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Casal abandona carreiras lucrativas, vende apartamento com vista para Seattle e compra veleiro de 42 pés para viver uma aposentadoria antes dos 40 anos

Casal abandona carreiras lucrativas, vende apartamento com vista para Seattle e compra veleiro de 42 pés para viver uma aposentadoria antes dos 40 anos

11 min de leitura

Casal abandona carreiras lucrativas, vende apartamento com vista para Seattle e compra veleiro de 42 pés para viver uma aposentadoria antes dos 40 anos

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 15/09/2026 às 17:53

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Bianca e Charlie Boddie tinham salários altos e carreiras em ascensão no mercado de tecnologia de Seattle, mas perceberam que continuavam adiando o sonho de viajar. Depois de colocar os números em uma planilha, vender o imóvel e eliminar a principal dívida, deixaram os empregos em junho de 2025 e hoje dizem que repetiriam a decisão “11 de 10” vezes

Bianca e Charlie Boddie tinham justamente o tipo de vida profissional que muitas pessoas passam décadas tentando construir. Ela trabalhava como repórter financeira sênior do Business Insider, acompanhando tecnologia e Wall Street. Ele era engenheiro de software na área de pagamentos da Amazon e havia passado oito anos avançando em direção ao cargo de principal engineer. Os salários eram bons, as carreiras continuavam crescendo e permanecer naquele caminho provavelmente significaria ganhar ainda mais dinheiro. Mesmo assim, em junho de 2025, os dois pediram demissão, venderam o apartamento onde viviam em Seattle e compraram um veleiro de 42 pés. Segundo relato publicado pelo próprio casal no Business Insider em 14 de setembro de 2026, eles decidiram usar parte do patrimônio para experimentar aquilo que passaram a chamar de sua “primeira aposentadoria”.

Quase um ano e meio depois, Bianca, Charlie e a cadela Stella já haviam navegado mais de 1.000 milhas pelo Noroeste do Pacífico e viajado por 12 países. Entretanto, a decisão não foi tomada simplesmente porque estavam cansados do trabalho. Antes de deixar os salários para trás, os dois criaram uma planilha, calcularam gastos, reorganizaram investimentos, reduziram despesas, venderam o imóvel para eliminar os custos da hipoteca e aceitaram consumir aproximadamente 10% a 20% das economias durante o período sem salário.

E existe uma ironia importante nessa história. O casal não odiava os empregos que possuía. Pelo contrário. Bianca e Charlie descrevem a situação como “algemas de ouro” — bons salários, carreiras promissoras e uma vida confortável que tornava cada vez mais difícil justificar a decisão de sair.

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Eles não estavam fugindo de empregos ruins porque justamente o conforto, os salários e a perspectiva de ganhar ainda mais dinheiro faziam a decisão de abandonar tudo parecer cada vez menos racional

Bianca e Charlie estavam inseridos no boom tecnológico de Seattle.

Profissionalmente, as coisas funcionavam.

Bianca era jornalista especializada em finanças e tecnologia.

Charlie trabalhava dentro da estrutura de pagamentos da Amazon.

Além disso, depois de oito anos na empresa, ele caminhava em direção a um posto ainda mais alto na engenharia.

Portanto, permanecer parecia a escolha óbvia.

Mais experiência.

Mais promoções.

Possivelmente mais dinheiro.

Mais patrimônio.

E, algum dia, aposentadoria.

O problema estava justamente no “algum dia”.

Viajar e passar um período afastados do trabalho era um sonho antigo do casal.

Entretanto, enquanto as carreiras avançavam, aquele projeto continuava sendo empurrado para o futuro.

Até que questões relacionadas à imigração de Bianca começaram a criar incertezas sobre compromissos internacionais de viagem.

Foi então que os dois decidiram descobrir se realmente precisavam esperar.

Antes de entregar qualquer pedido de demissão, o casal abriu uma planilha e tentou descobrir quanto custaria comprar um barco, viajar pelo mundo e passar aproximadamente um ano e meio sem receber salário

O primeiro passo não foi procurar um veleiro.

Também não foi vender o apartamento.

Foi abrir uma planilha.

Durante anos, os dois haviam seguido uma estratégia financeira relativamente convencional.

Mantinham recursos em planos de aposentadoria 401(k).

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Possuíam investimentos.

Tinham comprado um apartamento.

Charlie também recebia parte significativa de sua remuneração em ações da Amazon.

