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Casal compra terreno de quase 35 hectares sem saber que havia um poço de petróleo de 1985 enterrado, tenta vender parte da área 11 anos depois e descobre restrições, metano e uma disputa que atravessa oito anos
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 12/09/2026 às 20:04
Atualizado em 12/09/2026 às 20:05
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Família comprou a propriedade em 2007 sem qualquer indicação do poço nos documentos; descoberta durante subdivisão levou a testes, ordem de reparo e monitoramento que continuava em 2026
Johanne Lee e o marido compraram em 2007 uma propriedade de quase 35 hectares perto de Swift Current, em Saskatchewan, no Canadá, acreditando que se tratava de uma área rural comum. Nada visível no terreno, no título ou nos documentos analisados na compra indicava que um antigo poço de petróleo estava enterrado sob a propriedade.
A surpresa veio 11 anos depois, quando o casal tentou separar cerca de 16 hectares para venda. Durante o processo, Lee recebeu uma ligação do setor de planejamento informando que existia ali um poço perfurado em 1985, posteriormente adquirido pela TAQA North.
Poço estava praticamente no meio da área que o casal queria vender
A localização tornou o problema ainda maior. Segundo Lee, ela foi informada de que o desenvolvimento seria restrito em um raio de 125 metros e que seria necessário preservar acesso para equipamentos pesados caso o poço precisasse de reparos.
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A família afirma que essas limitações prejudicaram diretamente a possibilidade de vender ou desenvolver a parcela. O poço, afinal, ficava próximo ao centro da área que pretendiam negociar.
O primeiro teste registrou metano em 2018
Registros provinciais mostram que o Ministério de Energia e Recursos testou o poço em 19 de setembro de 2018. Houve uma leitura pontual de aproximadamente 800 ppm de metano perto do cabeçote, embora o levantamento geral de migração de gás tenha sido classificado como negativo.
Lee disse que foi informada de que o local era seguro, mas afirma não ter recebido naquela época a informação sobre os 800 ppm. Ao criticar a forma como as informações chegavam ao proprietário, resumiu:
“Eu sou dona daquela terra.”
Área sem vegetação levou a novo teste e resultado positivo
Em 2022, outro teste realizado pela TAQA North também foi classificado como negativo. No ano seguinte, porém, Lee percebeu uma área próxima ao poço onde pouca ou nenhuma vegetação crescia.
Um levantamento posterior deu resultado positivo para migração de gás. Lee disse ter sido informada de uma concentração de 13 mil ppm de metano, atribuída à formação geológica Belly River. O ministério confirmou que o levantamento solicitado após uma visita em setembro de 2023 foi o primeiro resultado positivo de migração de gás oficialmente registrado no local.
Governo ordenou nova intervenção no poço
Em 3 de janeiro de 2025, o governo de Saskatchewan emitiu uma ordem formal contra a TAQA North. O documento determinou:
“Obter uma licença para reentrar e abandonar o poço localizado em 101/14-23-015-14 W3M.”
A mesma ordem estabeleceu outro prazo direto:
“Concluir as operações de abandono subterrâneo até 1º de junho de 2025, salvo aprovação em contrário.”
Os reparos começaram depois, durante o verão de 2025. Uma sonda permaneceu vários dias na propriedade e, segundo Lee, um teste realizado após a saída inicial dos equipamentos indicou uma concentração muito maior.
“Neste ponto, o teste indicou 55 mil partes por milhão”, afirmou Lee.
O número foi informado pela proprietária e não havia sido confirmado de forma independente pelo ministério ou pela TAQA North.
Pesquisa independente encontrou situação considerada incomum
Em janeiro de 2026, Jane McLeod, diretora executiva de serviços de campo do ministério, informou que um levantamento feito por terceiros havia confirmado níveis elevados de gás. A empresa foi obrigada a reparar ou abandonar novamente o poço, enquanto o governo acompanhava os trabalhos.
Zachary Mailhot, pesquisador de engenharia civil da McGill University que participou de uma equipe que examinou a estrutura, disse que a maioria dos poços tamponados avaliados pelo grupo não apresentava metano ou liberava quantidades insignificantes.
Ao falar especificamente sobre aquele caso, resumiu:
“Isso definitivamente não era algo normal.”
Monitoramento continuava e família ainda queria uma resposta definitiva
O ministério informou posteriormente ter detectado cerca de 1.000 ppm de metano diretamente no respiro, equivalente a 2% do limite inferior de explosividade. Um teste de bolhas não mostrou fluxo pelo respiro, e o órgão classificou o local como seguro naquele momento.
Mesmo assim, o poço não poderia ser simplesmente cortado e tampado. As regras provinciais exigem que testes independentes não indiquem fluxo pelo revestimento superficial nem migração de gás antes da recuperação definitiva. A orientação oficial de Saskatchewan prevê reparo imediato ou monitoramento quando esses problemas são identificados.
Em junho de 2026, novos equipamentos de monitoramento foram instalados. Quando a CKOM publicou o caso, em 9 de agosto, a situação ainda não estava encerrada, a TAQA North não havia respondido aos pedidos de comentário da reportagem e Lee continuava tentando obter uma resposta definitiva depois de oito anos de testes, reparos e incerteza.
Fonte
Government of Saskatchewa
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

