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Chinesa GWM vende 9.924 carros em agosto, supera Honda pela primeira vez no Brasil por apenas 247 unidades e coloca Haval H6 entre os 10 mais vendidos

Chinesa GWM vende 9.924 carros em agosto, supera Honda pela primeira vez no Brasil por apenas 247 unidades e coloca Haval H6 entre os 10 mais vendidos

10 min de leitura

Chinesa GWM vende 9.924 carros em agosto, supera Honda pela primeira vez no Brasil por apenas 247 unidades e coloca Haval H6 entre os 10 mais vendidos

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 05/09/2026 às 12:17

Atualizado em 05/09/2026 às 12:20

Imagem ilustrativa.

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Montadora chinesa alcançou seu maior resultado mensal desde a chegada ao país, ficou à frente da Honda, Jeep e Renault e levou o Haval H6 a um recorde de 6.433 emplacamentos. Apesar da virada em agosto, a fabricante japonesa ainda mantém vantagem confortável no acumulado de 2026.

A GWM alcançou um marco inédito no mercado brasileiro em agosto de 2026. Segundo dados da consultoria Jato citados pela Autoesporte, a montadora chinesa comercializou 9.924 veículos, enquanto a Honda registrou 9.677 unidades. A diferença de apenas 247 carros colocou a fabricante chinesa à frente da japonesa pela primeira vez em um mês completo de vendas no Brasil.

O resultado também representa um novo recorde mensal para a GWM desde sua entrada no mercado brasileiro. Além disso, a companhia ficou à frente de marcas tradicionais como Honda e Jeep e ganhou posição entre as fabricantes de maior volume do país.

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Por trás do avanço aparece principalmente o Haval H6, que registrou 6.433 emplacamentos em agosto, seu melhor resultado mensal até agora. O SUV híbrido também entrou no grupo dos 10 automóveis mais vendidos do Brasil, algo significativo para um modelo eletrificado de uma marca que começou a comercializar veículos no país apenas em 2023.

Apenas 247 carros separaram GWM e Honda

A diferença mostra como a disputa ficou apertada.

De acordo com os números da Jato utilizados pela Autoesporte, a GWM terminou agosto com 9.924 veículos, enquanto a Honda contabilizou 9.677.

Imagem ilustrativa.

Assim, somente 247 unidades separaram as duas fabricantes.

A marca chinesa alcançou cerca de 3,8% das vendas nacionais na base apresentada pela reportagem. Além disso, o desempenho permitiu que a companhia avançasse no ranking mensal e superasse fabricantes que atuam há décadas no país.

No entanto, o resultado de agosto não significa que a GWM já vende mais que a Honda durante todo o ano.

Essa diferença é fundamental para interpretar corretamente o ranking.

Honda ainda vende mais no acumulado de 2026

Quando o período analisado aumenta para janeiro a agosto, a situação muda.

Dados compilados a partir dos emplacamentos mostram a Honda com aproximadamente 73 mil veículos no acumulado de 2026, enquanto a GWM aparece com cerca de 54 mil unidades.

Portanto, a fabricante japonesa ainda mantém uma vantagem de aproximadamente 19 mil veículos no ano.

A conquista da GWM representa, dessa forma, uma ultrapassagem mensal, e não uma mudança definitiva na liderança anual entre as duas marcas.

Ainda assim, o movimento chama atenção porque mostra a velocidade com que a fabricante chinesa vem reduzindo a distância para empresas historicamente estabelecidas no mercado brasileiro.

GWM vendeu mais de 150% acima de agosto de 2025

A comparação anual ajuda a dimensionar essa velocidade.

Uma base de emplacamentos utilizada pelo Motor1 aponta que a GWM registrou 3.924 veículos em agosto de 2025. No mesmo mês de 2026, essa base contabilizou 9.825 unidades.

Isso representa crescimento superior a 150% em apenas um ano.

Embora diferentes bases apresentem pequenas variações no total absoluto — assunto explicado mais adiante —, todas apontam a mesma direção: a GWM mais do que dobrou seu volume mensal em relação a agosto do ano anterior.

A Honda também cresceu. Na mesma comparação, passou de 7.473 para 9.677 unidades, avanço próximo de 30%.

Porém, a velocidade da GWM foi muito maior.

Haval H6 vendeu 6.433 unidades e entrou no top 10 do Brasil

Grande parte desse desempenho tem um protagonista claro.

O GWM Haval H6 registrou 6.433 unidades em agosto, crescimento de aproximadamente 13% sobre as 5.673 unidades de julho.

Com isso, o modelo alcançou seu melhor mês desde a chegada ao país e terminou entre os 10 carros de passeio mais emplacados do Brasil.

No ranking geral que inclui automóveis e comerciais leves, o H6 também apareceu entre os maiores volumes do mercado.

O avanço fica ainda mais evidente quando comparado com os SUVs tradicionais.

Em agosto, o Hyundai Creta registrou 7.354 unidades, enquanto o Volkswagen T-Cross alcançou 6.815 e o Haval H6 somou 6.433.

