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Cidade brasileira está sendo engolida pelo mar: erosão supera 5 metros por ano, casas já viraram ruínas na areia e um novo estudo iniciado em 2026 tenta responder uma pergunta decisiva
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 07/09/2026 às 22:55
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Na foz do Rio Paraíba do Sul, a erosão já atingiu áreas urbanizadas de Atafona e afetou moradias. O município iniciou em 2026 um estudo para comparar alternativas de mitigação e adaptação enquanto medidas emergenciais continuam sendo usadas diante de ressacas e marés elevadas.
Em Atafona, distrito de São João da Barra, no Norte Fluminense, a erosão costeira alcança áreas urbanizadas enquanto o município desenvolve em 2026 um estudo destinado a comparar alternativas de mitigação e adaptação. O problema combina a dinâmica natural da foz do Rio Paraíba do Sul com mudanças que afetam o transporte de sedimentos.
A dimensão do recuo foi registrada pela Câmara Municipal de São João da Barra em palestra do geólogo Eduardo Bulhões, coordenador da Unidade de Estudos Costeiros da Universidade Federal Fluminense (UFF). Ele classificou Atafona como área de erosão extrema, com taxas superiores a cinco metros por ano.
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Esse número não significa que toda a linha de praia recue na mesma velocidade. A taxa varia entre trechos e períodos, porque ondas, correntes marinhas, vento, disponibilidade de areia e descarga do Rio Paraíba do Sul interferem continuamente na posição da costa.
O registro da Câmara também descreve o processo como crônico, por persistir ao longo do tempo, e informa que não há indício científico de uma interrupção natural. Bulhões relacionou ainda a intensidade da erosão às mudanças na vazão máxima do Paraíba do Sul.
Quando a vazão máxima aumenta de um ano para outro, explicou o pesquisador, a praia tende a ganhar sedimentos no período seguinte. Quando ela diminui, Atafona tende a registrar maior erosão no ano posterior, relação que mostra como o comportamento do rio participa da dinâmica costeira.
Rio e oceano redistribuem a areia
Atafona fica junto à foz do Paraíba do Sul, onde processos fluviais e marinhos removem, transportam e redistribuem areia. O relatório técnico municipal também cita retirada de água, barragens e extração de areia no canal entre os fatores capazes de intensificar alterações no transporte de sedimentos.
Parte do material erodido pode seguir para outros trechos do litoral. O mesmo relatório aponta transporte de sedimentos em direção à Praia de Grussaí, mostrando que a perda de areia em Atafona ocorre dentro de um sistema no qual o material pode ser deslocado e depositado em outra área.
O Serviço Geológico do Brasil descreve o delta do Paraíba do Sul como um ambiente fortemente moldado por ondas e por antigas linhas de praia. Essa característica ajuda a explicar por que a posição da faixa de areia pode mudar ao longo do tempo sem que a erosão se comporte como uma linha uniforme.
Em Atafona, porém, o recuo alcançou uma área ocupada. O relatório técnico da Prefeitura registra destruição de edificações e perdas de bens da população, enquanto as ruínas que permanecem na areia mostram o efeito físico do processo sobre imóveis construídos junto à costa.
Moradias entram na área afetada
A erosão também passou a produzir consequências habitacionais. Um decreto municipal de 2023 registrou famílias que viviam em áreas afetadas e tiveram residências interditadas pela Defesa Civil, além da destinação de um imóvel a programa habitacional voltado ao atendimento desses moradores.
Em julho deste ano, o município realizou uma ação emergencial no Pontal de Atafona durante episódio de ressaca associado à maré elevada. A intervenção buscou conter o avanço da água em direção a uma área com residências e estabelecimentos, sem ser apresentada como solução definitiva para a erosão.
Medidas desse tipo respondem a situações imediatas provocadas pelo avanço da água, mas não definem qual intervenção deve ser adotada de forma permanente. Essa decisão depende da análise da dinâmica costeira e das consequências técnicas, econômicas e ambientais das alternativas consideradas.
Estudo deve comparar alternativas
O passo de maior alcance em 2026 é o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental, o EVTEA. O Diário Oficial de São João da Barra registrou, em março deste ano, que o processo de contratação estava em andamento e que o trabalho deveria aprofundar a compreensão da dinâmica costeira.
O documento estabelece que a análise considere fatores oceanográficos, climáticos e hidrossedimentológicos. Também prevê que o estudo subsidie a definição de alternativas técnicas de mitigação e adaptação, com atenção a áreas urbanas, equipamentos públicos essenciais e populações vulneráveis.
Em julho, a Prefeitura informou a assinatura da ordem de serviço para a elaboração do EVTEA. A empresa contratada deveria apresentar inicialmente um plano de trabalho, etapa prevista antes do desenvolvimento das análises técnicas e da comparação entre alternativas.
O estudo não parte da definição prévia de uma única medida. Sua função é comparar respostas possíveis sob critérios técnicos, econômicos e ambientais, considerando a dinâmica de uma costa ligada à desembocadura do Paraíba do Sul e ao transporte contínuo de sedimentos.
Essa avaliação também distingue duas escalas de resposta que já aparecem em Atafona. Medidas emergenciais podem ser adotadas diante de episódios específicos de ressaca e maré elevada, enquanto uma intervenção permanente depende da análise das alternativas e de seus efeitos sobre a costa.
O Diário Oficial informa ainda que o acompanhamento do EVTEA deverá envolver o Conselho Municipal de Meio Ambiente e suas câmaras técnicas. A definição de uma solução permanente permanece vinculada às conclusões técnicas, econômicas e ambientais do estudo, que servirão de base para comparar as medidas possíveis.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

