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China expande seu programa de modificação do clima para cobrir 5,5 milhões de km² com chuva e neve artificiais, área 1,5 vez maior que a Índia, incluindo 580 mil km² de proteção contra granizo
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 03/09/2026 às 10:18
Atualizado em 03/09/2026 às 10:19
Ciência e Tecnologia
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O Conselho de Estado chinês fixou 2025 como prazo para o país ter um sistema desenvolvido de modificação do clima. Entre 2012 e 2017, a China gastou mais de US$ 1,34 bilhão nesses programas, e a agência Xinhua diz que a técnica reduziu 70% dos danos por granizo em Xinjiang
A China revelou planos para expandir de forma drástica um programa experimental de modificação do clima, que passará a cobrir uma área de mais de 5,5 milhões de quilômetros quadrados. O território alcançado representa mais de 1,5 vez o tamanho total da Índia, e a expansão está prevista para os cinco anos seguintes ao anúncio.
As informações foram publicadas pela CNN Brasil em 4 de dezembro de 2020, às 21h05, em reportagem assinada por James Griffiths, da CNN, com base em declaração do Conselho de Estado da China e em dados da agência estatal Xinhua.
Área com chuva e neve artificiais chegará a 5,5 milhões de km²
Nos próximos cinco anos, a área total coberta por chuva artificial ou neve chegará a 5,5 milhões de km², segundo o comunicado oficial.
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A dimensão é o que dá escala ao projeto: trata-se de uma faixa maior que a de vários países somados, operada sob coordenação de um único programa estatal.
Outros 580 mil km² terão tecnologia contra granizo
Mais de 580 mil km² serão cobertos por tecnologias de supressão de granizo, conforme o mesmo comunicado.
Essa é uma frente distinta da chuva e da neve artificiais: enquanto uma busca provocar precipitação, a outra atua para impedir que as pedras de gelo se formem em tamanho capaz de destruir lavouras.
Conselho de Estado fixou 2025 como prazo para o sistema
De acordo com a declaração do Conselho de Estado, a China terá um “sistema desenvolvido de modificação do clima” até 2025.
O documento atribui essa meta a avanços em pesquisas fundamentais e tecnologias-chave, além de melhorias na “prevenção abrangente contra riscos de segurança”, expressão usada pelo próprio comunicado.
Programa deve atender desastres, agricultura e incêndios
O comunicado acrescentou que o programa ajudará no socorro a desastres e na produção agrícola.
A lista inclui ainda respostas emergenciais a incêndios em florestas e pastagens e o enfrentamento de altas temperaturas ou secas. As aplicações mostram que o objetivo declarado vai além da agricultura e alcança gestão de emergências.
Semeadura de nuvens injeta iodeto de prata em massas úmidas
Como conceito, a semeadura de nuvens existe há décadas.
A técnica age injetando pequenas quantidades de iodeto de prata em nuvens com muita umidade, que então se condensa em torno das novas partículas, tornando-se mais pesadas e por fim caindo como precipitação. O mecanismo, portanto, não cria água do nada: ele acelera a queda da umidade que já está na nuvem.
Estudo da US National Science Foundation confirmou o efeito na neve
Um estudo financiado pela US National Science Foundation, publicado no início de 2020, descobriu que “a semeadura de nuvens pode aumentar a queda de neve em uma ampla área se as condições atmosféricas forem favoráveis”.
A pesquisa foi um dos primeiros trabalhos a verificar definitivamente a eficácia da semeadura de nuvens, já que antes era difícil distinguir a precipitação resultante da prática daquela que ocorreria naturalmente. A ressalva sobre as condições atmosféricas favoráveis permanece na conclusão.
Gasto passou de US$ 1,34 bilhão entre 2012 e 2017
Mesmo com a incerteza sobre a eficácia, a China investiu pesadamente na tecnologia.
Entre 2012 e 2017, o país gastou mais de US$ 1,34 bilhão em vários programas de modificação do clima, aponta a reportagem, cifra que antecede a expansão anunciada em 2020.
Xinjiang registrou 70% menos danos por granizo em 2019
De acordo com a agência de notícias estatal Xinhua, em 2019 a modificação do clima ajudou a reduzir 70% dos danos causados pelo granizo na região de Xinjiang, no oeste da China.
A área é uma importante região agrícola do país, e o número citado pela agência estatal é o principal indicador de resultado apresentado no material.
Prática já foi usada nos Jogos de Pequim em 2008
Há anos a China busca controlar o clima para proteger as áreas agrícolas e garantir céu limpo para eventos importantes.
