5 min de leitura
Cidade brasileira está sendo engolida pelo mar, estrada está sendo tomada e solução pode custar R$ 150 milhões para conter erosão, criar novo acesso e evitar isolamento, mas ainda depende de verba e autorizações
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 10/09/2026 às 04:15
Curiosidades
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Prefeitura de Campos dos Goytacazes avalia um desvio provisório para recuperar o tráfego entre Farol de São Tomé e Barra do Furado, enquanto a intervenção permanente depende de estudos do terreno, liberações de órgãos públicos e recursos que o município pretende buscar com outras esferas de governo.
O avanço do mar voltou a comprometer a estrada que liga Farol de São Tomé à região de Barra do Furado, no litoral de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. Sem uma solução definitiva viabilizada, o município trabalha na criação de um acesso alternativo para manter a circulação no trecho afetado.
A Prefeitura estima em aproximadamente R$ 150 milhões o custo do projeto permanente previsto para enfrentar o problema. O montante, porém, não representa recurso já disponível nem obra contratada, porque a intervenção ainda depende de financiamento, definições técnicas e autorizações de diferentes órgãos públicos.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Recomendado para você
Economia
Agricultores e pescadores atingidos pelo rompimento em Mariana já receberam R$ 1,52 bilhão só em transferência de renda, dentro dos R$ 3,35 bilhões que o fundo de reparação repassou desde o desastre de 2015
Os agricultores e pescadores atingidos pelo rompimento da barragem em Mariana já receberam um bilhão e meio de reais só em transferência de renda, dentro dos três bilhões e trezentos…
Paulo Nogueira
0
O avanço da água já interfere diretamente na passagem de veículos pela área próxima à faixa costeira. Diante do comprometimento da estrada, equipes municipais realizaram uma vistoria para avaliar as condições do terreno e localizar uma alternativa que permita deslocar provisoriamente o tráfego.
Novo acesso deve contornar trecho afetado
A proposta analisada pelo município prevê a implantação de um desvio por uma propriedade situada nas proximidades da estrada atual. O objetivo é criar uma passagem capaz de melhorar o fluxo entre Farol de São Tomé e a direção de Barra do Furado sem depender da conclusão da obra estrutural.
A alternativa é considerada paliativa pela administração municipal. Durante a vistoria, o secretário de Agricultura, Pecuária e Infraestrutura Rural, Almy Júnior, informou que o avanço do mar é expressivo e já provoca um problema de tráfego entre a região do terminal pesqueiro e Farol de São Tomé.
Antes de executar o novo caminho, técnicos precisam considerar características que podem interferir na segurança e na viabilidade do traçado. Entre os pontos observados estão a resistência do solo, a presença de valões e as condições físicas do terreno onde o acesso provisório poderá ser aberto.
Essas avaliações limitam a possibilidade de resolver a situação apenas com a movimentação imediata de máquinas. O município precisa definir uma passagem que suporte o tráfego e seja compatível com as condições encontradas na área atingida pela erosão costeira.
Representantes das secretarias de Agricultura, Pecuária e Infraestrutura Rural, Obras, Infraestrutura e Mobilidade Urbana e da Defesa Civil participaram da avaliação no local, além de técnicos e integrantes do gabinete municipal envolvidos na análise da alternativa.
Assista o vídeo
O secretário de Obras, Infraestrutura e Mobilidade Urbana, Fábio Ribeiro, informou que a passagem deverá atravessar uma propriedade próxima à via existente. A definição busca afastar temporariamente os veículos do ponto onde a aproximação do mar compromete as condições normais de circulação.
A medida, contudo, não substitui a intervenção planejada para o trecho costeiro. Mesmo com a abertura de um desvio, a erosão continuará sendo o problema que levou o município a procurar uma nova rota e a discutir uma obra permanente de maior porte.
Solução definitiva depende de recursos e liberações
O projeto estrutural estimado em cerca de R$ 150 milhões exige uma capacidade financeira superior à resposta emergencial planejada para a estrada. Por causa do custo, a Prefeitura considera necessária a participação dos governos estadual e federal para viabilizar a intervenção.
Almy Júnior informou que a proposta já foi apresentada em Brasília. Até a divulgação da vistoria pelo município, porém, as tratativas ainda não haviam avançado o suficiente para assegurar os recursos necessários e permitir o início da solução definitiva.
O dinheiro é apenas uma das pendências. Por se tratar de uma intervenção em uma região costeira, o projeto também precisa passar pelas autorizações dos órgãos responsáveis pelas áreas ambiental e de infraestrutura, além das etapas técnicas necessárias à execução.
Na prática, o município conduz duas frentes com objetivos diferentes. O desvio pretende responder ao problema imediato de circulação, enquanto a solução permanente exige financiamento, estudos, definição técnica e liberações administrativas antes que uma obra de maior escala possa começar.
A necessidade de estudar o terreno também mostra por que as duas respostas não podem ser tratadas como equivalentes. Uma passagem provisória procura retirar os veículos da área mais comprometida; a intervenção definitiva precisa enfrentar as condições que permitem ao avanço do mar continuar afetando a estrada.
O trecho tem importância para a circulação entre Farol de São Tomé e a área de Barra do Furado, e a deterioração do acesso obriga o município a buscar uma rota que preserve o deslocamento enquanto o projeto permanente permanece sem viabilização financeira.
A situação reúne, assim, dificuldades de infraestrutura viária e características próprias de uma área sujeita à erosão costeira. Qualquer intervenção precisa considerar simultaneamente o comportamento do terreno, a proximidade do mar, as exigências ambientais e a necessidade de manter condições seguras de passagem.
Enquanto não há recursos assegurados nem autorizações suficientes para a obra estimada em R$ 150 milhões, a prioridade municipal permanece na implantação do acesso alternativo. A abertura desse desvio depende da definição do traçado e das condições técnicas encontradas no terreno, etapa necessária para restabelecer a circulação sem esperar pela intervenção definitiva.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

