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China começa a construir usina inédita que armazena 400 MWh em sal fundido e depois usa CO₂ supercrítico para produzir eletricidade sem consumir água

China começa a construir usina inédita que armazena 400 MWh em sal fundido e depois usa CO₂ supercrítico para produzir eletricidade sem consumir água

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China começa a construir usina inédita que armazena 400 MWh em sal fundido e depois usa CO₂ supercrítico para produzir eletricidade sem consumir água

Escrito por Andriely Medeiros de Araújo

Publicado em 23/09/2026 às 20:41

Atualizado em 23/09/2026 às 20:45

Ciência e Tecnologia

Canal

A China constrói em Shandong um sistema de 400 MWh que armazenará energia em sal fundido e usará CO2 supercrítico para devolver eletricidade à rede nos horários de maior consumo. Imagem: China Huaneng

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A China constrói em Shandong um sistema de 400 MWh que armazenará energia em sal fundido e usará CO2 supercrítico para devolver eletricidade à rede nos horários de maior consumo.

A China está construindo, na usina de Bajiao, em Shandong, um sistema capaz de armazenar até 400 MWh na forma de calor e transformar essa energia novamente em eletricidade quando o consumo da rede aumentar.

Batizado de Ruitan, o projeto reúne armazenamento em sal fundido de 100 MW e uma unidade geradora de 50 MW baseada em dióxido de carbono supercrítico. A previsão apresentada é que a instalação comece a operar no próximo ano.

O projeto é descrito como a primeira aplicação comercial em grande escala que reúne essas duas tecnologias em uma mesma instalação. Em linhas gerais, a proposta é aproveitar energia disponível quando a demanda cai, preservá-la termicamente por horas ou períodos mais longos e recuperá-la quando o sistema elétrico precisar de potência adicional.

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Excesso de eletricidade vira calor antes de voltar para a rede

Durante horários de menor consumo, parte da energia que seria pouco aproveitada alimentará o sistema de armazenamento térmico. Grandes tanques mantêm sais em temperaturas elevadas, conservando calor que poderá ser utilizado posteriormente.

Quando chegar um período de maior demanda, essa reserva térmica passa a alimentar o ciclo de geração. A estratégia pode dar maior flexibilidade a instalações térmicas que, tradicionalmente, têm dificuldade para acompanhar mudanças rápidas de carga.

Esse comportamento ganhou importância à medida que a rede elétrica passou a receber fontes cuja produção varia ao longo do dia. O armazenamento permite separar o momento em que a energia está disponível daquele em que ela será efetivamente necessária.

A etapa de conversão utiliza dióxido de carbono submetido a pressão e temperatura que o levam ao chamado estado supercrítico. Nessa condição, o fluido apresenta características associadas tanto a gases quanto a líquidos.

Em vez de aquecer água para produzir o vapor usado em turbinas convencionais, o sistema movimenta CO2 pressurizado dentro de um circuito fechado. A configuração dispensa água durante esse processo e ocupa uma estrutura menor.

Outra diferença está na velocidade de resposta. Conforme os parâmetros apresentados para a tecnologia, unidades de sCO2 conseguem ajustar a carga até quatro vezes mais rapidamente que sistemas convencionais movidos a carvão.

A fonte de calor, a propósito, não precisa necessariamente ser a mesma em todas as aplicações. Energia solar concentrada, calor geotérmico e resíduos térmicos de processos industriais também podem alimentar ciclos semelhantes.

A China constrói em Shandong um sistema de 400 MWh que armazenará energia em sal fundido e usará CO2 supercrítico para devolver eletricidade à rede nos horários de maior consumo. Imagem: China Huaneng

Sal fundido mira armazenamento por décadas

A duração dos equipamentos é um dos argumentos para o uso de armazenamento térmico em projetos de grande porte. Enquanto baterias de íon-lítio são associadas a uma vida útil de aproximadamente 8 a 10 anos no cenário citado, tanques de sal fundido podem permanecer em serviço por mais de 30 anos, com pouca perda de capacidade.

Essa característica ganha peso em aplicações estacionárias, nas quais tamanho e mobilidade têm importância menor que custo de operação, durabilidade e quantidade total de energia armazenada.

O princípio também é diferente daquele das baterias químicas. A eletricidade é convertida em calor e permanece armazenada no líquido aquecido; depois, essa energia térmica pode ser utilizada diretamente ou voltar ao sistema elétrico por meio de uma unidade geradora.

Ruitan faz parte de um movimento mais amplo. No Tibete, a usina solar de Dangxiong, com 50 MW, recebe tanques de sal fundido para guardar parte da energia produzida durante o dia e disponibilizá-la em outro momento.

Em Guizhou, a Chaotan One começou a operar comercialmente utilizando calor residual de uma siderúrgica em um sistema de geração com CO2. A instalação é apresentada como a primeira usina desse tipo.

Outra aplicação está prevista para 2028. A Corporação Nacional Nuclear da China planeja desenvolver uma configuração que combine energia nuclear, armazenamento em sal fundido e um ciclo de CO2 supercrítico.

Os projetos mostram caminhos diferentes para a mesma tecnologia: recuperar calor que seria desperdiçado, deslocar geração solar para outros horários ou aumentar a flexibilidade de sistemas de grande porte.

Tecnologia também é estudada fora da China

Circuitos com CO2 supercrítico aparecem em pesquisas e instalações além do mercado chinês. Na Europa, o projeto SOLARSCO2OL trabalha com a integração da tecnologia a usinas solares de concentração.

Aplicações futuras também vêm sendo investigadas nas áreas nuclear e aeroespacial, onde sistemas fechados e compactos despertam interesse para novos tipos de reatores e até projetos de propulsão.

No caso de Ruitan, porém, há uma implicação imediata para o setor elétrico: instalações térmicas existentes podem ganhar outra função sem que toda a infraestrutura precise ser descartada.

A possibilidade de aproveitar estruturas já construídas é um dos pontos que tornam o projeto relevante para a China. Centrais associadas ao carvão poderiam receber sistemas capazes de armazenar energia e responder com mais rapidez às variações de consumo.

Com reservas térmicas de longa duração, essas instalações também poderiam conservar grandes volumes de energia sem depender exclusivamente de baterias eletroquímicas.

O desempenho de Ruitan deverá indicar até que ponto essa combinação funciona em escala comercial. Se a operação confirmar as expectativas, a tecnologia poderá oferecer à rede chinesa uma maneira adicional de equilibrar produção e consumo, enquanto ativos industriais existentes ganham novas funções em um sistema elétrico cada vez mais diversificado.

Fonte

interesting engineering


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

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