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Cidade mineira que enriqueceu com diamantes preserva pinturas de 5 mil anos, igrejas e ruas de pedra e transforma antigo garimpo em vinícola premiada
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 14/09/2026 às 15:50
Atualizado em 14/09/2026 às 15:51
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Grão Mogol, no norte de Minas Gerais, cresceu com a exploração de diamantes, preservou construções históricas entre as serras e viu uma antiga área de mineração ganhar videiras e produzir vinho premiado
Entre as montanhas da Cordilheira do Espinhaço, no norte de Minas Gerais, uma cidade preserva nas próprias ruas as marcas da atividade que impulsionou seu crescimento. Em Grão Mogol, pedras formam fachadas, igrejas, calçamentos e antigos caminhos ligados ao período em que os diamantes movimentavam a economia regional.
A história, entretanto, ganhou um novo capítulo séculos depois. Em 2017, uma área anteriormente utilizada pelo garimpo recebeu 46 mudas de uva Merlot plantadas pelo produtor Alexandre Damasceno. O experimento cresceu, deu origem à Vinícola Vale do Gongo e passou a produzir cerca de 15 mil litros de vinho anualmente.
Em 2024, essa transformação ganhou reconhecimento nacional quando o vinho Casa Velha recebeu uma Grande Medalha de Ouro em concurso realizado em Bento Gonçalves. Assim, um território historicamente associado aos diamantes passou a produzir outra riqueza entre as pedras e montanhas do norte mineiro.
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Descoberta de diamantes transformou Grão Mogol em importante centro econômico do norte de Minas Gerais
A relação de Grão Mogol com o garimpo começou ainda no fim do século XVII, quando a descoberta de diamantes atraiu garimpeiros e comerciantes. O povoamento avançou principalmente ao redor da Serra de Santo Antônio do Itacambiruçu.
Consequentemente, a mineração passou a influenciar não apenas a economia, mas também a formação e a identidade da região. As dificuldades e os conflitos daquele período permaneceram registrados até mesmo na geografia local, com nomes como Ribeirão do Inferno e Córrego das Mortes.
Até a origem do nome Grão Mogol reúne versões diferentes. Uma delas estabelece relação com o Grande Mogol, famoso diamante indiano. Outra associa a denominação a uma expressão semelhante a “grande amargor”, supostamente relacionada às dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores.
Posteriormente, em 1858, o município recebeu oficialmente o título de cidade. Mais de um século e meio depois, o patrimônio construído durante essa trajetória ganhou proteção estadual.
Igreja, ruas e antigos caminhos de pedra preservam a história do garimpo que moldou Grão Mogol
A pedra se tornou um dos elementos mais característicos da paisagem urbana de Grão Mogol. Por isso, o município também ficou conhecido como Cidade da Pedra.
Um dos principais exemplos é a Igreja Matriz de Santo Antônio, construída com pedras durante a segunda metade do século XIX. Sua estrutura cria uma paisagem diferente daquela encontrada nas tradicionais igrejas barrocas de outras cidades históricas mineiras.
As rochas também aparecem na antiga Trilha do Barão e na Rua Cristiano Relo, anteriormente chamada Rua Direita. Além disso, desenhos conhecidos como Sóis Maçônicos foram incorporados ao pavimento para identificar imóveis relacionados a integrantes da maçonaria.
Pelo menos três desses símbolos continuam preservados. Já em 23 de maio de 2017, o tombamento estadual do Centro Histórico de Grão Mogol foi aprovado pelo Conselho Estadual do Patrimônio Cultural de Minas Gerais.
A proteção inclui elementos relacionados à ocupação histórica impulsionada pela busca por diamantes, conforme informações do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais, o IEPHA-MG.
Presépio com 15 esculturas ocupa 3,6 mil metros quadrados e reforça relação da cidade mineira com a pedra
Além das construções históricas, outro espaço utiliza as rochas como elemento central. Trata-se do Presépio Natural Mãos de Deus, uma das atrações encontradas em Grão Mogol.