Assim, apenas 382 unidades separaram o modelo chinês do T-Cross, enquanto a distância para o líder Creta ficou em 921 veículos.

O CPG mostrou que o Hyundai Creta liderou os SUVs de agosto com 7.354 unidades, seguido pelo T-Cross e pelo próprio Haval H6 com 6.433 emplacamentos

Haval H6 sozinho respondeu por boa parte das vendas da GWM

Os números também revelam uma característica importante da fabricante chinesa.

Ao comparar as 6.433 unidades do Haval H6 com as 9.924 vendas totais divulgadas pela GWM, o SUV respondeu por aproximadamente 65% do volume mensal da marca.

Ou seja, quase dois de cada três veículos comercializados pela companhia naquele mês pertenciam à família Haval H6.

Isso mostra a força do produto, mas também revela uma diferença importante em relação à Honda.

A fabricante japonesa distribui suas vendas entre diferentes modelos, como HR-V, WR-V, City e City Hatchback.

Já a GWM permanece significativamente mais dependente de seu principal SUV.

WR-V e HR-V sustentaram boa parte do volume da Honda

Do lado japonês, o resultado ficou mais pulverizado.

O Honda WR-V registrou 3.445 unidades em agosto, enquanto o HR-V alcançou 3.279 emplacamentos. Somados, os dois SUVs chegaram a 6.724 veículos.

Além deles, o City Sedan registrou aproximadamente 1.479 unidades, enquanto o City Hatch ficou próximo de 1.447 em uma das bases mensais consultadas.

Portanto, a Honda depende menos de um único produto.

A GWM, por outro lado, conseguiu ultrapassá-la mesmo com um portfólio nacional mais concentrado.

GWM chegou ao Brasil vendendo carros apenas em 2023

A velocidade dessa transformação merece contexto.

A GWM começou oficialmente a comercializar seus veículos no mercado brasileiro em março de 2023, inicialmente com o Haval H6.

Pouco depois, ampliou o portfólio com o elétrico Ora 03. Posteriormente, chegaram modelos como Tank 300, Haval H9 e Poer P30.

Em apenas três anos, portanto, a empresa saiu praticamente do zero para disputar mensalmente posição com fabricantes tradicionais.

O Haval H6 já havia demonstrado essa força antes.

O CPG mostrou que o Haval H6 encerrou 2025 como protagonista entre os híbridos brasileiros, após alcançar 28.016 emplacamentos no ano

Agora, os 6.433 registros em apenas um mês indicam uma nova escala para o modelo.

Produção brasileira mudou a estratégia da GWM

O avanço comercial coincide com outra mudança importante: a produção nacional.

A GWM inaugurou em agosto de 2025 sua fábrica em Iracemápolis, interior de São Paulo, instalada no antigo complexo industrial da Mercedes-Benz.

A unidade marcou a primeira operação produtiva da fabricante nas Américas.

No início, a planta passou a trabalhar com modelos como Haval H6, Haval H9 e Poer P30, ao mesmo tempo em que a empresa começou a ampliar a presença de fornecedores nacionais.

Assim, a estratégia deixou de depender exclusivamente da importação de veículos prontos.

O CPG detalhou como a fábrica da GWM em Iracemápolis iniciou a produção com plano para ampliar a nacionalização e integrar fornecedores brasileiros à cadeia da montadora

A produção local também permite adaptar produtos às características do mercado nacional, inclusive combustíveis e condições de rodagem.

Haval H6 agora tem tecnologia híbrida flex

Uma dessas adaptações está justamente no principal produto da marca.

A GWM desenvolveu no Brasil versões híbridas capazes de utilizar etanol e gasolina, algo particularmente relevante em um país onde o biocombustível possui grande disponibilidade.

Além disso, a empresa adota uma estratégia chamada multienergia.

Em vez de depender apenas de elétricos puros, seu portfólio brasileiro combina híbridos convencionais, híbridos plug-in, elétricos e modelos a combustão em determinados segmentos.

Segundo a própria GWM, essa diversidade tecnológica ajudou a impulsionar o resultado recorde de agosto.

Entretanto, essa afirmação representa a interpretação da própria fabricante sobre seu desempenho.

BYD também pressiona marcas tradicionais no Brasil

A GWM não avança sozinha.

Outra fabricante chinesa, a BYD, registrou aproximadamente 24.467 veículos em agosto, alcançando seu próprio recorde e ficando muito próxima da Chevrolet, que contabilizou cerca de 27.500 unidades.

Na comparação anual, as vendas mensais da BYD cresceram quase 150%.

Isso significa que duas fabricantes chinesas já aparecem entre as marcas de maior volume do mercado brasileiro.

Enquanto a BYD pressiona os primeiros colocados, a GWM começa a superar fabricantes tradicionais na faixa intermediária do ranking.

Além disso, modelos chineses ganharam espaço entre os carros mais vendidos do país.

O BYD Dolphin Mini registrou 8.299 unidades, o Dolphin chegou a 6.740 e o Haval H6 alcançou 6.433.

