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Cidade brasileira onde lixo nas ruas virou alvo de campanha municipal surpreende com urbanismo planejado e coleta seletiva

Cidade brasileira onde lixo nas ruas virou alvo de campanha municipal surpreende com urbanismo planejado e coleta seletiva

4 min de leitura

Cidade brasileira onde lixo nas ruas virou alvo de campanha municipal surpreende com urbanismo planejado e coleta seletiva

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 01/09/2026 às 08:21

Atualizado em 01/09/2026 às 08:34

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A capital mineira combina uma campanha contra o descarte irregular com uma estrutura que recolhe cerca de 1.800 toneladas de resíduos por dia, coleta seletiva porta a porta para mais de 556 mil pessoas e políticas de arborização apoiadas por dados do Censo 2022.

A campanha BH Cidade Limpa, lançada pela Prefeitura de Belo Horizonte em maio deste ano, concentra a orientação aos moradores em medidas que interferem diretamente na rotina da limpeza urbana: respeitar horários da coleta, separar recicláveis e evitar que resíduos sejam lançados em ruas, córregos e bueiros.

A iniciativa é coordenada pela Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) e se apoia em uma operação permanente que recolhe cerca de 1.800 toneladas de resíduos por dia. O serviço inclui coleta domiciliar, varrição, capina, limpeza de áreas públicas e ações contra depósitos clandestinos.

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Em 2025, a varrição retirou aproximadamente 140 mil toneladas de resíduos das ruas, enquanto a coleta domiciliar movimentou cerca de 655 mil toneladas. De janeiro a abril de 2026, foram outras 48 mil toneladas na varrição e aproximadamente 230 mil toneladas na coleta residencial.

A estrutura informada pelo município reúne cerca de 700 profissionais dedicados à coleta, outros 1.500 trabalhadores na varrição e aproximadamente 200 caminhões. O atendimento não segue a mesma frequência em toda a cidade e varia conforme circulação de pessoas, comércio e características de cada região.

Garis atuam na limpeza urbana de Belo Horizonte, com varrição e coleta de resíduos em ruas e avenidas atendidas diariamente pela SLU. (Imagem: Marcelo Santos/PBH)

Para reduzir o descarte em locais inadequados, Belo Horizonte mantém mais de 20 mil lixeiras em pontos de circulação de pedestres e áreas comerciais. A cidade também possui 35 Unidades de Recebimento de Pequenos Volumes, destinadas a materiais que não devem ser abandonados em passeios, lotes ou vias.

Outro mecanismo são os chamados Pontos Limpos, instalados em áreas anteriormente usadas para deposição clandestina de resíduos. Cerca de 600 locais passaram por revitalização, numa estratégia que combina recuperação do espaço com acompanhamento para impedir que o descarte irregular volte a se consolidar.

Coleta seletiva atende mais de meio milhão de pessoas

A coleta seletiva porta a porta atende mais de 556 mil pessoas em 60 bairros de Belo Horizonte. Nesse sistema, papel, plástico, metal e vidro são separados pelos moradores e disponibilizados para recolhimento nos dias definidos para cada região.

A orientação municipal é que os recicláveis sejam entregues limpos e secos, com atenção especial ao vidro, que precisa ser acondicionado de forma segura para reduzir o risco de acidentes. Resíduos orgânicos, pilhas, baterias e materiais tóxicos exigem outras formas de destinação.

Além do serviço porta a porta, a cidade mantém a coleta ponto a ponto, em que os moradores levam os recicláveis a locais de recebimento. A SLU informa que cerca de 7,3 mil toneladas desses materiais são recolhidas por ano e destinadas a seis cooperativas parceiras.

A destinação às cooperativas separa essa parcela do fluxo do lixo comum e permite triagem e reaproveitamento. A política de reciclagem, portanto, depende tanto das rotas públicas de recolhimento quanto da separação correta feita antes que os materiais cheguem aos trabalhadores responsáveis pela triagem.

Arborização aparece no retrato das ruas de Belo Horizonte

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A presença de vegetação nas vias acrescenta outra dimensão à organização urbana. As Características Urbanísticas do Entorno dos Domicílios do Censo Demográfico 2022, do IBGE registraram que 75,3% dos moradores de Belo Horizonte viviam em trechos de via com pelo menos uma árvore.

O percentual ficou acima dos 66% registrados para o país e colocou Belo Horizonte na sétima posição entre as capitais nesse indicador, atrás de Campo Grande, Goiânia, Palmas, Curitiba, Brasília e Porto Alegre.

O dado do IBGE não representa a proporção da área municipal coberta por vegetação. O indicador considera a existência de pelo menos uma árvore no trecho de via associado ao endereço observado, o que permite medir a presença de arborização no entorno cotidiano dos domicílios.

Belo Horizonte também possui um Plano Municipal de Arborização Urbana estruturado em cinco eixos temáticos e 13 programas. O documento reúne 62 objetivos e 206 tarefas ou resultados previstos, envolvendo plantio, conservação, monitoramento, educação ambiental e integração da arborização à infraestrutura urbana.

Entre as funções associadas às árvores no ambiente urbano estão sombreamento, regulação do microclima e contribuição para a infiltração da água da chuva. O manejo precisa ainda ser compatibilizado com calçadas, redes de serviços e outras estruturas presentes nas vias.

Planejamento urbano antecede as políticas atuais

A preocupação com organização territorial antecede as políticas atuais. Belo Horizonte foi concebida no fim do século XIX como nova capital de Minas Gerais, e o projeto apresentado por Aarão Reis em 1895 dividiu a área original em zonas e estabeleceu um traçado geométrico de ruas, avenidas e quarteirões.

A expansão da capital ultrapassou os limites daquele desenho inicial e incorporou regiões com características muito diferentes. Com isso, serviços de limpeza, drenagem, conservação de áreas públicas e arborização passaram a atender uma cidade muito maior do que a área prevista no planejamento de origem.

O impacto do descarte irregular aparece também nos cursos d’água. A prefeitura informa que a limpeza de córregos retira cerca de 8,5 mil toneladas de resíduos por ano, material que exige uma operação específica depois de alcançar espaços que não deveriam receber lixo.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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