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Casal que passou 70 anos junto continua tomando café da manhã de mãos dadas até a velhice; ela morre aos 92 e ele parte apenas 15 horas depois e emociona familiares
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 09/09/2026 às 10:31
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Helen e Kenneth ficaram casados por 70 anos, tomavam café de mãos dadas e morreram com apenas 15 horas de diferença aos 92 e 91 anos.
Helen e Kenneth Felumlee haviam acabado de completar 70 anos de casamento quando uma união iniciada ainda na juventude chegou ao fim de maneira rara em Nashport, no estado de Ohio, nos Estados Unidos. Helen morreu em casa na manhã de 12 de abril de 2014, aos 92 anos. Apenas 15 horas depois, Kenneth, de 91, morreu na mesma residência, na madrugada de 13 de abril, cercado por 24 parentes e amigos próximos. Segundo a Associated Press, os oito filhos do casal disseram que os dois permaneceram inseparáveis desde a adolescência.
A rotina que melhor sintetizava aqueles 70 anos continuava existindo mesmo na velhice: Helen e Kenneth tomavam café da manhã juntos e seguravam as mãos enquanto comiam. Pouco depois da morte dela, Kenneth percebeu que a esposa havia partido, começou a enfraquecer rapidamente e morreu na manhã seguinte. A família não apresentou qualquer diagnóstico de que o luto tenha provocado diretamente sua morte; o filho Dick Felumlee disse à Associated Press que ambos morreram de velhice.
Helen e Kenneth haviam completado 70 anos de casamento menos de dois meses antes
A documentação funerária confirma a cronologia que transformou a história em notícia internacional. Helen Marie Felumlee nasceu em 1º de novembro de 1921, em Columbus, Ohio. Kenneth Eugene Felumlee nasceu em 22 de fevereiro de 1923, em Newark. Os dois se casaram em 20 de fevereiro de 1944.
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Quando Helen morreu, em 12 de abril de 2014, o casal havia celebrado o 70º aniversário de casamento apenas algumas semanas antes. Kenneth morreu nas primeiras horas do dia seguinte. Helen tinha 92 anos e Kenneth, 91. O obituário conjunto registra que as duas mortes ocorreram na residência da família, em Nashport.
A diferença de idade entre eles era de pouco mais de um ano, mas Kenneth ainda não havia completado 21 anos quando decidiram se casar. Esse detalhe explica uma das passagens mais incomuns do início da relação e mostra até onde os dois estavam dispostos a ir para permanecer juntos.
Kenneth ainda não tinha 21 anos e o casal atravessou a fronteira estadual para se casar
Os dois já se conheciam havia alguns anos quando decidiram fugir para Newport, no Kentucky, cidade situada do outro lado do rio Ohio em relação a Cincinnati. O casamento ocorreu em 20 de fevereiro de 1944, apenas dois dias antes de Kenneth completar 21 anos.
Segundo os filhos, Kenneth ainda era jovem demais para realizar o casamento da maneira pretendida em Ohio. A solução foi atravessar a fronteira estadual. A Associated Press registrou que o filho Jim Felumlee resumiu a decisão dizendo que o pai simplesmente não queria esperar.
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Fotos preservadas pela família mostram Helen e Kenneth juntos já no início da década de 1940, alguns anos antes da cerimônia. Décadas mais tarde, a família lembraria aquele casamento improvisado como o início formal de uma relação que atravessaria sete décadas inteiras e produziria uma família de oito filhos.
O casal criou oito filhos e evitava até passar uma única noite separado
Os Felumlee tiveram oito filhos, e os relatos familiares publicados após as mortes descrevem uma rotina marcada por uma proximidade fora do comum. Um dos episódios lembrados pelos filhos ocorreu durante uma viagem de ferry, quando Helen e Kenneth teriam preferido dividir a parte inferior de um beliche em vez de dormir separados durante aquela noite.
O hábito de proximidade continuou décadas depois. Linda Cody, uma das filhas, contou que os pais ainda faziam as refeições matinais segurando as mãos, mesmo depois de 70 anos casados. Era uma cena cotidiana, repetida dentro da casa e sem qualquer intenção de se transformar em símbolo público da relação.
Foi justamente esse detalhe simples que acabou aparecendo em reportagens da Associated Press, CBS News, ITV e outros veículos quando a história ganhou repercussão. Não eram apenas duas pessoas que haviam permanecido legalmente casadas durante sete décadas. Segundo os filhos, elas continuavam organizando o cotidiano em torno uma da outra.
Kenneth trabalhou em ferrovia antes de passar anos entregando correspondências
A vida profissional do casal seguiu um modelo comum para muitas famílias norte-americanas daquela geração. Kenneth trabalhou inicialmente como inspetor e mecânico de vagões ferroviários. Mais tarde, tornou-se carteiro no correio de Nashport.
Além do trabalho, ele mantinha participação ativa na Nashport-Irville United Methodist Church e atuava como professor de escola dominical. A aposentadoria veio em 1983, quando os filhos já começavam a deixar a casa e o casal entrava em uma fase muito diferente da vida.
