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Cientistas enviam robô a 529 metros no Pacífico e encontram coral amarelo que pode passar de 1 metro tão diferente geneticamente que precisam criar uma nova família para classificá-lo

Cientistas enviam robô a 529 metros no Pacífico e encontram coral amarelo que pode passar de 1 metro tão diferente geneticamente que precisam criar uma nova família para classificá-lo

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Cientistas enviam robô a 529 metros no Pacífico e encontram coral amarelo que pode passar de 1 metro tão diferente geneticamente que precisam criar uma nova família para classificá-lo

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 04/09/2026 às 00:34

Atualizado em 04/09/2026 às 00:35

Ciência e Tecnologia

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Encontrado em montanhas submarinas da Costa Rica, o organismo confundiu análises genéticas, não se encaixou nas famílias conhecidas e revelou uma linhagem desconhecida dos octocorais

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Encontrado em montanhas submarinas da Costa Rica, o organismo confundiu análises genéticas, não se encaixou nas famílias conhecidas e revelou uma linhagem desconhecida dos octocorais

A centenas de metros abaixo da superfície do Pacífico, onde a luz solar já não sustenta os ecossistemas vistos em águas rasas, pesquisadores encontraram um organismo que não se encaixava adequadamente em nenhuma das famílias de corais conhecidas pela ciência. As colônias eram amarelas, ramificadas como pequenas árvores e algumas podiam ultrapassar um metro de altura.

O coral foi encontrado em montanhas submarinas próximas à Costa Rica, entre aproximadamente 360 e 529 metros de profundidade, durante expedições realizadas em 2019 e 2023. Depois de anos analisando sua estrutura e seu DNA, os cientistas concluíram que não estavam diante apenas de uma espécie desconhecida: foi necessário criar uma nova espécie, um novo gênero e uma família taxonômica inteira para classificá-lo.

Robô SuBastian encontrou colônias amarelas a até 529 metros de profundidade

Registro de Laurinque elenya durante as expedições em águas profundas do Pacífico, com diferentes ângulos da colônia e detalhes de sua estrutura. Em uma das imagens, o braço robótico do ROV SuBastian aparece próximo ao coral durante a coleta dos exemplares usados pelos pesquisadores.

Os exemplares foram observados e coletados pelo ROV SuBastian, veículo submarino controlado remotamente utilizado pelo Schmidt Ocean Institute. As operações partiram dos navios científicos Falkor e Falkor (too), permitindo que pesquisadores explorassem áreas do fundo oceânico inacessíveis por mergulho convencional.

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As expedições investigaram montanhas submarinas próximas à Ilha do Coco e à margem pacífica da Costa Rica. O estudo registra exemplares entre cerca de 360 e 529 metros, incluindo colônias nas formações conhecidas como Las Gemelas e em outro monte submarino da região.

Quando estão vivas, as colônias apresentam coloração amarela intensa e formato semelhante ao de uma árvore ou grande leque, com numerosas ramificações. Segundo a divulgação da descoberta, algumas ultrapassam um metro de altura, tornando o coral especialmente visível sobre o fundo rochoso.

O organismo recebeu o nome científico de Laurinque elenya.

Cientistas inicialmente tentaram encaixar o coral em grupos já conhecidos

A pesquisadora Odalisca Breedy, da Universidade da Costa Rica, está entre os principais nomes responsáveis pela descrição. Os primeiros exemplares foram obtidos durante uma expedição em 2019, mas a aparência incomum do coral já indicava que sua identificação não seria simples.

Novas amostras coletadas em 2023 permitiram aprofundar os estudos. Os pesquisadores analisaram características como formato das colônias, estrutura dos pólipos e pequenos elementos esqueléticos chamados escleritos, comparando o animal com outros octocorais descritos anteriormente.

As diferenças morfológicas eram grandes, mas foi quando a equipe começou a estudar o material genético que surgiu um problema ainda mais intrigante.

Três marcadores genéticos colocaram o mesmo coral em posições diferentes

Colônia de Laurinque elenya registrada em águas profundas do Pacífico, próximo à Costa Rica. O coral amarelo e ramificado, que pode ultrapassar um metro de altura, foi tão diferente dos grupos conhecidos que levou pesquisadores a criar uma nova família taxonômica para classificá-lo.