Portanto, o avanço deixou de ficar restrito a nichos de elétricos ou híbridos.

Agosto colocou três chineses entre os 10 carros mais vendidos

O ranking de automóveis mostra ainda melhor essa mudança.

Entre os dez modelos de passeio mais emplacados em agosto estavam:

BYD Dolphin Mini, BYD Dolphin e GWM Haval H6.

Além disso, dependendo da classificação usada para agrupar versões do Song, a presença chinesa se torna ainda mais relevante.

Poucos anos atrás, seria incomum encontrar fabricantes chinesas disputando posições tão altas no mercado brasileiro.

Agora, elas concorrem diretamente com Volkswagen, Fiat, Chevrolet, Hyundai, Toyota, Honda e outras marcas estabelecidas.

Eletrificados já responderam por quase um quarto do mercado

Outro fator ajuda a explicar o ambiente favorável.

Em agosto, automóveis eletrificados — categoria que reúne diferentes tipos de híbridos e elétricos — alcançaram 24,3% das vendas de veículos leves, segundo levantamento divulgado pela Webmotors.

Isso significa que quase um em cada quatro veículos leves vendidos no mês possuía algum nível de eletrificação, considerando a metodologia usada no levantamento.

Para GWM e BYD, esse crescimento é especialmente relevante porque as duas empresas construíram grande parte de sua presença brasileira justamente em torno dessas tecnologias.

A GWM, porém, acrescentou o etanol à equação com seus híbridos flex produzidos localmente.

GWM já planeja expandir ainda mais a produção brasileira

A estratégia industrial da empresa também não termina em Iracemápolis.

A fabricante já apresentou planos de ampliar fortemente sua presença produtiva no país, incluindo novos investimentos e expansão da cadeia local.

Consequentemente, a disputa com empresas como Honda tende a deixar de acontecer apenas nas concessionárias.

Ela também envolve fábricas, fornecedores, engenharia, empregos e desenvolvimento de tecnologias específicas para o Brasil.

Essa expansão representa uma mudança estrutural importante, porque algumas fabricantes chinesas deixaram de tratar o país exclusivamente como destino de exportações.

Agora, elas querem utilizar o mercado brasileiro também como base industrial.

GWM superou Honda em agosto, mas ainda precisa provar consistência

Um único mês não redefine sozinho a estrutura do mercado automotivo.

A Honda ainda mantém volume acumulado superior em 2026 e possui décadas de operação, ampla rede de concessionárias, produção local e forte reconhecimento de marca.

Além disso, a fabricante japonesa possui vendas distribuídas entre vários modelos.

A GWM enfrenta uma situação diferente. Seu crescimento é muito mais recente e ainda depende bastante do desempenho do Haval H6.

Por isso, os próximos meses serão decisivos para verificar se agosto representou um pico ou o começo de uma mudança permanente no ranking.

Diferença entre 9.924 e 9.825 unidades exige atenção

Há também uma diferença entre bases de dados que não deve ser ignorada.

A Autoesporte, citando a consultoria Jato, aponta 9.924 veículos da GWM em agosto. A própria fabricante também divulgou 9.924 unidades comercializadas.

Entretanto, levantamentos baseados nos emplacamentos da Fenabrave apresentam 9.825 unidades para a marca naquele mês.

A diferença é de 99 veículos.

Isso pode ocorrer porque bases de mercado adotam critérios, datas de fechamento ou formas de contabilização diferentes.

Por essa razão, esta reportagem utiliza 9.924 unidades quando reproduz o dado da Autoesporte/Jato e da própria GWM, mas mantém a distinção quando cita rankings construídos a partir da Fenabrave.

Em ambas as bases, porém, a conclusão principal permanece: a GWM ficou acima da Honda no recorte mensal de agosto.

De 3.924 para quase 10 mil carros em apenas um ano

Talvez o número mais revelador não seja a diferença de 247 unidades para a Honda.

É a trajetória da própria GWM.

Em uma das bases de emplacamentos, a marca saiu de 3.924 unidades em agosto de 2025 para 9.825 em agosto de 2026. Portanto, acrescentou quase seis mil carros ao volume mensal em apenas 12 meses.

Ao mesmo tempo, colocou um SUV híbrido entre os carros mais vendidos do país, iniciou produção nacional e expandiu seu portfólio.

Agora, a companhia precisa provar que consegue sustentar essa escala.

Se repetir volumes próximos de 10 mil unidades nos próximos meses, a ultrapassagem sobre fabricantes tradicionais poderá deixar de ser um evento isolado.

Entretanto, se o Haval H6 perder força, a concentração das vendas em um único modelo poderá limitar essa evolução.

Por enquanto, agosto de 2026 já deixou um marco: uma montadora chinesa que começou a vender carros no Brasil há pouco mais de três anos conseguiu terminar o mês à frente da Honda.

E você, acredita que a GWM conseguirá manter vendas acima da Honda nos próximos meses ou a fabricante japonesa ainda deve recuperar a posição com seu portfólio mais diversificado?

Fonte

Globo


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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