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Cidade parece ter sido engolida por uma montanha: moradores vivem em casas encaixadas sob rochas gigantes, usam a própria pedra como teto e caminham por ruas onde, em alguns trechos, quase não é possível enxergar o céu, no Sul da Espanha
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 12/09/2026 às 19:10
Atualizado em 12/09/2026 às 19:19
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Na Andaluzia, no sul da Espanha, o pequeno vilarejo de Setenil de las Bodegas cresceu dentro de um cânion moldado pelo próprio curso d’água que atravessa a cidade. As fachadas foram erguidas para fechar cavidades que já existiam, e a pedra segue aparente por dentro, formando o teto das casas
Em Setenil de las Bodegas, na Andaluzia, enormes blocos de rocha avançam sobre casas, bares e restaurantes construídos junto a um cânion. Em vez de remover as formações rochosas para abrir espaço, os antigos moradores fizeram o contrário: adaptaram as construções à pedra, usando o paredão como parede e até como teto.
As informações foram publicadas pelo Diário do Litoral em 6 de setembro de 2026, em texto assinado por Luiz Dias, da Agência Diário, com imagens creditadas a fotógrafos do Wikimedia Commons.
Moradores adaptaram as casas ao cânion em vez de remover a rocha
A ocupação da cidade seguiu o desenho do terreno. O cânion foi moldado pelo curso d’água que atravessa Setenil, e é ele que define onde as construções puderam ser levantadas.
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Paulo Nogueira
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Onde a rocha forma saliências e cavidades, os moradores ergueram fachadas para fechar os espaços já protegidos naturalmente.
Construções não são cavernas escavadas na montanha
Apesar da aparência, as casas de Setenil não são simplesmente cavernas abertas na rocha.
O traço característico do vilarejo está justamente na forma como a arquitetura aproveitou abrigos que já existiam, sem precisar cavar a montanha.
Pedra visível por dentro forma o teto das construções
Em grande parte dessas construções, a pedra permanece visível do lado de dentro e cumpre a função de teto.
Município aponta controle natural da temperatura
Segundo o município, esse tipo de moradia tem uma vantagem prática além da estética.
A massa rochosa ajuda a manter e controlar a temperatura interna de forma natural.
Casas-caverna viraram restaurantes, depósitos e comércios
Algumas das antigas casas-caverna foram transformadas em restaurantes, depósitos e estabelecimentos comerciais.
Outras continuam sendo usadas como residências pelos moradores.
Calle Cuevas de la Sombra é a rua onde a pedra cobre o céu
Nenhum ponto da cidade mostra melhor essa relação com a rocha do que a Calle Cuevas de la Sombra.
Ali, a pedra se projeta sobre a passagem entre duas fileiras de fachadas caiadas e, em determinado trecho, ocupa praticamente todo o campo de visão de quem olha para cima.
Cuevas del Sol recebe luz direta a poucos metros dali
A experiência muda poucos metros adiante, na Cuevas del Sol. Voltada para o sul, essa rua recebe mais luz solar diretamente sobre as fachadas das casas-caverna.
É também ali que se concentram casas, bares e restaurantes encaixados na rocha.
Nomes das ruas nasceram da diferença de luz
A diferença de iluminação entre as duas vias deu origem aos próprios nomes: Cavernas da Sombra e Cavernas do Sol.
Jabonería, Cabrerizas e Herrería acompanham o relevo
Outras ruas de Setenil, como Jabonería, Cabrerizas e Herrería, seguem o mesmo princípio e acompanham o relevo do terreno.
A Calle Cabrerizas reúne casas-caverna adaptadas aos abrigos naturais, enquanto a Calle Herrería atravessa o núcleo histórico entre escadarias, fachadas brancas e passagens estreitas. Em alguns pontos, as casas brancas parecem desaparecer dentro da montanha.
Fortificação muçulmana usava a montanha como defesa
Muito antes de receber turistas, as pedras de Setenil serviam como proteção. No alto do terreno, cercado por paredões e passagens estreitas, o núcleo medieval cresceu à sombra de uma fortificação muçulmana que parecia usar a própria montanha como parte das defesas.
Cidade resistiu a cercos até 21 de setembro de 1484
Durante o avanço cristão sobre o Reino de Granada, Setenil resistiu a uma sucessão de cercos, protegida por um relevo que transformava cada encosta e cada desfiladeiro em obstáculo.
A resistência terminou em 21 de setembro de 1484, quando as forças dos Reis Católicos tomaram a cidade. Séculos depois, a lógica se inverteu: as mesmas rochas que barravam invasores hoje atraem visitantes de todo o mundo.
Torre erguida entre os séculos XII e XIII segue de pé
Parte do passado militar da cidade continua visível. A antiga torre da fortaleza, erguida entre os séculos XII e XIII, permanece em pé acima do casario branco.
Na parte mais alta de Setenil, o Torreón e o Castelo preservam um dos principais vestígios do período medieval do vilarejo.
Igreja, Casa Consistorial e ermida completam o conjunto histórico
O conjunto histórico de Setenil de las Bodegas inclui ainda a Igreja de Nossa Senhora da Encarnação, que se destaca acima das casas brancas, e a Casa Consistorial, que mantém elementos da arquitetura tradicional da cidade.
Em uma área elevada próxima ao centro aparece também a Ermida de Nuestra Señora del Carmen, entre as construções brancas típicas do lugar. O resultado, segundo a publicação, transformou uma necessidade de adaptação ao terreno em uma das paisagens urbanas mais incomuns da Espanha.
Na sua opinião, morar em uma casa com a rocha servindo de teto, como acontece em Setenil de las Bodegas, seria uma solução inteligente de moradia, ou o risco e a falta de luz natural pesariam mais? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