A equipe inicialmente utilizou marcadores genéticos tradicionais empregados na classificação dos octocorais, incluindo mtMutS, COI e 28S rDNA. Em vez de esclarecer a origem do organismo, os resultados produziram posições diferentes na árvore evolutiva dependendo do gene analisado.

Em outras palavras, cada marcador parecia sugerir um parentesco diferente, impedindo que o coral fosse colocado de maneira convincente dentro de uma família já estabelecida.

Diante dessa inconsistência, os pesquisadores recorreram a uma abordagem filogenômica muito mais abrangente, utilizando elementos ultraconservados e éxons para comparar uma quantidade maior de informação genética. A análise final mostrou que o organismo formava uma linhagem distinta, embora relacionada à família Eunicellidae.

As diferenças genéticas, somadas às particularidades da anatomia do coral, eram grandes demais para classificá-lo simplesmente como um novo integrante dessa família.

Descoberta obrigou pesquisadores a criar a família Laurinqueidae

Detalhe do holótipo de Laurinque elenya, preservado em etanol, mostrando as antocódias e a disposição dos pólipos. Fotografias de Fiorella Vásquez (UCR).

O resultado foi uma situação muito menos comum do que a simples descrição de uma nova espécie. Os pesquisadores estabeleceram formalmente Laurinqueidae como uma nova família, Laurinque como um novo gênero e Laurinque elenya como nova espécie.

O estudo, intitulado A coral among stars: A new octocoral family from seamounts in the tropical eastern Pacific, foi publicado em 30 de junho de 2026 na revista científica ZooKeys, assinado por Odalisca Breedy, Catherine S. McFadden, Catalina Murillo-Cruz, Ana-Belén Yánez-Suárez, Katleen Robert e Andrea M. Quattrini.

Isso significa que o animal não acrescentou apenas mais um nome à lista de espécies conhecidas. Ele passou a representar uma nova ramificação reconhecida na classificação científica dos octocorais.

Nome foi inspirado em Tolkien e no cenário encontrado no fundo do Pacífico

O nome escolhido pelos pesquisadores também faz referência à aparência incomum da descoberta. Laurinque deriva de “Laurinquë”, termo associado a uma árvore dourada na língua élfica quenya criada pelo escritor J. R. R. Tolkien.

A escolha combina com a aparência das colônias: grandes estruturas amarelas e ramificadas que lembram árvores crescendo sobre rochas do fundo oceânico.

elenya faz referência às estrelas. Ao redor dos corais havia grande quantidade de ofiúros, animais marinhos parentes das estrelas-do-mar. Vistos pelas câmeras do SuBastian, eles formavam uma espécie de campo de estrelas sob as colônias amarelas, ajudando a inspirar tanto o nome da espécie quanto o título do trabalho científico.

Jardins de coral profundo mostram quanto ainda permanece desconhecido

Colônias in situ de Laurinque elenya gen. et sp. nov. registradas em Las Gemelas II. Fotografias realizadas pelo ROV SuBastian.

O ambiente onde Laurinque elenya vive é muito diferente dos recifes tropicais normalmente associados à palavra coral. A centenas de metros de profundidade, essas colônias crescem em áreas rochosas de montanhas submarinas, formando estruturas capazes de aumentar a complexidade do habitat e oferecer espaço para outros organismos.

A descoberta reforça ainda uma característica das pesquisas no fundo oceânico: mesmo grupos estudados há décadas ainda podem esconder linhagens evolutivas inteiras desconhecidas pela ciência.

Neste caso, foram necessárias duas expedições, um robô capaz de operar a centenas de metros de profundidade, análises microscópicas e técnicas genômicas avançadas para compreender o que inicialmente parecia ser apenas mais um coral amarelo no Pacífico.

Ao final, Laurinque elenya revelou algo muito maior: um animal que permaneceu fora da classificação científica até que sua descoberta obrigasse pesquisadores a criar uma família completamente nova para lhe dar lugar na árvore da vida.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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