Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

China traça plano para colocar carros autônomos em larga escala nas ruas até 2030, quer superar segurança de motoristas humanos e levar suas montadoras ao top 10 mundial

China traça plano para colocar carros autônomos em larga escala nas ruas até 2030, quer superar segurança de motoristas humanos e levar suas montadoras ao top 10 mundial

9 min de leitura

China traça plano para colocar carros autônomos em larga escala nas ruas até 2030, quer superar segurança de motoristas humanos e levar suas montadoras ao top 10 mundial

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 14/09/2026 às 12:09

Atualizado em 14/09/2026 às 12:14

Automotivo

Canal

Imagem ilustrativa.

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Novo roteiro industrial prevê ampliar a direção autônoma em rodovias, vias expressas e determinadas ruas urbanas até 2030, enquanto Pequim endurece regras de segurança, software e produção. O governo também quer transformar fabricantes chinesas em algumas das dez maiores montadoras do planeta e elevar a participação dos veículos de nova energia a 70% das vendas de automóveis de passageiros.

A China estabeleceu oficialmente uma nova etapa de sua transformação automotiva. Depois de ganhar escala mundial com carros elétricos e baterias, o país agora pretende levar veículos capazes de dirigir autonomamente à implantação em grande escala até 2030.

O plano foi divulgado pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China em conjunto com outros oito órgãos governamentais. O documento estabelece metas para o período de 2026 a 2030 e coloca veículos elétricos, inteligência artificial, conectividade e direção autônoma dentro de uma mesma estratégia industrial.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Recomendado para você

Economia

Produtores de pimenta do Espírito Santo ganham fábrica de R$ 45 milhões capaz de esterilizar 2.520 quilos de especiarias por hora e atender exportadores da América Latina

Produtores de pimenta do Espírito Santo ganham uma fábrica de R$ 45 milhões capaz de esterilizar 2.520 quilos de especiarias por hora e atender exportadores da América Latina.
A Technobras inaugurou…

Paulo Nogueira

0

A ambição não se limita a colocar carros sem motorista nas ruas. Pequim quer criar montadoras chinesas entre as dez maiores do mundo em vendas, aumentar a influência das marcas nacionais no exterior e participar mais ativamente da definição dos padrões internacionais que determinarão como os automóveis inteligentes funcionarão no futuro.

Direção autônoma deve chegar a rodovias e ruas urbanas

Até 2030, veículos equipados com funções de direção autônoma deverão alcançar aplicação em grande escala.

O governo prevê avançar com sistemas altamente automatizados em rodovias, vias expressas urbanas e determinadas ruas das cidades. Isso representa uma mudança importante em relação aos programas-piloto restritos que marcaram os primeiros anos da tecnologia.

A China já possui uma base significativa para essa expansão.

Robotáxis circulam em cidades como Wuhan, Pequim, Guangzhou e Shenzhen, enquanto diferentes empresas realizam testes e operações comerciais. Baidu, Pony.ai, WeRide e XPeng estão entre os grupos que disputam espaço nesse mercado.

Imagem ilustrativa.

Em maio, por exemplo, o CPG mostrou que a XPeng colocou em Guangzhou sua primeira unidade de robotáxi de produção em massa, com 3.000 TOPS de capacidade computacional e sistema L4 sem LiDAR. A fabricante também acumulava dados de testes em vias públicas enquanto preparava a ampliação da produção.

O novo documento leva essa transformação para outra escala.

Em vez de depender apenas das estratégias individuais das empresas e das autorizações concedidas por determinadas cidades, a direção autônoma passa a integrar explicitamente um plano industrial nacional para 2030.

Governo quer carros autônomos mais seguros que motoristas humanos

Um dos objetivos mais ambiciosos está relacionado à segurança.

O Ministério da Indústria afirmou que os veículos autônomos deverão atingir níveis de segurança superiores aos dos veículos conduzidos por humanos.

Entretanto, o plano não significa que o governo considera essa meta já alcançada.

Pelo contrário, a expansão virá acompanhada de regras mais rígidas sobre produção de veículos, segurança rodoviária, sistemas de direção autônoma e atualizações de software.

Esse ponto é particularmente relevante porque falhas continuam acontecendo.

Em abril, o CPG mostrou como uma pane simultânea deixou mais de 100 robotáxis da Baidu imobilizados em Wuhan, bloqueando faixas e expondo os desafios de operar grandes frotas sem motorista.

O episódio mostrou justamente o problema que a estratégia chinesa precisará enfrentar: escalar a tecnologia não significa apenas ensinar um veículo a dirigir. Sistemas, infraestrutura e suporte precisam continuar funcionando quando centenas ou milhares de automóveis dependem simultaneamente do mesmo ecossistema tecnológico.

