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Cientistas criam bateria de papel que pode ser engolida, funciona por até 3 dias dentro do corpo e depois se decompõe no organismo

Cientistas criam bateria de papel que pode ser engolida, funciona por até 3 dias dentro do corpo e depois se decompõe no organismo

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Cientistas criam bateria de papel que pode ser engolida, funciona por até 3 dias dentro do corpo e depois se decompõe no organismo

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 24/09/2026 às 15:57

Atualizado em 24/09/2026 às 15:58

Imagem: Divulgação Financial Times.

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Tecnologia desenvolvida por pesquisadores do MIT gerou 1,84 V, alimentou dispositivos médicos dentro de porcos e abre caminho para cápsulas capazes de monitorar medicamentos e realizar estímulos elétricos sem cirurgia

Pesquisadores desenvolveram uma bateria de papel ingerível e bioabsorvível capaz de fornecer energia a pequenos dispositivos eletrônicos dentro do sistema gastrointestinal e depois se decompor. Nos experimentos, realizados inicialmente em porcos, a tecnologia funcionou por até três dias e alimentou tanto um sistema de comunicação sem fio quanto uma cápsula de estimulação elétrica do estômago. A pesquisa representa um avanço para dispositivos médicos temporários que, no futuro, poderão funcionar dentro do corpo sem depender de baterias convencionais, conforme reportagem publicada pelo Financial Times em 21 de setembro de 2026.

Bateria de papel gera 1,84 V e funciona durante três dias em ambiente semelhante ao estômago

A proposta parece contraditória à primeira vista. Engolir uma bateria convencional representa um sério risco à saúde. Entretanto, os pesquisadores partiram justamente desse problema para desenvolver uma fonte de energia que o organismo pudesse tolerar e degradar.

A nova bateria utiliza magnésio no ânodo e trióxido de molibdênio no cátodo. Esses materiais conseguem atuar como eletrodos e apresentam características compatíveis com a aplicação biomédica nas quantidades utilizadas pelos pesquisadores.

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O sistema também possui um eletrólito em gel líquido iônico. Além disso, a equipe desenvolveu a bateria para ser bioabsorvível, permitindo que seus componentes se decomponham progressivamente.

Nos testes de laboratório, os pesquisadores colocaram as baterias em uma solução altamente ácida semelhante ao suco gástrico. Elas funcionaram normalmente durante aproximadamente três dias e, posteriormente, começaram a perder desempenho.

Imagem: Divulgação Financial Times.

Ao longo das semanas seguintes, os componentes se degradaram.

A bateria alcançou uma tensão máxima em circuito aberto de 1,84 volt. Embora pareça pequena diante das baterias utilizadas em celulares ou veículos elétricos, essa quantidade de energia pode atender dispositivos eletrônicos médicos de dimensões reduzidas.

Os cientistas produziram dois formatos. Uma versão possui formato de disco com 7,5 milímetros de diâmetro. A segunda consiste em uma pequena barra de 24 milímetros de comprimento.

Assim, a equipe conseguiu adaptar a fonte de energia a diferentes aplicações dentro do trato gastrointestinal.

Testes em porcos permitiram enviar sinal sem fio a 1,5 metro e estimular o estômago por 20 minutos

Depois dos experimentos iniciais, os pesquisadores avançaram para testes pré-clínicos em porcos. A escolha desses animais não ocorreu por acaso: seu trato gastrointestinal apresenta características anatômicas próximas às encontradas em seres humanos.

Em um dos experimentos, a equipe conectou a bateria a uma etiqueta de identificação por radiofrequência, conhecida como RFID.

O dispositivo conseguiu transmitir continuamente informações de dentro do trato gastrointestinal para um receptor localizado a uma distância de até 1,5 metro.

Essa tecnologia pode futuramente ajudar a confirmar, por exemplo, se um medicamento ingerível chegou ao local esperado. Dessa maneira, sistemas semelhantes poderiam contribuir para acompanhar tratamentos sem depender apenas do relato do paciente.

Os pesquisadores também testaram uma segunda aplicação. Eles integraram a bateria a uma cápsula capaz de aplicar uma pequena corrente elétrica no revestimento do estômago.