Helen permaneceu mais concentrada na casa e na família, mas os relatos dos filhos indicam que sua rotina alcançava outras residências da comunidade. Ela cozinhava e fazia serviços domésticos não apenas para a própria família, mas também ajudava famílias que precisavam de assistência na região.
Helen ficou conhecida na comunidade pelas cartas que enviava em aniversários e momentos de luto
Helen também dava aulas na escola dominical, mas uma de suas atividades mais lembradas pelos parentes era uma espécie de ministério de cartões. Ela enviava correspondências em aniversários, datas comemorativas e períodos de luto, acrescentando mensagens pessoais aos cartões destinados a integrantes da comunidade.
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A quantidade era tão grande que a nora Debbie Felumlee brincou com a Associated Press dizendo que Helen praticamente mantinha a fabricante Hallmark funcionando.
A frase ajudava a ilustrar uma rotina construída em torno de contatos pessoais muito antes de mensagens instantâneas e redes sociais se tornarem dominantes.
Quando Helen morreu, portanto, a perda atingiu não apenas Kenneth e os oito filhos. O obituário e os relatos posteriores mostram um casal integrado à igreja e à comunidade de Nashport durante décadas, com uma rede de parentes, amigos e conhecidos que apareceria de maneira especialmente visível nas últimas horas de Kenneth.
Depois da aposentadoria, eles viajaram por quase todos os Estados Unidos
A aposentadoria de Kenneth, em 1983, abriu uma nova fase. Com os filhos deixando gradualmente a residência familiar, Helen e Kenneth começaram a viajar com maior frequência e chegaram a visitar quase todos os 50 estados norte-americanos, segundo a família.
A maior parte dessas viagens era realizada de ônibus. Jim Felumlee contou que o pai preferia o transporte terrestre porque acreditava que, voando, perderia tudo o que poderia observar pelo caminho. A viagem, nesse caso, não era apenas uma maneira de alcançar o destino, mas parte do passeio.
A rotina reforça outro elemento constante nas memórias dos filhos: os dois organizavam suas experiências como casal.
Viajaram juntos, criaram os oito filhos juntos e continuaram compartilhando até atividades banais, como o café da manhã, quando já tinham ultrapassado nove décadas de vida.
A saúde dos dois piorou nos últimos anos, mas cada um tentava permanecer forte pelo outro
Nos anos finais, tanto Helen quanto Kenneth apresentaram declínio de saúde. A família não detalhou nas reportagens da Associated Press uma doença específica responsável pela sequência final, mas Linda Cody afirmou que cada um parecia tentar permanecer forte para sustentar o outro.
O que a documentação jornalística estabelece é uma sequência objetiva: Helen morreu na manhã de sábado, 12 de abril. Kenneth permaneceu vivo por mais algumas horas.
Aproximadamente 12 horas após a morte dela, segundo a filha Linda, ele demonstrou compreender de forma definitiva que a esposa havia morrido e começou a piorar rapidamente.
Cerca de 12 horas depois da morte de Helen, Kenneth começou a enfraquecer
A família estava reunida quando Kenneth percebeu a ausência definitiva da esposa. Linda Cody relatou que, aproximadamente 12 horas depois da morte de Helen, o pai olhou para os filhos e disse apenas que a mãe deles estava morta. A partir daquele momento, seu estado se deteriorou rapidamente.
Os familiares já imaginavam que uma separação poderia ser particularmente difícil para ele. Linda afirmou que os filhos acreditavam que, quando um dos dois morresse, o outro não demoraria muito a seguir. Isso era uma percepção familiar, não uma previsão médica, formada depois de décadas observando a dependência emocional e cotidiana entre os pais.
Kenneth chegou às primeiras horas de domingo, 13 de abril. Quando morreu, haviam se passado apenas 15 horas desde a morte de Helen. A distância temporal entre duas vidas que haviam permanecido lado a lado por 70 anos se resumiu, no fim, a menos de um dia.
O funeral dos dois foi marcado para o mesmo dia depois de 70 anos juntos
O obituário foi publicado de forma conjunta para Helen e Kenneth. As visitas à família foram marcadas para 15 de abril de 2014, na capela da Vensil & Chute Funeral Home, em Frazeysburg. O funeral ocorreu às 11h do dia seguinte na Nashport-Irville United Methodist Church.
Os dois foram sepultados no Frazeysburg Cemetery. Assim, a mesma documentação funerária reuniu os nomes do casal, as datas consecutivas das mortes e os 70 anos de casamento iniciados em fevereiro de 1944.
A história ganhou circulação nacional poucos dias depois. Associated Press, CBS News, Washington Post e emissoras internacionais reproduziram o caso, quase sempre destacando os mesmos três elementos: sete décadas de casamento, o hábito de segurar as mãos durante o café da manhã e as apenas 15 horas que separaram as mortes.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