Durante os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, nuvens foram semeadas para reduzir a poluição e evitar a chuva antes do evento. As principais reuniões políticas realizadas na capital chinesa também são notórias por desfrutarem de céu claro, resultado atribuído à modificação do clima e ao fechamento de fábricas próximas.
Índia teme efeito sobre as monções
Embora outros países também tenham investido em semeadura de nuvens, incluindo os Estados Unidos, o entusiasmo da China pela tecnologia criou algum alarme, especialmente na vizinha Índia.
A agricultura indiana é fortemente dependente das monções, que se tornaram menos previsíveis como resultado das mudanças climáticas. A combinação entre dependência e imprevisibilidade é o que torna o país mais sensível a qualquer interferência externa no regime de chuvas.
Fronteira do Himalaia alimenta especulação militar
Índia e China se enfrentaram ao longo da compartilhada e muito disputada fronteira no Himalaia, com os dois lados engajados em seu confronto mais sangrento em décadas no início de 2020.
Durante vários anos, indianos especularam que a modificação do clima poderia potencialmente dar à China uma vantagem em um conflito futuro, dada a importância das condições climáticas para qualquer movimento de tropas na inóspita região montanhosa. A publicação registra a hipótese como especulação, e não como capacidade comprovada.
Pesquisadores de Taiwan alertam para acusações de “roubo de chuva”
Embora o foco principal da modificação do clima em Pequim pareça ser doméstico, especialistas alertaram que há potencial de impacto além das fronteiras do país.
Em estudo publicado em 2019, pesquisadores da Universidade Nacional de Taiwan disseram que “a falta de coordenação adequada da atividade de modificação do clima (poderia) levar a acusações de ‘roubo de chuva’ entre regiões vizinhas”, tanto na China quanto em outros países. Eles também apontaram a falta de um “sistema de freios e contrapesos para facilitar a implementação de projetos potencialmente controversos”.
Estudo aponta ausência de debate público na China
Sobre o processo decisório, os autores do estudo taiwanês escreveram: “A evidência científica e a justificativa política para a modificação do clima não estão sujeitas a debate ou ampla discussão (na China)”.
“Além disso, a propensão da liderança para a intervenção tecnológica em domar diferentes sistemas climáticos raramente é questionada por pontos de vista alternativos”, completaram os pesquisadores.
Especialistas veem risco de avanço para a geoengenharia
Alguns especialistas especularam que o sucesso na modificação do clima pode levar a China a adotar projetos mais ambiciosos de geoengenharia, particularmente porque o país sofre os efeitos das mudanças climáticas.
Soluções radicais como semear a atmosfera com partículas reflexivas podem teoricamente ajudar a reduzir as temperaturas, mas também podem trazer consequências imprevistas importantes, e muitos especialistas temem o que precisa acontecer para um país experimentar essas técnicas.
Falta de regulamentação preocupa especialista indiana
“Sem regulamentação, os esforços de uma nação podem afetar outros países”, afirmou Dhanasree Jayaram, especialista em clima da Manipal Academy of Higher Education, em Karnataka, na Índia.
“Embora a China ainda não tenha mostrado sinais de implantação ‘unilateral’ de projetos de geoengenharia no solo, a escala de sua modificação do clima e outros projetos de engenharia massivos, incluindo projetos de megarrepresas (como a de Três Gargantas), sugere que a China está disposta a implantar esquemas de geoengenharia em grande escala para enfrentar os impactos das mudanças climáticas e atingir seus objetivos do Acordo de Paris”, avaliou a pesquisadora.
Metas anunciadas em 2020 com prazo até 2025
Quando a reportagem foi publicada, em 4 de dezembro de 2020, a China havia acabado de anunciar a expansão para 5,5 milhões de km² de chuva e neve artificiais e mais de 580 mil km² de supressão de granizo, com o prazo de 2025 fixado pelo Conselho de Estado para a consolidação do sistema.
O material não informa o orçamento previsto para essa expansão, o número de estações a serem instaladas nem qualquer mecanismo de coordenação com países vizinhos, ponto justamente apontado como lacuna pelos pesquisadores da Universidade Nacional de Taiwan e pela especialista indiana Dhanasree Jayaram.
Na sua opinião, programas de modificação do clima do tamanho do chinês deveriam depender de acordos internacionais antes de serem ampliados, ou cada país tem o direito de intervir no próprio céu como quiser? Deixe sua opinião nos comentários.
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programa de modificação do clima da China
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

