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Celular carregando à noite explode na cama de menino de 11 anos; outro incendeia casa
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 21/09/2026 às 01:00
Atualizado em 21/09/2026 às 01:01
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Em dois dias seguidos de setembro, um celular ligado na tomada estourou sobre a cama onde um menino dormia com a avó no interior de São Paulo, e outro começou um incêndio numa casa do interior do Rio, que deixou um pai internado com queimaduras nas costas
O celular ficou no chão do quarto, encostado no pé da cama, com a metade de cima virada uma crosta preta e estufada. Só a capinha azul, embaixo, lembra que aquilo era um telefone.
A cena foi gravada pela EPTV em Américo Brasiliense (SP), onde o aparelho pegou fogo e explodiu na noite de sexta-feira, 11 de setembro de 2026, enquanto carregava ao lado de um menino de 11 anos e da avó dele, contou o g1 São Carlos e Araraquara.
O celular estourou como trovão em cima da cama
Nas imagens exibidas pelo g1, a câmera desce do celular queimado para o colchão. No lugar onde o aparelho estava, a espuma amarela aparece aberta, com a borda do tecido derretida e preta, e fuligem espalhada pelo piso branco do quarto.
A avó, Vera Lúcia Soares, contou ao g1 que o barulho acordou a casa inteira: “Foi uma explosão, tipo quando dá aquele trovão bem forte. Ele até achou que era um trovão, mas não era, era o celular explodindo”.
Miguel, o neto de 11 anos, disse que despertou com a avó gritando. “Quando eu vim para cá, eu vi o fogo subindo. Depois disso, nem celular eu vou pegar mais para ficar na cama”, afirmou o menino ao g1.
Uma meia, um empurrão e um balde de água
Vera tirou o celular da cama do jeito que deu, antes que o incêndio pegasse o colchão inteiro. Ela contou que usou uma meia para empurrar o aparelho, que caiu no chão e continuou pegando fogo ali, até ela jogar água por cima.
“Eu catei minha meia e peguei e empurrei o celular e ele caiu ali. Ali ele começou a pegar fogo. Aí eu joguei para lá e taquei água em cima para apagar. Mas a fumaça é muito fedida”, relatou a avó.
O g1 registra que ela enfrentou a fumaça tóxica liberada pela queima dentro do quarto. “Foi muito grande o susto, que eu achava que não ia acontecer, mas aconteceu”, disse Vera.
No Rio, o incêndio começou num celular esquecido na tomada da sala
No dia seguinte, outro celular ligado na tomada virou incêndio. O fogo atingiu uma casa no bairro Tubiacanga, em Natividade, no Noroeste Fluminense, pouco depois da meia-noite do sábado, 12 de setembro de 2026, informou o g1 Norte Fluminense.
A moradora Alice Maria de Oliveira Mendes, de 34 anos, contou ao g1 que o marido, Geanderson Fonseca, de 43, trabalha com manutenção de celulares e tinha deixado na sala o aparelho de um cliente carregando para consertar.
Enquanto a família dormia, o equipamento ou o carregador teria dado pane e começado a pegar fogo, relatou Alice. As chamas pegaram o sofá e correram pela sala até o quarto onde os três estavam.
As imagens da casa em chamas no meio da madrugada
O vídeo da Inter TV exibido pelo g1 mostra imagens cedidas pela Rádio Natividade FM: um clarão alaranjado no escuro, com o fogo subindo entre as árvores e as luzes dos postes da rua, gravado à distância enquanto a casa queimava.
De dia, a mesma reportagem de TV mostra o que sobrou por dentro: o estrado de molas de uma cama coberto de cinza, paredes pretas de fuligem e roupas queimadas amontoadas do lado de fora da porta.
O pai tirou a filha e a mulher e saiu por último
Geanderson tirou primeiro a filha de 4 anos, que teve escoriações leves, e depois Alice, que sofreu queimaduras no rosto e nos braços e passa bem, informou o g1. Na entrevista à Inter TV, ela aparece com a mão enfaixada, em frente à casa.
Ele foi o último a sair e teve queimaduras em grande extensão do corpo, principalmente nas costas, relatou o g1. Foi levado ao Pronto-Socorro do Hospital Natividade e depois transferido para um hospital especializado em queimados, no Rio de Janeiro, onde segue internado.
O Corpo de Bombeiros mandou equipes do Destacamento 4/21 para combater as chamas. A sala e um dos quartos ficaram destruídos pelo incêndio, e junto foram perdidos os aparelhos de clientes que estavam na casa para conserto, contou o g1.
A família recebe apoio da Secretaria Municipal de Assistência Social e pede doações para a menina, que perdeu as roupas e os objetos do quarto: roupas, calçados, roupas íntimas, meias e agasalhos para uma criança de 4 anos, além de roupas de cama.
