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Cerca de 300 cabras são soltas em encostas tomadas por ervas daninhas nos EUA para alcançar áreas onde máquinas não chegam; elas comem plantas invasoras, adubam o solo e ajudam a vegetação nativa a voltar
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 07/09/2026 às 22:59
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Cerca de 300 cabras são levadas anualmente às encostas da Península de Palos Verdes para controlar plantas invasoras, fertilizar o solo e preparar áreas para a recuperação da vegetação nativa.
A cada primavera, aproximadamente 300 cabras são levadas para encostas da Península de Palos Verdes, onde passam a cumprir uma função normalmente atribuída a equipes de trabalhadores, máquinas e produtos químicos.
Os animais percorrem terrenos íngremes, consomem plantas invasoras e deixam o solo preparado para etapas posteriores de restauração da vegetação nativa.
O trabalho é coordenado pela Palos Verdes Land Conservancy, que começou a testar o pastoreio direcionado em 2009.
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O projeto nasceu em uma área de cerca de 21 acres da Reserva Three Sisters e, após os primeiros resultados, cresceu até alcançar atualmente aproximadamente 80 acres de habitat costeiro por ano.
Projeto começou como teste em uma área tomada por espécies invasoras
Quando as primeiras cabras chegaram à Reserva Three Sisters, a intenção era descobrir se os animais conseguiriam controlar vegetação invasora em locais onde métodos convencionais eram difíceis de aplicar.
A geografia apresentou uma vantagem imediata para o rebanho.
Algumas áreas eram íngremes, irregulares ou densamente cobertas por plantas, criando dificuldades para trabalhadores e tornando a utilização de equipamentos pesados mais complexa ou arriscada.
Os animais, por outro lado, conseguiam circular pelas encostas e alcançar a vegetação. O resultado do projeto piloto levou a organização a ampliar gradualmente a estratégia, transformando o pastoreio em uma atividade anual de recuperação ambiental.
Nesta temporada, o trabalho ocorre em áreas de restauração das reservas de San Ramon, Agua Amarga, Filiorum e Lower Filiorum.
Outros rebanhos também são contratados por Rancho Palos Verdes e Palos Verdes Estates para manejo da vegetação rasteira e redução do risco de incêndios.
Cabras comem plantas que disputam espaço com espécies nativas
O objetivo não é simplesmente deixar os animais consumirem qualquer vegetação disponível.
A organização direciona o rebanho para setores onde determinadas plantas invasoras precisam ser reduzidas antes da recuperação do habitat costeiro.
Entre os alvos aparecem funcho, mostardas selvagem e preta, capim-dos-pampas e cardo de alcachofra, além de outras ervas daninhas não nativas capazes de se espalhar rapidamente.
Essas plantas competem por espaço e recursos com a vegetação local. Quando secam durante os meses de verão, também acrescentam material vegetal às áreas sujeitas a incêndios.
O pastoreio ocorre antes da etapa de plantio prevista para o outono. Ao diminuir a presença das invasoras, as cabras abrem espaço para que as equipes avancem posteriormente com a recuperação das comunidades de plantas nativas.
Cercas elétricas impedem que rebanho coma aquilo que deve ser preservado
A capacidade dos animais de consumir grande quantidade de vegetação também exige controle. As cabras não reconhecem sozinhas quais plantas fazem parte do problema e quais devem permanecer no ambiente restaurado.
Se tiverem acesso, podem comer mudas, arbustos e outros plantios nativos. Por isso, o rebanho permanece dentro de cercas elétricas portáteis, deslocadas de acordo com a área que precisa receber o pastoreio.
O sistema permite concentrar os animais em um trecho determinado e interromper sua atuação antes que alcancem locais já recuperados.
Essa delimitação transforma o comportamento natural de alimentação em uma ferramenta direcionada. Em vez de liberar os animais por toda a reserva, os responsáveis decidem onde e por quanto tempo o trabalho deve ocorrer.
Esterco e cascos também modificam o terreno
Retirar ervas daninhas é apenas uma das funções desempenhadas pelo rebanho. Enquanto se alimentam, as cabras deixam esterco sobre o terreno, acrescentando nutrientes e matéria orgânica sem depender da aplicação de fertilizantes sintéticos.
Os cascos provocam outra mudança. A passagem dos animais perturba levemente a superfície e ajuda a incorporar matéria orgânica ao solo, além de favorecer o contato entre sementes e a terra.
Esse processo pode beneficiar a germinação das espécies nativas depois que a concorrência das plantas invasoras é reduzida.
Ao combinar consumo da vegetação, deposição de esterco e movimentação sobre o terreno, o pastoreio participa de diferentes etapas da preparação do habitat antes da chegada das novas mudas.
Encostas dispensam parte do trabalho com máquinas e herbicidas
O relevo de Palos Verdes é um dos motivos pelos quais as cabras se tornaram especialmente úteis.
Equipamentos precisam enfrentar áreas inclinadas e de acesso complicado, enquanto o rebanho consegue avançar por trechos onde uma operação mecanizada seria mais difícil.
O sistema também permite reduzir a utilização de herbicidas em muitas áreas. Com menos produtos químicos, diminui a possibilidade de escoamento dessas substâncias pelo ambiente.
Outra redução ocorre na dependência de máquinas movidas a gasolina. A substituição de parte dessas operações pelo pastoreio diminui as emissões relacionadas ao uso desses equipamentos durante o controle da vegetação.
Para Cris Sarabia, diretora de Conservação, a principal vantagem está justamente na possibilidade de alcançar locais que seriam difíceis de restaurar de outra forma.
Ela define o rebanho como uma ferramenta viva e de baixo impacto para criar condições para o retorno das plantas locais.
Estratégia também ajuda a preparar área contra incêndios
A vegetação invasora não representa apenas concorrência para as espécies nativas. Quando grandes quantidades dessas plantas secam, passam a integrar a cobertura combustível existente sobre as encostas durante períodos mais quentes.
Por isso, o pastoreio também é utilizado em ações de redução de vegetação rasteira ligada ao risco de incêndios florestais.
Essa finalidade explica por que a estratégia ultrapassou os projetos diretamente administrados pela organização de conservação. Governos locais também passaram a contratar rebanhos para limpar determinadas áreas.
Mesmo nesses casos, o princípio é semelhante: colocar animais em terrenos previamente delimitados para retirar biomassa sem depender exclusivamente de equipes manuais ou equipamentos.
Depois das cabras, plantas nativas entram novamente na paisagem
O objetivo final da operação não é manter as encostas permanentemente raspadas. A retirada das invasoras funciona como uma preparação para permitir que espécies próprias do habitat costeiro recuperem espaço.
Flores silvestres nativas e arbustos de artemísia estão entre as plantas que podem se beneficiar da abertura dessas áreas. O plantio e o manejo posterior completam um trabalho que começa meses antes com a passagem do rebanho.
A estratégia é mantida com apoio financeiro de doadores da Palos Verdes Land Conservancy. As contribuições sustentam diferentes atividades de conservação, incluindo o pastoreio, a implantação de espécies nativas, a manutenção de trilhas e o acompanhamento contínuo dos ecossistemas locais.
Quinze anos depois do primeiro teste, aquilo que começou com cerca de 21 acres tornou-se parte recorrente da restauração da Península de Palos Verdes.
Hoje, as cabras chegam às encostas não apenas para comer: ao avançarem sobre as invasoras, também deixam terreno e espaço para que a vegetação nativa possa ocupar novamente áreas em recuperação.
Fonte
Palos Verdes
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