Porém, abandonar dois salários exigia responder a uma pergunta desconfortável.

Quanto do patrimônio construído durante anos eles aceitariam gastar para comprar tempo livre agora?

Então começaram a colocar números no papel.

Custo diário.

Viagens internacionais.

Compra do veleiro.

Manutenção.

Despesas imprevisíveis de possuir uma embarcação — algo particularmente difícil de calcular porque nenhum dos dois havia tido um barco anteriormente.

Mesmo sendo estimativas, a planilha mudou a percepção do casal.

A ideia deixou de ser apenas um sonho.

Passou a ser uma decisão financeira que poderia ser analisada.

Depois de anos guardando dinheiro para o futuro, eles fizeram algo psicologicamente muito mais difícil e separaram uma parte das economias sabendo desde o início que aquele dinheiro existia justamente para ser gasto

Bianca e Charlie se consideravam pessoas financeiramente conservadoras.

Por isso, a decisão não significava simplesmente abrir as contas e começar a gastar.

Eles estabeleceram um limite.

O casal concluiu que conseguiria realizar os planos preparando-se para consumir aproximadamente 10% a 20% das economias.

Parte dos recursos viria das ações da Amazon recebidas por Charlie como remuneração.

Outra parcela sairia de certificados de depósito.

Ao mesmo tempo, porém, mantiveram outros investimentos e as contas 401(k).

A lógica era simples.

Eles queriam pagar pela “primeira aposentadoria” sem destruir completamente a aposentadoria convencional que poderia vir décadas depois.

Portanto, não estavam abandonando o planejamento financeiro.

Estavam alterando a ordem.

Em vez de reservar toda a liberdade para a velhice, decidiram comprar uma parte dela aos 30 e poucos anos.

Para fazer a conta funcionar, o estilo de vida que os salários altos permitiam precisou mudar e restaurantes sofisticados, roupas caras e ingressos esportivos passaram a ser analisados de outra maneira

Havia outro problema.

Enquanto trabalhavam, Bianca e Charlie reconhecem que gastavam com bastante liberdade.

Isso era possível porque havia dois salários entrando regularmente.

Sem salários, a lógica precisaria mudar.

Assim, reduziram os gastos mensais quando não estavam viajando.

Diminuíram refeições em restaurantes sofisticados.

Passaram a pensar mais antes de comprar roupas caras.

Ingressos para eventos esportivos também entraram na revisão.

Curiosamente, entretanto, os gastos durante as viagens permaneceram relativamente estáveis.

Isso porque viajar era justamente um dos motivos pelos quais haviam decidido parar de trabalhar.

Economizar tanto a ponto de eliminar a experiência não faria sentido para eles.

Consequentemente, a redução precisava acontecer em outras áreas.

E a maior delas estava literalmente sobre suas cabeças.

O apartamento de 130 metros quadrados tinha vista para Lake Union e para a Space Needle, mas a hipoteca transformava aquele símbolo da vida que construíram em Seattle na principal barreira para deixarem de trabalhar

O casal havia comprado o imóvel em 2022, próximo ao auge do mercado imobiliário.

Era um apartamento no último andar com aproximadamente 1.400 pés quadrados, cerca de 130 metros quadrados, e vistas para Lake Union e a Space Needle.

No papel, parecia exatamente o tipo de patrimônio que alguém deveria manter.

Mas havia hipoteca.

E taxas condominiais.

Sem salários, os pagamentos mensais comprometeriam o orçamento planejado.

Tornar-se proprietário e alugar o imóvel também não parecia atraente para eles.

Bianca e Charlie não queriam assumir o risco financeiro de serem locadores enquanto viajavam.

Portanto, decidiram vender.

O momento causava preocupação porque o mercado de apartamentos em Seattle estava mais difícil do que quando haviam comprado.

Mesmo assim, conseguiram vender rapidamente pelo preço pedido em uma negociação fora do mercado.

A principal dívida desapareceu.

Mas também desapareceu a casa.

Depois de vender o imóvel onde viviam, eles fizeram algo que não acontecia desde os 18 anos e voltaram temporariamente para a casa da família sempre que não estavam viajando ou dormindo no barco

Essa foi outra peça importante da matemática.

Quando estão fora do veleiro ou entre viagens, Bianca e Charlie ficam com familiares.