Durante os experimentos, 20 minutos de estimulação elevaram os níveis de grelina em aproximadamente 50%. A grelina atua como um hormônio relacionado à fome e ao controle do apetite.

Esse mecanismo poderá ser estudado futuramente para condições associadas à náusea, perda de apetite ou problemas no funcionamento gástrico.

A possibilidade de utilizar eletrônica de dimensões cada vez menores dentro do organismo acompanha outros avanços recentes da engenharia. Tecnologias que combinam novos materiais, sensores e sistemas de comunicação estão transformando equipamentos que antes dependiam de procedimentos invasivos em dispositivos temporários muito menores.

Bateria se degrada, mas dispositivo usado no experimento ainda não desaparece completamente no organismo

Apesar do avanço, existe uma diferença importante entre a bateria e todo o equipamento utilizado nos experimentos.

A bateria foi projetada para ser bioabsorvível. Entretanto, a placa de circuito utilizada na cápsula de estimulação elétrica ainda não possui essa característica.

Nos testes com os animais, essa parte passou pelo trato gastrointestinal e saiu naturalmente do organismo.

Portanto, a pesquisa ainda não demonstrou um dispositivo eletrônico completo capaz de simplesmente desaparecer dentro do corpo depois de cumprir sua função.

Os pesquisadores afirmam, porém, que já existem materiais que podem permitir o desenvolvimento de mais componentes bioabsorvíveis no futuro.

Essa característica representa uma das principais vantagens potenciais da tecnologia. Dispositivos médicos implantados tradicionalmente podem exigir procedimentos para colocação e, dependendo da aplicação, posterior retirada.

Uma eletrônica temporária e bioabsorvível poderia reduzir essa necessidade em determinadas situações.

Além disso, a tecnologia busca resolver um problema de segurança das baterias convencionais. Pequenas baterias utilizadas em equipamentos médicos podem conter materiais como lítio ou óxido de prata. Caso sua proteção seja danificada dentro do sistema gastrointestinal, existe risco de lesões.

A equipe do MIT buscou justamente materiais capazes de produzir eletricidade e, ao mesmo tempo, apresentar maior compatibilidade com o organismo nas condições estudadas.

Pesquisadores planejam testes em humanos, mas tecnologia ainda precisa passar por novas etapas de segurança

A bateria ainda está em uma fase pré-clínica. Isso significa que os resultados obtidos em porcos não demonstram automaticamente segurança ou eficácia em seres humanos.

Segundo os pesquisadores, os próximos passos incluem estudos maiores de segurança, desenvolvimento de um processo consistente de fabricação e testes em diferentes ambientes gástricos.

A equipe também trabalha no avanço do sistema RFID e prevê iniciar um ensaio clínico em aproximadamente dois anos, caso o desenvolvimento avance conforme planejado.

Entre as aplicações futuras estão cápsulas para monitorar medicamentos, liberar substâncias no organismo, coletar informações e aplicar estímulos elétricos temporários.

O benefício potencial também aparece na redução do lixo eletrônico. Como os materiais da bateria podem se degradar, eles evitariam que pequenas fontes de energia convencionais fossem posteriormente eliminadas no sistema de esgoto.

A pesquisa, publicada na revista científica Nature Chemical Engineering, mostra que a bateria já ultrapassou a etapa de simplesmente produzir eletricidade em uma bancada de laboratório.

Nos experimentos, ela efetivamente alimentou sistemas eletrônicos dentro de animais e sustentou funções como comunicação sem fio e estimulação elétrica.

Isso não significa que médicos poderão prescrever uma “bateria para engolir” em breve. Antes disso, pesquisadores ainda precisam demonstrar segurança, fabricação reproduzível e funcionamento adequado em humanos.

Mesmo assim, o experimento mostra uma possibilidade incomum: em vez de retirar uma bateria médica depois que ela termina sua função, futuros dispositivos poderão utilizar fontes de energia projetadas para funcionar temporariamente e depois se decompor dentro do próprio organismo.

Fonte

Financial Times


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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