O conjunto ocupa aproximadamente 3,6 mil metros quadrados e reúne 15 esculturas em tamanho natural. As peças foram produzidas com pedra-sabão e cimento.
Dessa maneira, a pedra ultrapassa a função de material utilizado nas antigas construções. Ela também aparece como elemento artístico e reforça uma característica que acompanha a paisagem e a identidade do município.
Cavernas próximas a Grão Mogol guardam mais de 100 pinturas rupestres estimadas em aproximadamente 5 mil anos
Entretanto, a história preservada na região começou muito antes da corrida pelos diamantes. Nas proximidades da Serra do Pará, cavernas guardam registros produzidos milhares de anos antes da formação da cidade.
Localizados aproximadamente 22 quilômetros da sede municipal, esses espaços concentram mais de 100 pinturas rupestres. As representações são estimadas em cerca de 5 mil anos.
Assim, Grão Mogol reúne em uma mesma região vestígios de períodos históricos muito diferentes. De um lado estão registros arqueológicos milenares. De outro aparecem caminhos, edifícios e estruturas associados ao garimpo que transformou economicamente o município séculos depois.
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Viviane Alves
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Parque Estadual de Grão Mogol protege mais de 28 mil hectares entre cerrado, campos rupestres, cânions e cachoeiras
A paisagem natural também passou a integrar o patrimônio preservado da região. Em 1998, foi criado o Parque Estadual de Grão Mogol.
Segundo o Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais, a unidade protege aproximadamente 28,4 mil hectares. A área reúne cerrado, campos rupestres e formações características da Cordilheira do Espinhaço.
Além disso, o relevo oferece ambientes utilizados para trekking, escalada, rapel e cicloturismo. Entre os pontos conhecidos estão a Cachoeira Véu de Noiva, a Cachoeira do Inferno e o Cânion do Extrema.
Nesses locais, paredões rochosos dividem espaço com piscinas naturais e quedas-d’água. Portanto, as mesmas características geológicas que marcaram a mineração também ajudam a formar atualmente algumas das principais paisagens naturais da cidade.
Produtor plantou 46 mudas de Merlot em antigo terreno de garimpo e iniciou uma nova atividade entre as serras
Uma das transformações mais recentes dessa história começou em 2017. Naquele ano, Alexandre Damasceno decidiu testar o cultivo de uvas em um vale anteriormente utilizado pelo garimpo.
Inicialmente, foram plantadas apenas 46 mudas da variedade Merlot. O experimento, porém, avançou e posteriormente deu origem à Vinícola Vale do Gongo.
A produção aproveitou características locais, como o clima seco e as noites frias da Cordilheira do Espinhaço. Além disso, a propriedade passou a realizar duas safras por ano.
Atualmente, a produção chega a aproximadamente 15 mil litros de vinho anualmente, conforme dados divulgados pela Agência Minas.
Vinho produzido onde antes havia garimpo conquistou Grande Medalha de Ouro em competição nacional em 2024
O novo capítulo ganhou destaque em 2024, quando o vinho Casa Velha recebeu uma Grande Medalha de Ouro em competição realizada em Bento Gonçalves.
A premiação colocou em evidência uma transformação iniciada poucos anos antes. Afinal, o local que durante parte de sua história esteve relacionado à retirada de riqueza mineral passou a produzir uvas e vinho.
Dessa forma, a trajetória de Grão Mogol conecta períodos separados por milhares de anos. Primeiro vieram os registros rupestres. Séculos depois, os diamantes impulsionaram o crescimento urbano e deixaram construções e caminhos de pedra.
Agora, antigas terras ligadas ao garimpo também recebem videiras. Assim, entre patrimônio histórico, serras, cachoeiras e sítios arqueológicos, Grão Mogol encontrou no vinho uma nova atividade justamente onde os diamantes ajudaram a escrever seu passado.
O que você acha mais surpreendente em Grão Mogol: a história ligada aos diamantes, as pinturas rupestres de 5 mil anos ou a transformação de um antigo garimpo em uma vinícola premiada? Deixe sua opinião!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