Era a primeira vez desde os 18 anos que voltavam a viver sob o mesmo teto que suas famílias.

Eles reconhecem que essa solução não é sustentável indefinidamente.

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Entretanto, durante a pausa profissional, ela permitiu reduzir drasticamente o custo fixo de moradia.

Além disso, produziu uma consequência que a planilha não conseguia calcular.

Mais tempo com a família.

A decisão financeira acabou também aproximando os dois de pessoas com quem, durante a rotina profissional, passavam menos tempo.

Enquanto isso, outro endereço passou a ocupar boa parte de suas vidas.

Um veleiro chamado Windsong.

Em junho de 2025 os dois finalmente entregaram os empregos, venderam a vida imobiliária que tinham em Seattle e trocaram parte da estabilidade por um veleiro grande o suficiente para servir como casa durante meses

O barco possui 42 pés, aproximadamente 12,8 metros.

E recebeu o nome de Windsong.

Em junho de 2025, o plano deixou definitivamente de existir apenas na planilha.

Bianca pediu demissão.

Charlie também.

O apartamento foi vendido.

O veleiro foi comprado.

E começou aquilo que os dois passaram a chamar de “first retirement”, ou primeira aposentadoria.

A expressão é importante porque eles não se consideram aposentados definitivamente.

Ainda pretendem trabalhar.

Eles precisam pensar no futuro financeiro.

Ainda possuem décadas pela frente.

O objetivo era experimentar uma aposentadoria temporária enquanto eram jovens o suficiente para fazer determinadas coisas que talvez fossem mais difíceis no futuro.

Então começaram a navegar.

O casal nunca tinha sido dono de um barco, mas em menos de um ano e meio já havia navegado mais de 1.000 milhas acompanhado da cadela Stella pelo Noroeste do Pacífico

Possuir um veleiro trouxe exatamente a imprevisibilidade que eles haviam tentado prever na planilha.

Barcos precisam de manutenção.

Problemas aparecem.

Custos podem variar.

E Bianca e Charlie estavam aprendendo.

Ainda assim, quase um ano e meio depois da saída dos empregos, o casal havia acumulado mais de 1.000 milhas navegadas pelo Noroeste do Pacífico.

A cadela Stella participa das viagens.

Quando não estão navegando, os dois continuam explorando outros lugares.

Até setembro de 2026, haviam passado por 12 países.

Além disso, passaram a dedicar mais tempo à família e aos próprios hobbies.

Era exatamente isso que estavam comprando ao aceitar consumir parte das economias.

Não um objeto.

Tempo.

O maior medo não foi descobrir se conseguiriam pagar as contas durante 18 meses sem salário, mas aceitar que aquela decisão poderia tornar a aposentadoria definitiva mais difícil décadas depois

Curiosamente, a parte financeira não foi descrita como o obstáculo mais difícil.

A planilha conseguia estimar despesas.

O patrimônio podia ser calculado.

O apartamento podia ser vendido.

Gastos podiam ser reduzidos.

Entretanto, existia uma variável impossível de colocar com precisão em uma célula.

O futuro.

Ao gastar parte das economias agora, os dois abriam mão do crescimento que aquele dinheiro poderia produzir durante décadas.

Além disso, deixar empregos lucrativos também significava interromper contribuições futuras.

Havia ainda o risco profissional.

Quanto tempo demorariam para voltar ao mercado?

Que oportunidades existiriam depois?

O intervalo prejudicaria as carreiras?

Segundo o casal, aceitar essa incerteza foi mais difícil do que simplesmente financiar aproximadamente um ano e meio sem salários.

Por isso, eles não descrevem a decisão como financeiramente perfeita.

Descrevem como uma aposta calculada.

A “primeira aposentadoria” deu liberdade ao casal, mas também criou um problema inesperado porque agora existem tantas possibilidades que eles sentem falta da resposta simples que uma carreira corporativa oferecia sobre qual deveria ser o próximo passo

Durante anos, a trajetória era previsível.

Você trabalha.

Ganha experiência.

Recebe uma promoção.

Assume uma função maior.

Aumenta o salário.

Continua.

Depois que Bianca e Charlie abandonaram essa estrutura, entretanto, o caminho deixou de existir.

Agora eles precisam decidir o que vem depois.

E descobriram que liberdade absoluta também pode ser desconfortável.

Durante meses, os dois ficaram convencidos de que gostariam de comprar um pequeno negócio e administrá-lo juntos.