China já criou padrão obrigatório para sistemas L3 e L4

A preparação regulatória já começou.

Em julho de 2026, autoridades chinesas aprovaram um novo padrão nacional obrigatório de segurança para sistemas de direção autônoma. A norma deverá entrar em vigor em 1º de julho de 2027.

Ela cobre veículos das categorias L3 e L4.

No nível 3, o sistema pode assumir a condução sob condições específicas, embora o motorista ainda precise estar preparado para reassumir o controle quando solicitado.

No nível 4, o veículo pode executar toda a tarefa de condução dentro de determinadas condições e áreas de operação sem depender continuamente de uma pessoa.

Segundo o Ministério da Indústria chinês, dois modelos L3 receberam autorização condicional de entrada no mercado em 2025, enquanto testes de veículos inteligentes conectados continuaram avançando.

Portanto, a meta de 2030 não começa do zero.

O país tenta construir simultaneamente tecnologia, legislação e infraestrutura capazes de sustentar uma implantação muito maior.

Veículos de nova energia devem chegar a 70% das vendas

Direção autônoma é apenas uma parte do plano.

Até 2030, a China quer que os veículos de nova energia representem aproximadamente 70% das vendas de novos automóveis de passageiros no mercado doméstico. Para veículos comerciais novos, a meta é 40%.

A categoria chinesa de veículos de nova energia inclui principalmente elétricos a bateria, híbridos plug-in e modelos movidos a célula de combustível.

Isso significa que Pequim está tentando combinar duas transformações que durante anos avançaram paralelamente.

A primeira substituiu progressivamente motores exclusivamente a combustão por sistemas eletrificados.

A segunda pretende transformar o automóvel em uma plataforma de computação capaz de interpretar o ambiente, tomar decisões e dirigir.

Até o fim da década, o governo quer que essas duas tendências avancem juntas.

BYD também prepara tecnologia L3 e L4

As próprias montadoras chinesas já começaram a estruturar seus produtos para essa mudança.

O CPG mostrou recentemente que a BYD desenvolveu o chip automotivo Xuanji A3 de 4 nanômetros para sistemas de condução inteligente e afirma que a tecnologia suporta recursos de autonomia L3 e L4.

Em uma configuração com três chips, o conjunto pode ultrapassar 2.100 TOPS de processamento, segundo a fabricante. A BYD também vem ampliando o uso do sistema God’s Eye e de sensores LiDAR em seus veículos chineses.

A empresa pretende levar recursos de direção inteligente também ao Brasil a partir de 2027, embora funcionalidades, homologações e níveis efetivamente disponíveis no mercado brasileiro dependam das regras locais e da configuração dos veículos vendidos no país.

Esse movimento mostra por que o plano de Pequim possui efeitos que podem ultrapassar as fronteiras chinesas.

Quando fabricantes desenvolvem chips, sensores e software para milhões de veículos no mercado doméstico, parte dessas tecnologias posteriormente pode chegar aos automóveis exportados.

China quer colocar suas montadoras entre as 10 maiores do planeta

Outro objetivo deixa clara a dimensão industrial da estratégia.

O governo quer desenvolver múltiplas fabricantes chinesas capazes de figurar entre as dez maiores montadoras mundiais em vendas.

Não foi estabelecido no resumo divulgado pela Reuters um número específico de empresas que precisam atingir essa posição.

Ainda assim, a direção é clara.

A China pretende usar a combinação de eletrificação, software e autonomia para fortalecer suas marcas fora do país.

Além disso, Pequim quer ampliar sua influência sobre padrões automotivos internacionais.

Esse aspecto pode se tornar estratégico porque carros cada vez mais definidos por software exigem normas para sensores, inteligência artificial, atualizações remotas, segurança cibernética e tomada automatizada de decisões.

Quem participa da construção desses padrões também influencia a maneira como a indústria global se organiza.

Governo quer ajudar montadoras chinesas a entrar em outros países

O plano inclui medidas específicas para a expansão internacional.

O Ministério da Indústria pretende elaborar orientações para ajudar fabricantes chinesas a cumprir as regulamentações dos mercados estrangeiros.

Ao mesmo tempo, Pequim quer incentivar maior cooperação entre empresas chinesas e estrangeiras.

Essa colaboração poderá envolver pesquisa de veículos e componentes essenciais, investimentos e expansão internacional.

Portanto, a estratégia não descreve apenas uma indústria fechada dentro da China.

O objetivo é fortalecer empresas nacionais e, simultaneamente, ampliar sua presença no sistema automotivo mundial.

