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Cientistas equipam seis narvais com sensores na Groenlândia e transformam os animais em coletores de dados, alcançando fiordes onde navios quase não chegam e revelando, a cerca de 300 km da costa, água mais quente do Atlântico capaz de avançar até regiões profundas próximas às geleiras

Cientistas equipam seis narvais com sensores na Groenlândia e transformam os animais em coletores de dados, alcançando fiordes onde navios quase não chegam e revelando, a cerca de 300 km da costa, água mais quente do Atlântico capaz de avançar até regiões profundas próximas às geleiras

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Cientistas equipam seis narvais com sensores na Groenlândia e transformam os animais em coletores de dados, alcançando fiordes onde navios quase não chegam e revelando, a cerca de 300 km da costa, água mais quente do Atlântico capaz de avançar até regiões profundas próximas às geleiras

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 04/09/2026 às 10:16

Atualizado em 04/09/2026 às 10:53

Ciência e Tecnologia

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Seis narvais equipados com sensores coletaram dados em fiordes da Groenlândia e revelaram

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Seis narvais equipados com sensores coletaram dados de temperatura, salinidade e profundidade em Scoresby Sound, na Groenlândia, alcançando áreas quase inacessíveis a navios. As medições revelaram vestígios de água do Atlântico a cerca de 300 quilômetros da costa e mostraram água relativamente quente chegando a bacias profundas diante de geleiras.

Seis narvais (Monodon monoceros) equipados com sensores permitiram que cientistas coletassem informações oceanográficas em áreas remotas de Scoresby Sound, na costa leste da Groenlândia. Enquanto os animais realizavam seus deslocamentos habituais, os equipamentos registravam temperatura, salinidade e profundidade em pontos que embarcações científicas raramente ou nunca conseguem alcançar.

Segundo reportagem da Revista Galileu, publicada em 28 de agosto de 2026 e assinada por Arthur Almeida, os resultados fazem parte de um estudo publicado em 26 de agosto na revista Science Advances. A pesquisa revelou vestígios de água do Atlântico a cerca de 300 quilômetros da costa e mostrou que essa massa relativamente quente alcança áreas profundas próximas às geleiras.

Scoresby Sound é o maior sistema de fiordes do mundo

A área estudada fica na costa leste da Groenlândia e é considerada uma das regiões oceanograficamente menos conhecidas.

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Scoresby Sound é o maior sistema de fiordes do planeta, mas o gelo marinho, as grandes distâncias e a dificuldade de acesso limitam a quantidade de medições realizadas por navios de pesquisa.

Narvais entraram em regiões onde embarcações quase não chegam

Os narvais conseguiram coletar dados em áreas que navios de pesquisa raramente ou nunca alcançam devido ao gelo marinho e à dificuldade de acesso — Foto: Wikimedia Commons

A capacidade natural dos animais de circular por águas frias e remotas permitiu alcançar pontos pouco documentados.

Mads Peter Heide-Jørgensen, professor do Instituto de Recursos Naturais da Groenlândia e responsável pelo estudo, afirmou que os narvais estiveram em partes dos fiordes onde existem pouquíssimas medições anteriores.

Sensores registraram temperatura, salinidade e profundidade

Um sensor CTD acoplado a um narval — Foto: Mads Peter Heide-Jørgensen

Os equipamentos transformaram cada animal em uma plataforma móvel de coleta de dados.

Durante os movimentos naturais dos narvais, os sensores registraram temperatura, salinidade e profundidade da água, produzindo medições em locais que poderiam exigir operações difíceis ou caras caso fossem investigados exclusivamente por embarcações.

Água do Atlântico apareceu a cerca de 300 quilômetros da costa

Uma das descobertas ocorreu muito além das regiões normalmente alcançadas pelos levantamentos.

Heide-Jørgensen afirmou que os pesquisadores encontraram vestígios de água do Atlântico a aproximadamente 300 quilômetros da costa, algo que, segundo ele, ainda não havia sido demonstrado dessa maneira naquela área.