Querem trabalhar com as próprias mãos.

E querem trabalhar para si mesmos.

Já analisaram possibilidades bastante específicas.

Uma delas seria uma marina em uma ilha no sul da Colúmbia Britânica.

Outra seria uma pousada com 12 cabanas, que poderiam reformar.

Porém, outra vontade começou a aparecer.

Ter novamente uma casa.

Depois de vender o apartamento e passar meses entre família, hotéis e o veleiro, eles começaram a sentir vontade de construir uma casa própria novamente e agora precisam escolher entre comprar um lar ou um negócio

O casal passou a observar casas nas regiões montanhosas costeiras próximas de Vancouver.

Lugares onde imaginam construir uma família nos próximos anos.

Existe apenas um problema.

Com o dinheiro disponível atualmente, não conseguem comprar ao mesmo tempo a casa desejada e um negócio.

Portanto, outra decisão grande se aproxima.

Empreender.

Ou comprar uma casa.

Talvez escolher outro caminho.

A diferença é que não existe mais uma escada corporativa indicando automaticamente o próximo degrau.

E Bianca e Charlie admitem que essa quantidade de possibilidades tornou surpreendentemente difícil tomar uma decisão.

A liberdade que procuravam chegou.

Agora precisam aprender a administrá-la.

Mesmo sabendo que o patrimônio diminuiu e que o próximo passo permanece incerto, a resposta dos dois foi imediata quando o pai de Charlie perguntou se eles se arrependiam de abandonar os empregos

A pergunta apareceu recentemente.

O pai de Charlie quis saber se, agora que havia passado bastante tempo desde a decisão original, os dois se arrependiam.

Seria compreensível.

Eles abriram mão de salários altos.

Venderam a casa.

Consumiram parte das economias.

Interromperam carreiras promissoras.

E ainda não sabem exatamente o que farão depois.

Mesmo assim, a resposta foi enfática.

“11/10.”

Foi a decisão certa.

E eles dizem não ter arrependimentos.

Isso não significa que recomendem simplesmente abandonar o emprego.

A própria história mostra o contrário.

Foram anos acumulando patrimônio.

Houve uma planilha detalhada.

Uma parcela específica das economias foi destinada ao projeto.

Dívidas foram eliminadas.

Despesas diminuíram.

Investimentos de longo prazo foram preservados.

E a moradia com familiares tornou a matemática possível.

Portanto, a aventura começou muito antes de o veleiro deixar o cais.

Começou quando os dois decidiram descobrir quanto estavam realmente dispostos a pagar por mais tempo enquanto ainda estavam nos 30 e poucos anos.

Eles poderiam continuar acumulando dinheiro e deixar o grande sonho para décadas depois, mas decidiram antecipar uma pequena parte da aposentadoria mesmo sabendo que isso significava aceitar menos patrimônio e muito mais incerteza

Essa talvez seja a escolha mais interessante da história.

Bianca e Charlie não abandonaram tudo porque não tinham nada a perder.

Era justamente o contrário.

Tinham bastante a perder.

Boas carreiras.

Salários altos.

Um apartamento com vista para alguns dos cartões-postais de Seattle.

Investimentos.

Perspectiva de promoções.

E um caminho profissional previsível.

As “algemas de ouro” funcionavam porque eram confortáveis.

Ainda assim, havia algo que nenhum aumento salarial conseguia resolver.

O tempo continuava passando.

Em junho de 2025, eles decidiram interromper aquela sequência.

Venderam o apartamento.

Compraram o Windsong.

Separaram até 20% das economias para financiar o período.

Passaram por 12 países.

Navegaram mais de 1.000 milhas.

Voltaram a passar mais tempo com suas famílias.

E agora precisam descobrir como será a próxima etapa.

Talvez comprem uma empresa.

Ou uma casa.

Talvez retornem ao trabalho de outra maneira.

Por enquanto, entretanto, eles continuam considerando aquela decisão “11/10”.

E a pergunta que permanece não é simplesmente se vale a pena abandonar um emprego bem pago.

É outra.

E você, se tivesse construído uma carreira bem remunerada e acumulado dinheiro suficiente para passar um ano e meio sem trabalhar, gastaria até 20% das economias para viajar enquanto ainda é jovem ou continuaria trabalhando para proteger ao máximo sua aposentadoria no futuro?

Fonte

Business Insider


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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