Por que a bateria do celular entra em “fuga térmica”
Em Araraquara, o comandante do Corpo de Bombeiros, capitão Cassio Koitsi, explicou ao g1 que esse tipo de fogo nasce de uma reação química dentro da bateria de íons de lítio, chamada de fuga térmica, que pode ser disparada por defeito, impacto ou uso excessivo.
“Ela cria uma reação química que gera calor e gases inflamáveis e tóxicos, que podem, então, pegar fogo. É uma reação autossustentável”, disse o capitão. “Ela produz calor, que produz gás inflamável, que junto com o calor de oxigênio gera o fogo, que vai gerar mais calor, mais gás e assim até extinguir toda a bateria.”
Traduzindo a fala do bombeiro: depois que a reação começa, o próprio calor alimenta a reação seguinte, e ela só para quando a bateria acaba. Por isso a avó viu o celular continuar queimando no chão mesmo fora da cama, e por isso um incêndio de bateria é tão difícil de apagar.
Cama, sofá e gaveta seguram o calor que o carregador produz
A orientação do capitão ao g1 é carregar o celular numa base plana, rígida e sem nada que pegue fogo em volta, “não deixar próximo da cortina, do travesseiro, em cima da cama”. Os dois casos de setembro começaram em cima de uma cama e, no incêndio do Rio, as chamas pegaram primeiro o sofá.
A Anatel, agência que regula os celulares no Brasil, explica o motivo nas orientações de uso seguro: o carregamento gera aquecimento, e carregar em lugar fechado impede que o calor escape. A agência cita bolsas, malas, gavetas, caixas e bolsos, e avisa que o superaquecimento da bateria pode terminar em fogo ou explosão.
A mesma página da Anatel pede para evitar usar o telefone enquanto ele está ligado à tomada, não carregar sob o sol ou dentro de carro estacionado no calor e não usar carregador danificado, incluindo o cabo.
Os sinais de que a bateria do celular está pedindo socorro
O sinal mais claro, pelo que disse o capitão Koitsi ao g1, é a bateria estufada. “Estufou a bateria, ela não está segurando a carga direito, então já leve uma assistência técnica”, orientou o bombeiro. Numa emergência, o número é o 193.
A Anatel acrescenta que bateria que não sai do aparelho só deve ser retirada e manipulada pela assistência técnica autorizada. Tentar abrir, consertar ou trocar em casa pode danificar a peça e provocar acidente, avisa a agência.
Impacto também conta, segundo a Anatel: perfurar, amassar ou deformar o invólucro da bateria pode causar vazamento de elementos tóxicos, fogo ou explosão, e o mesmo vale para quem guarda bateria solta junto de chaves, moedas e ferramentas.
O selo que o carregador do celular tem que ter no corpo
Na fala ao g1, o capitão recomendou usar “carregadores originais ou certificados pelo Inmetro”. No caso do carregador de celular, o documento que manda é da Anatel, que homologa o aparelho e o acessório antes da venda no Brasil.
O Ato 5.155 da Anatel, de 17 de abril de 2024, diz que o carregador vendido no país tem que trazer o selo de segurança da homologação afixado no próprio corpo. No ensaio, ele não pode passar dos limites de elevação de temperatura previstos nas regras de segurança elétrica.
A Anatel lista o risco de usar peça não homologada:
- bateria não homologada pode ter circuito de segurança mal projetado, ou nenhum, e a falha pode causar superaquecimento, fogo ou explosão;
- carregador não homologado pode mandar para a bateria uma tensão maior do que ela aguenta, a chamada sobretensão;
- mesmo em uso normal, o carregador sem homologação pode dar choque, aquecer demais e pegar fogo.
Antes de chegar à loja, a bateria homologada passa por sete testes de segurança, informa a Anatel, entre eles carga prolongada, queda de 1 metro de altura e abuso térmico a 130 °C, e não pode vazar, pegar fogo nem explodir em nenhum deles.
Depois do fogo, a quem avisar
Para quem passar por um acidente com celular, bateria ou carregador, a Anatel orienta procurar as instituições de segurança pública e de saúde e também avisar a assistência técnica do fabricante do produto sobre o que aconteceu.
Em Américo Brasiliense, o susto terminou com o celular carbonizado no chão e um menino que prometeu não levar mais o aparelho para a cama. Em Natividade, a casa ficou parcialmente destruída pelo incêndio e o pai seguia internado no Rio de Janeiro na última atualização do g1, em 15 de setembro de 2026, enquanto a família pedia doações.
Nos comentários de uma reportagem de TV sobre acidentes com carregador, um dos comentários culpa o hábito de usar o celular enquanto ele carrega na tomada. O vídeo abaixo reúne casos e as orientações de especialistas:
Assista o vídeo
Um especialista explica, em outra reportagem de TV, como evitar explosões na hora de carregar o celular:
Assista o vídeo
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

