 km.

Isso não torna uma arquitetura automaticamente superior à outra. Entretanto, mostra por que fabricantes trabalham simultaneamente em química das células, gerenciamento térmico, aerodinâmica, motores mais eficientes e redução da resistência ao rolamento.

De 647 km homologados para 936 km efetivamente percorridos

Os números finais resumem o desafio. Um SUV elétrico de produção com sete lugares, motor de 210 kW e bateria de 91 kWh saiu da República Tcheca, atravessou a Alemanha e chegou à Holanda sem receber uma única recarga.

A distância total alcançou 936 km, contra autonomia WLTP oficial de até 647 km. Assim, o Peaq percorreu 289 km além da referência homologada, diferença de quase 45%, enquanto manteve consumo médio de somente 9,2 kWh/100 km.

O resultado não elimina as limitações enfrentadas por motoristas em viagens reais. Temperaturas extremas, chuva, vento, velocidades elevadas, climatização e relevo podem aumentar significativamente o consumo. Porém, a experiência mostra quanto aerodinâmica, pneus, planejamento e comportamento ao volante influenciam o aproveitamento da energia armazenada.

Mais do que transformar 936 km em uma nova autonomia oficial, a viagem demonstra até onde um SUV elétrico grande consegue chegar quando praticamente todas as decisões têm um único objetivo: consumir o mínimo possível de eletricidade.

E você, encararia uma viagem de quase 1.000 km em um SUV elétrico sem fazer nenhuma parada para recarga, ou ainda considera a autonomia um obstáculo para abandonar um carro a combustão?

Fonte

Skoda Storyboard


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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