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Cientistas analisam esmalte de dentes de Tiranossauro rex e encontram temperatura corporal estimada em 36,3°C, próxima à humana, reforçando que o predador era de sangue quente, podia manter atividade por mais tempo e teria condições de viver até em regiões da América do Norte sujeitas a temperaturas congelantes
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 19/09/2026 às 21:27
Atualizado em 19/09/2026 às 21:30
Ciência e Tecnologia
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Cientistas da UCLA mediram a química do esmalte de três dentes de Tiranossauro rex achados em Montana e estimaram temperatura corporal de 36,3°C, com variação de 2,5 graus para mais ou para menos. O resultado, publicado na Science Advances, indica que o dinossauro era de sangue quente, como aves e mamíferos
A química do esmalte de três dentes de Tiranossauro rex desenterrados em Montana, nos Estados Unidos, indicou que o dinossauro tinha temperatura corporal de 36,3°C, com variação de 2,5 graus para mais ou para menos. O valor fica perto da média humana, de 37°C.
O estudo saiu na revista científica Science Advances na quarta-feira e foi divulgado pela agência Reuters em 18 de setembro de 2026. Para os autores, a descoberta deve provocar uma mudança fundamental na forma como o público enxerga o predador.
Esmalte do dente funciona como um termômetro do corpo
A chave do trabalho está na formação dos dentes. “O esmalte dentário se forma dentro do animal à temperatura do corpo; portanto, a composição química do esmalte funciona como um termômetro”, explicou a geocientista da UCLA Aradhna Tripati, autora sênior da pesquisa.
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A leitura é feita pela proporção de certas formas de carbono e oxigênio, os isótopos, presentes no material. O método usado se chama “isótopos agrupados”.
Broca retirou 5 miligramas de pó de cada dente
Para não destruir os fósseis, os pesquisadores usaram uma técnica minimamente destrutiva, com uma broca rotativa de baixa velocidade e ponta de carboneto de tungstênio.
De cada dente, saíram cerca de 5 miligramas de pó de esmalte, quantidade menor do que uma pitada de sal.
Dentes vieram de “Thomas” e de um segundo tiranossauro
O Museu de História Natural do Condado de Los Angeles forneceu o material analisado. Dois dentes eram de um espécime adulto jovem bem preservado, apelidado de Thomas.
O terceiro era um dente parcial isolado de um segundo tiranossauro. Os dois animais vieram do mesmo local, no Condado de Carter, em Montana.
Temperatura de 36,3°C fica entre a do elefante e a do avestruz
A média humana é de 37°C, pouco acima do valor estimado para o T. rex. Entre os animais atuais, o elefante, maior animal terrestre vivo, tem cerca de 36°C.
Já o avestruz, maior ave existente, fica em torno de 39°C. O tiranossauro estava entre os maiores dinossauros carnívoros que já existiram.
Crocodilos da mesma formação rochosa ficaram em 30,9°C
Os pesquisadores aplicaram a mesma técnica a cinco dentes de crocodilídeos de idade semelhante, retirados da mesma formação rochosa.
O resultado foi uma temperatura corporal média de 30,9°C, em linha com os crocodilos modernos e abaixo da registrada no tiranossauro.
“Ele deixa de ser um réptil”, diz a autora do estudo
Para Tripati, o número muda a imagem do animal. “Ele deixa de ser um réptil da maneira como as pessoas imaginam os répteis. Um animal a 36° Celsius não fica esperando o Sol aquecê-lo”, afirmou.
Segundo a pesquisadora, o T. rex é “termicamente independente do ambiente ao seu redor” e, nesse aspecto, mais próximo de um elefante ou de um avestruz do que de um crocodilo.
Sangue quente é a capacidade de gerar e conservar calor
A endotermia, nome técnico do sangue quente, é a capacidade de gerar e conservar calor metabólico interno. Ela dá energia e resistência sustentadas e permite viver tanto em climas quentes quanto frios.
Animais de sangue frio, ou ectotérmicos, dependem de fontes externas de calor para aquecer o corpo. É o caso de crocodilos e cobras.
Metabolismo acelerado cobra o preço de mais comida
Manter o corpo quente tem custo. “A endotermia é comum em animais de grande porte e até mesmo em alguns peixes. No entanto, ela tem um custo”, disse Robert Eagle, geobiólogo da UCLA e coautor do estudo.
Segundo ele, “um T. rex endotérmico teria que obter significativamente mais alimento para sustentar sua taxa metabólica mais elevada, mas também seria capaz de uma atividade mais sustentada para encontrar alimento, migrar e viver em ambientes mais frios”.
Predador viveu há 66 milhões de anos no oeste da América do Norte
O tiranossauro vagava pelo oeste da América do Norte no Período Cretáceo, há cerca de 66 milhões de anos, no fim da era dos dinossauros.
Os fósseis da espécie aparecem desde as províncias canadenses de Alberta e Saskatchewan, passando por Montana, Wyoming e as Dakotas, até o Novo México e o Texas.
Modelos climáticos indicam que ele aguentaria frio congelante
Segundo Tripati, modelos climáticos apontam que o tiranossauro teria conseguido habitar a maior parte do continente.
Isso inclui, nas palavras dela, “ambientes frios onde teria enfrentado temperaturas congelantes”. A pesquisadora afirma que se trata de “um animal muito mais móvel e adaptável do que as pessoas imaginam”.
Resultado derruba a imagem de bicho lento e desajeitado
As evidências de sangue quente refutam a noção ultrapassada de que o tiranossauro era uma criatura lenta e desajeitada.
Ainda assim, o valor encontrado não é dos mais altos. “Nossa estimativa de temperatura para o T. rex situa-se na extremidade inferior da faixa dos endotérmicos”, disse Tripati. Pequenas aves voadoras atuais, por exemplo, ficam em torno de 42°C.
Aves fazem parte da mesma linhagem dos dinossauros carnívoros
Aves e mamíferos são endotérmicos. Todos os dinossauros carnívoros pertencem a uma linhagem chamada terópodes.
As aves também estão nesse grupo: elas evoluíram a partir de pequenos dinossauros emplumados, o que aproxima o tiranossauro dos animais de sangue quente de hoje.
Cientistas pedem cautela antes de estender a conclusão a outros dinossauros
Eagle lembra que existem graus diferentes de sangue quente. “Acredita-se que muitos dinossauros, mas não necessariamente todos, fossem de sangue quente”, afirmou, citando desde a endotermia de baixo nível de preguiças e tamanduás até a das aves, com taxas metabólicas mais altas que as dos mamíferos.
Tripati faz a mesma ressalva sobre generalizar o resultado. “Trata-se de uma única espécie, e as evidências entre os dinossauros apontam para uma variedade de estratégias, em vez de uma resposta única”, disse.
Na sua opinião, descobertas como a temperatura de 36,3°C do Tiranossauro rex deveriam mudar a forma como filmes e livros mostram os dinossauros? Deixe sua opinião nos comentários.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

