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Cientistas jogaram corante fluorescente na água e descobriram que 60% da área que alimenta a Mammoth Cave, a maior caverna conhecida do mundo, fica fora do parque nacional
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 09/09/2026 às 22:46
Atualizado em 09/09/2026 às 22:47
Ciência e Tecnologia
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Mammoth Cave tem 426 milhas de passagens mapeadas, mas estudos mostraram que boa parte da água que sustenta o sistema vem de áreas que ultrapassam os limites protegidos.
No Kentucky, nos Estados Unidos, pesquisadores passaram décadas estudando não apenas o tamanho da Mammoth Cave, mas também os caminhos percorridos pela água que abastece seu complexo sistema subterrâneo. O trabalho revelou um dado importante para a conservação: cerca de 60% da área de recarga do aquífero cártico fica fora dos limites do Mammoth Cave National Park.
A descoberta chamou atenção porque o parque protege a maior caverna conhecida do mundo, mas não controla toda a superfície conectada à sua água subterrânea. Para identificar essas ligações, cientistas utilizaram corantes fluorescentes, capazes de revelar trajetos invisíveis sob o solo e mostrar onde a água entra, circula e reaparece.
Corante fluorescente revelou por onde a água circulava sob Mammoth Cave
O método usado pelos pesquisadores ficou associado aos estudos hidrológicos realizados durante décadas na região. A técnica consiste em inserir pequenas quantidades de corante em pontos onde a água desaparece no terreno calcário e depois procurar o mesmo material em nascentes, rios subterrâneos e outras saídas conhecidas.
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Segundo registros do U.S. Geological Survey, o primeiro rastreamento com corante documentado na região de Mammoth Cave ocorreu em 1925. Décadas depois, entre meados dos anos 1970 e o início dos anos 1980, campanhas maiores passaram a mapear com mais precisão as bacias subterrâneas ligadas ao sistema cavernícola.
Mais do que uma ferramenta de pesquisa, o corante permitiu transformar um fluxo invisível em informação concreta. Ao descobrir onde a água reaparecia, os cientistas conseguiram estabelecer conexões entre áreas da superfície e trechos subterrâneos separados por quilômetros.
Estudos mostraram que a área de recarga ultrapassa os limites do parque nacional
O resultado mais importante apareceu quando os pesquisadores compararam os caminhos da água com os limites oficiais do parque. Segundo o U.S. Geological Survey, aproximadamente 60% da área de recarga do aquífero que alimenta Mammoth Cave está fora da área protegida.
Isso significa que a água que chega ao sistema subterrâneo não vem apenas de terrenos situados dentro do parque. Parte considerável da recarga ocorre em áreas externas, onde o uso do solo, a ocupação humana e possíveis fontes de poluição podem influenciar a qualidade da água que depois percorre as cavernas.
Essa característica tornou a proteção do sistema mais complexa. A fronteira administrativa do parque não acompanha os limites naturais da bacia subterrânea, o que exige monitoramento de uma área maior do que aquela desenhada no mapa oficial.
Mammoth Cave cresceu de 144 para 426 milhas de passagens conhecidas
Enquanto os estudos hidrológicos avançavam, as explorações também ampliavam o conhecimento sobre a dimensão física da Mammoth Cave. Em 9 de setembro de 1972, pesquisadores da Cave Research Foundation encontraram a ligação entre os sistemas Flint Ridge e Mammoth Cave, formando uma rede conectada com cerca de 144 milhas de extensão.
O crescimento continuou nas décadas seguintes com novas expedições, conexões e medições. Em 2021, oito novas milhas foram incorporadas ao mapa e elevaram o total para 420 milhas. No ano seguinte, outras seis milhas foram documentadas.
Com isso, a Mammoth Cave passou a somar 426 milhas, aproximadamente 686 quilômetros, de passagens mapeadas. O National Park Service mantém o sistema como a caverna conhecida mais longa do mundo.
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Viviane Alves
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Água ajudou a formar Mammoth Cave durante milhões de anos
A mesma água rastreada pelos cientistas também participou da formação da caverna. O sistema surgiu em rochas calcárias que foram lentamente dissolvidas pela circulação de água ao longo de milhões de anos, criando fendas, canais, túneis e grandes galerias subterrâneas.
Segundo o National Park Service, as partes mais antigas da Mammoth Cave começaram a se formar há cerca de 10 milhões de anos. O processo continua até hoje, já que a água ainda percorre condutos subterrâneos e modifica lentamente a estrutura da rocha.
Esse comportamento explica por que o estudo da hidrologia é tão importante quanto o mapeamento das galerias. Conhecer o tamanho da caverna mostra até onde o sistema se estende, enquanto rastrear a água revela quais áreas da superfície permanecem conectadas a ele.
Descoberta mostrou que proteger Mammoth Cave exige olhar além de suas fronteiras
O rastreamento com corantes mudou a forma como pesquisadores passaram a enxergar a proteção da Mammoth Cave. A caverna não depende apenas do território localizado dentro do parque, porque grande parte da água que chega ao aquífero nasce em regiões externas.
A descoberta dos 60% da área de recarga fora da unidade protegida mostrou que a conservação precisa considerar todo o sistema hidrológico ligado às cavernas. Poluentes lançados na superfície, por exemplo, podem entrar rapidamente em sumidouros e seguir pelos mesmos canais naturais identificados nos testes com corantes.
Depois de décadas de exploração e quase um século de rastreamentos documentados, Mammoth Cave continua revelando dimensões que não aparecem apenas nas galerias subterrâneas. Sua extensão conhecida chega a centenas de quilômetros, mas sua relação com a superfície ultrapassa ainda mais os limites visíveis do parque.
Na sua opinião, para proteger a Mammoth Cave, a maior caverna conhecida do mundo, as autoridades deveriam ampliar a proteção para as áreas externas que alimentam seu aquífero ou reforçar apenas o monitoramento ambiental no entorno do parque? Deixe sua opinião!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

