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Casal trabalhava no quintal de casa quando encontrou uma misteriosa escultura de 68 quilos enterrada no solo e agora tenta descobrir quem criou a peça e como ela foi parar ali
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 04/09/2026 às 14:48
Atualizado em 04/09/2026 às 15:01
Ciência e Tecnologia
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Descoberta ocorreu em maio, quando Greg Gatwood trabalhava no quintal de casa em São Francisco; peça pesa cerca de 68 quilos e pode ter ligação com escultores ligados ao Instituto de Arte da cidade
Um busto de calcário de aproximadamente 68 quilos surgiu sob a terra durante um trabalho de jardinagem em uma casa de São Francisco, nos Estados Unidos. Encontrada em maio pelo paisagista Greg Gatwood, de 65 anos, a escultura pode ter ligação com artistas que trabalharam na cidade durante a primeira metade do século XX.
Gatwood trabalhava no quintal quando sua pá atingiu alguma coisa rígida. Inicialmente, ele acreditou ter encontrado a base de um antigo poste de cerca.
Após usar uma picareta para liberar o objeto, percebeu que havia descoberto uma grande cabeça feminina esculpida em pedra.
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A peça representa a cabeça e o pescoço de uma mulher sobre uma base retangular. Além dos cerca de 68 quilos, mede aproximadamente 56 centímetros de largura, 46 centímetros de altura e 25 centímetros de profundidade.
“É provavelmente a coisa mais emocionante que já desenterrei em um quintal”, afirmou Gatwood à NBC Bay Area.
Assista o vídeo
Busto de calcário não possui assinatura que revele seu autor
Desde a descoberta, Gatwood e sua parceira, a pintora profissional Judy Gittelsohn, tentam descobrir quem produziu a escultura e como uma peça desse tamanho terminou enterrada na propriedade.
Gittelsohn afirmou ao San Francisco Chronicle que conversou com quase 50 pessoas sem conseguir uma identificação definitiva. Para ela, o nível técnico do trabalho indica que a peça não foi produzida por um escultor amador.
A ausência de assinatura ou documentação histórica, porém, dificulta qualquer atribuição segura. Ken Middlebrook, curador de coleções da organização History San Jose, classificou a descoberta como um “tesouro”, mas destacou justamente a dificuldade de determinar quem a produziu.
Entre as possibilidades levantadas está uma conexão com Ralph Stackpole, escultor e muralista americano que viveu e trabalhou em São Francisco durante a primeira metade do século XX.
Localização da casa reforçou hipótese envolvendo Ralph Stackpole
Stackpole chegou a São Francisco em 1901 e deixou diversas obras na cidade. Na década de 1930, participou da produção dos afrescos da Coit Tower dentro do Projeto de Obras de Arte Públicas.
Ele também produziu duas grandes figuras Art Déco instaladas na entrada do histórico edifício da Bolsa de Valores da Costa do Pacífico.
Seu trabalho esteve ainda associado à Exposição Internacional Panamá-Pacífico de 1915 e à Exposição Internacional Golden Gate de 1939-40, realizada em Treasure Island.
Além de atuar como artista, Stackpole ensinou escultura durante quase duas décadas na Escola de Belas Artes da Califórnia, posteriormente chamada Instituto de Arte de São Francisco.
Um detalhe chamou a atenção de Gittelsohn: o prédio onde funcionava o departamento de escultura da instituição fica do outro lado da rua de sua residência, no bairro de Russian Hill.
A casa onde o casal mora foi construída em 1948. Antes disso, segundo as informações disponíveis, o terreno era vazio. Gittelsohn considera possível que Stackpole ou algum estudante tenha deixado a obra no local.
Escultura também pode ter relação com exposição de 1939-40
A historiadora Anne Schnoebelen, vice-presidente do conselho de diretores do Museu da Ilha do Tesouro, considera possível que a peça tenha sido criada por Stackpole ou pelas escultoras Adaline Kent e Helen Phillips, duas alunas dele que viviam nas proximidades.
Outra hipótese envolve a Exposição Internacional Golden Gate. Schnoebelen avalia que o busto de calcário pode ter integrado a chamada Corte de Pacifica.
Essa área reunia a estátua de 24 metros da deusa mítica Pacifica, criada por Stackpole, e 20 esculturas da série Pacific Unity.
Do conjunto, 12 obras menores estavam instaladas nos níveis de uma fonte de três níveis, enquanto outras oito esculturas maiores ocupavam a praça ao redor.
“Parece que poderia ter sido um dos rostos criados para a Corte de Pacifica, mas não sabemos ao certo”, afirmou Schnoebelen ao Los Angeles Times.
Mistério permanece sobre quem enterrou a escultura
Mesmo que algum dia seja possível esclarecer a autoria, ainda existe outra pergunta: por que a escultura estava enterrada?
Schnoebelen levantou possibilidades como a insatisfação de alguém com o resultado da peça, mas ressaltou que não existe confirmação sobre o motivo.
Gatwood também apresentou uma hipótese própria. Para ele, a escultura poderia ter pertencido anteriormente à casa, ficado exposta no jardim e acabado abandonada após cair de algum pedestal.
Enquanto nenhuma resposta definitiva aparece, o casal pretende manter a descoberta na propriedade. Gatwood está construindo um pedestal para colocar a escultura novamente no quintal.
Segundo ele, a peça permanecerá ali, a menos que surjam evidências de que se trata de uma obra de valor inestimável que deveria ser preservada em um museu.
Esta matéria foi elaborada com base em informações de NBC Bay Area, San Francisco Chronicle, KTVU e Los Angeles Times, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.
Fonte
https://www.smithsonianma
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