Fiorde reúne água polar fria e água atlântica mais quente

Scoresby Sound contém diferentes massas de água com características distintas.

A Água Polar é fria e tem origem no Ártico. Já a Água Intermediária Atlântica é relativamente mais quente e salgada e chega à região a partir do Oceano Atlântico.

Essa combinação torna as medições de temperatura, salinidade e profundidade especialmente importantes para compreender o funcionamento do sistema.

Dados dos animais ampliaram informações usadas nos modelos

Susanne Ditlevsen, professora da Universidade de Copenhague e coautora da pesquisa, destacou que as novas observações preencheram áreas anteriormente pouco representadas nos levantamentos.

Segundo ela, a disponibilidade de medições desses locais permite incorporá-las aos modelos e construir uma visão mais completa das condições do oceano.

Cientistas combinaram medições com banco histórico mundial

Uma equipe de campo marcando um narval — Foto: Carsten Egevang

A análise não se baseou somente nos registros produzidos pelos seis narvais.

Os pesquisadores combinaram as novas medições com informações oceanográficas históricas do WOD, o Banco de Dados Mundial dos Oceanos.

A partir dos dois conjuntos de dados, a equipe elaborou um modelo relacionando temperatura, salinidade e profundidade.

Camada de água atlântica ficou mais espessa

Os resultados apontaram uma mudança na composição das águas presentes no sistema de fiordes.

A camada correspondente à água atlântica ficou mais espessa, enquanto a camada superior formada pela água polar apresentou redução de espessura.

Essas diferenças ajudaram os pesquisadores a acompanhar como as massas de água estão distribuídas nas profundezas de Scoresby Sound.

Água relativamente quente alcança bacias profundas diante das geleiras

A equipe identificou que a água atlântica consegue penetrar profundamente no interior dos fiordes.

Essa massa de água relativamente quente alcança bacias profundas localizadas em frente às geleiras, mesmo em pontos situados a centenas de quilômetros para dentro do sistema.

A descoberta estabelece um caminho pelo qual águas mais quentes podem chegar às proximidades do gelo.

Pesquisador associa água quente ao derretimento das geleiras

Heide-Jørgensen afirmou que essa é a água que ajuda a derreter as geleiras.

Segundo o pesquisador, os resultados mostram como a entrada de água relativamente quente tem contribuído para acelerar o processo de perda de gelo nas geleiras da região.

A conclusão está ligada às condições observadas e modeladas a partir dos dados coletados no fiorde.

Derretimento libera grandes volumes de água doce no oceano

As consequências estudadas ultrapassam os limites de Scoresby Sound.

O derretimento das geleiras e da camada de gelo da Groenlândia libera grandes volumes de água doce no oceano, alteração que pode afetar a circulação oceânica.

Mudanças nessa circulação podem, por consequência, influenciar padrões climáticos muito além do Ártico.

Novas medições podem melhorar modelos climáticos

Os pesquisadores consideram os dados importantes também para estudos sobre mudanças no clima.

Ditlevsen explicou que o derretimento das geleiras exerce papel fundamental nos grandes modelos climáticos utilizados para projetar mudanças futuras.

Segundo ela, melhorar a compreensão desse processo é especialmente importante porque a Groenlândia concentra uma enorme quantidade de gelo.

Seis narvais ampliam observações de região pouco estudada

O uso dos seis narvais permitiu obter medições em trechos de Scoresby Sound que permaneciam difíceis de alcançar pelos métodos convencionais.

Os dados mostraram a presença de água atlântica a cerca de 300 quilômetros da costa, indicaram mudanças na espessura das massas de água e revelaram que águas relativamente quentes conseguem atingir bacias profundas próximas às geleiras, oferecendo novas informações para pesquisas oceanográficas e climáticas.

Na sua opinião, o que mais chama atenção nessa pesquisa: usar narvais como coletores de dados, alcançar regiões praticamente inacessíveis a navios ou identificar água atlântica relativamente quente chegando tão perto das geleiras? Deixe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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