Mas Pequim também quer frear excesso de fábricas

Curiosamente, o mesmo plano que pretende acelerar tecnologias avançadas também reconhece um problema criado pelo crescimento rápido da indústria chinesa.

Existe excesso de capacidade produtiva em determinados segmentos.

Por isso, o governo pretende aumentar a fiscalização da capacidade de fabricação de veículos e baterias, combater investimentos considerados excessivos e estimular consolidações entre empresas.

Além disso, Pequim promete fortalecer a aplicação das regras antitruste e melhorar a supervisão da qualidade dos produtos.

Incentivos inadequados concedidos por governos locais também entrarão na mira.

Isso revela uma mudança importante.

Durante a primeira fase da expansão dos elétricos, dezenas de fabricantes disputaram investimentos, fábricas e consumidores. Agora, o governo parece querer trocar crescimento desordenado por escala acompanhada de consolidação e controle de qualidade.

Carros autônomos também estão transformando a logística chinesa

A direção sem motorista não está restrita ao transporte de passageiros.

Em abril, o CPG mostrou que veículos autônomos de entrega já estavam presentes em mais de 100 cidades chinesas e realizavam mais de 1 milhão de entregas mensais.

Essas máquinas possuem uma característica diferente dos robotáxis: muitas nem sequer precisam de volante ou cabine para um motorista.

A expansão logística ajuda a China a testar autonomia em diferentes cenários, acumulando dados de tráfego e experiência operacional.

Por isso, a implantação prevista para 2030 poderá envolver um ecossistema muito maior do que simplesmente carros particulares capazes de dirigir sozinhos.

Robotáxis, veículos comerciais, máquinas de entrega e sistemas de transporte urbano podem avançar simultaneamente.

Inteligência artificial passa a fazer parte do automóvel

Essa transformação também muda aquilo que determina o valor tecnológico de um carro.

Durante décadas, fabricantes competiram principalmente em motores, transmissões, segurança mecânica, conforto e eficiência.

Agora, chips, sensores, câmeras, inteligência artificial e software ganham importância crescente.

Um sistema autônomo precisa detectar veículos, pedestres, bicicletas, semáforos, faixas, obstáculos e mudanças inesperadas no ambiente.

Depois, precisa interpretar essas informações e decidir em frações de segundo quando acelerar, frear ou mudar de direção.

Quanto maior o nível de autonomia, menor a possibilidade de depender de uma intervenção humana para corrigir erros.

É justamente por isso que segurança e regulamentação aparecem repetidamente no novo plano chinês.

Escala aumenta também o tamanho das consequências de uma falha

A experiência de Wuhan mostrou outro lado dessa transformação.

Quando um único automóvel convencional apresenta defeito, normalmente o problema permanece localizado.

Quando centenas de carros conectados compartilham software, infraestrutura digital e sistemas semelhantes, uma falha pode produzir efeitos simultâneos.

Por isso, a expansão para milhões de veículos exigirá redundância, segurança cibernética e capacidade de resposta muito superiores às necessárias durante pequenos testes.

O próprio plano reconhece essa necessidade ao prever regras mais rígidas para atualizações de software e segurança.

Assim, o desafio chinês até 2030 não será apenas fazer o carro andar sozinho.

Será provar que milhões deles conseguem fazê-lo de maneira confiável.

China quer chegar a 2030 como potência automotiva mundial

O objetivo final ultrapassa a direção autônoma.

O documento divulgado pelos nove órgãos governamentais afirma que a China pretende entrar nas fileiras das grandes potências automotivas mundiais até 2030, fortalecendo vantagens em toda a cadeia de veículos inteligentes conectados e de nova energia.

Para chegar lá, o país combina várias metas: 70% dos novos automóveis de passageiros vendidos deverão ser veículos de nova energia, funções autônomas deverão alcançar implantação em grande escala e algumas fabricantes chinesas deverão disputar posições entre as dez maiores do planeta.

Ao mesmo tempo, Pequim pretende controlar excesso de capacidade, elevar a qualidade industrial e endurecer a regulamentação.

A estratégia mostra que a corrida automobilística chinesa está entrando em uma segunda fase.

Primeiro, o país ganhou escala com baterias e veículos elétricos.

Agora, pretende transformar essa capacidade industrial em uma vantagem também em inteligência artificial, software e direção autônoma.

Se cumprir o cronograma, 2030 poderá marcar o momento em que carros capazes de assumir grande parte da condução deixam de ser projetos restritos a algumas cidades chinesas e passam a integrar o sistema de transporte em escala muito maior.

E você, confiaria em um carro sem motorista se os sistemas autônomos realmente demonstrassem uma taxa de segurança superior à de seres humanos ao volante?

Fonte

Reuters


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

Sair da versão mobile